
Em 1968, na reunião que decidiu a criação do Ato Institucional nº5 (que, na prática, acaba com as liberdades individuais e oficializava a arbitrariedade), o vice-presidente da República, Pedro Aleixo, disse ser contra. Ao questionamento de um dos presentes, “O senhor não confia no nosso presidente?”, respondeu: “No presidente eu confio. Tenho medo é do guarda da esquina”.
Pois bem. Quase 50 anos depois, mais um “guarda da esquina” se manifestou. No domingo (30), um PM se sentiu ofendido pela apresentação de um grupo de teatro de rua, na Praça dos Andradas. Outros policiais compraram a ideia e se acharam no direito de interromper a peça, apreender a cenografia e os equipamentos de som, e levar um dos artistas para a delegacia algemado.
O que eles não sabiam é que a peça, da trupe Olha da Rua, só é apresentada justamente por ter aval do Governo do Estado. O espetáculo “Blitz” tem financiamento do Programa de Ação Cultural (ProAC).
A apresentação critica a violência policial. Não fosse a ação dos PMs, a mensagem do grupo ficaria restrita às cerca de 30 pessoas que acompanhavam o espetáculo. Com a repercussão da blitz, ganhou as redes sociais e as páginas dos jornais.



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