
O primeiro debate da campanha para prefeito de Santos deste ano deu o tom do que deve ocorrer até 2 de outubro: um clima morno, intercalando apresentações de propostas (algumas consistentes, outras genéricas) com trocas de críticas mais duras. O alvo preferencial, evidentemente, foi o prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), que é candidato à reeleição.
Promovido pela UniSantos, o debate teve como tema “Cidade Sustentável, Transparência e Espaços de Participação da Sociedade”. As perguntas foram formuladas pelos próprios candidatos, pela plateia e por representantes de diversas entidades. Entre os temas abordados, coleta seletiva e destinação final do lixo, mobilidade e participação popular.
O debate teve a mediação serena, porém enérgica, do jornalista Rafael Motta. “Peço que a plateia não se manifeste. É uma questão de civilidade, que nos respeitemos uns aos outros”, disse, para conter os ânimos do auditório, composto por assessores dos candidatos, professores e alunos da universidade.
Candidatos trocam farpas
Barbosa destacou as realizações de seu mandato, anunciou o que pretende fazer caso permaneça no cargo e fez ataques à gestão petista no governo federal, no que pareceu ser uma tentativa de polarizar a disputa com Carina Vitral (PCdoB) ainda no primeiro turno. O prefeito ressaltou que sua gestão preza pela transparência. “Nós fomos além do que a Lei de Acesso à Informação exige. Quem está falando que a política de transparência de Santos é nota 10 não sou eu, é o Ministério Público Federal, o órgão que está botando muito petista na cadeia”, disse.
Débora Camilo (PSOL) rebateu: “Espero que a Justiça tenha o mesmo rigor com os ladrões de merenda e coloque muito tucano na cadeia”. Carina Vitral acrescentou: “O Portal da Transparência não previu a ocorrência dos chequinhos”, disse, numa alusão à denúncia de que a Prefeitura teria contratado prestadores de serviço de forma indevida.
Barbosa respondeu: “A Policia Federal investigou esta denúncia e arquivou. Quem está na administração pública não pode ter medo de ser investigado. Investigação é bom porque dá atestado de idoneidade”.
Cidade sustentável
Mais moderado, Marcelo Del Bosco (PPS) não fez críticas diretas ao prefeito, mas pontuou suas falas com propostas para fazer de Santos uma cidade sustentável. Ele defendeu ações conjuntas envolvendo as prefeituras da região, os governos estadual e federal e a solicitação de recursos de bancos internacionais para o financiamento de projetos. “Lutamos por uma política limpa de meio ambiente, esperamos fazer um trabalho conjunto na Prefeitura de Santos, com as demais cidades da região, o governo do estado e o ministério do meio ambiente”. Segundo ele, bancos internacionais disponibilizam R$ 400 bilhões para financiar projetos ambientais.
Edgar Boturão defendeu a qualificação dos funcionários municipais, “frequentando cursos, seminários e congressos”, para que possam oferecer serviços melhores à população. Ele também afirmou que, caso eleito, irá rever os processos de tombamento de imóveis no Centro. “Do jeito como foi feito, engessou aquela importante área da cidade. O que tem valor histórico precisa ser preservado, mas o que for apenas ruína deve ir para o chão e ceder lugar para a construção de habitações populares”.
Paulo Schiff afirmou que o sistema de saúde em Santos precisa ser reorganizado. “Menos de 25% da população é atendido pelo programa Saúde da Família, aqui do lado, tem municípios que têm quase 100%. Este programa desafoga os atendimentos de urgências e emergência e permite que se atenda melhor o ambulatório, permite que as consultas sejam agilizadas”.
Genival Bezerra (PSDC) teve uma atuação discreta no debate. Entre outras ideias, defendeu o rozídio de veículos e a criação de estacionamentos públicos, para melhorar o trânsito na cidade, e a realização de parcerias do poder público com a iniciativa privada. “Cada R$ 1 milhão investido na cidade você terá 80 empregos”.
Hallite rouba a cena
Candidato do PRTB, Helio Hallite se destacou pela irreverência. “Tem uma coisa que em Santos funciona maravilhosamente bem: as farmácias. Onde eu comia pizza hoje é uma farmácia, onde eu tomava café é uma farmácia. Tenho medo de, quando sair daqui, ter uma farmácia no lugar da minha casa”.
Num momento mais agudo, perguntou ao prefeito: “Qual a emoção de inaugurar um hospital vazio?”, numa alusão ao Hospital dos Estivadores, que ainda não atende a população. Barbosa demonstrou indignação: “Eu tenho senso de humor aguçado, mas eleição é coisa séria! A gente tem que tratar a cidade com responsabilidade”, disse, acrescentando que, por ser uma questão complexa, o equipamento será entregue em etapas. “Estamos entrando na fase de implantação, com a gestão sendo feita por uma organização social”.
Em outro momento, alertado pelo mediador que faltavam 10 segundos para terminar sua resposta, Hallite disse: “Para quem tem apenas 8 segundos no horário eleitoral, é até muito”.
Vaias para Boturão
Questionado sobre como fazer os jovens participarem mais ativamente da política, Edgar Boturão (PROS) disse que a juventude está desencantada e desenganada. “Sinceramente, não sei a resposta”, afirmou. “Os jovens não estão interessados na política”, completou, recebendo vaias da plateia, formada principalmente por estudantes. Depois do debate, Boturão lamentou ter sido mal interpretado. “Infelizmente, boa parte dos jovens está mais interessada em caçar Pokémon do que com a política”, argumentou.
A estrela do PT
Entre os presentes na plateia, estava a ex-prefeita Telma de Souza, que é candidata a vereadora. O repórter do Jornal da Orla perguntou a ela por que não há a estrela vermelha do PT no seu material de campanha eleitoral. “Para quê? A estrela sou eu!”, justificou.
POLÍTICA NACIONAL
Em alta – Depois de ser um dos protagonistas do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), e de ler, como 1º secretário da Câmara, o termo de posse do novo presidente, Michel Temer (PMDB), o deputado Beto Mansur integrou a comitiva presidencial que participa da reunião do G 20 (as maiores 20 economias do mundo) na China. Lá, posou para fotos ao lado do presidente Xi Jinping. Amigo de Michel Temer, Mansur está com a bola toda. É o canal para os prefeitos da região que vivem de pires na mão por conta da crise econômica.
Em baixa – Depois que o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Ricardo Lewandowski, permitiu que os senadores rasgassem a Constituição da República, já começam a aparecer os políticos que defendem colegas implicados na roubalheira da Lava Jato. Uma das surpresas é o senador Cristovam Buarque (PPS- DF), que concedeu entrevista à imprensa se dizendo a favor da cassação do deputado federal Eduardo Cunha (PMDB -RJ), mas defendendo a manutenção dos direitos políticos do parlamentar. E que se dane o que diz a Constituição da República…



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