
Os ilustres deputados federais poderiam fazer a gentileza de explicar a seus eleitores por que diabos aprovaram um aumento amplo, geral e irrestrito ao funcionalismo público, em todas as esferas , que vai custar ao contribuinte no mínimo R$ 53 bilhões até 2018, e a criação de mais 14.419 cargos federais. Tudo isso no momento em que o país enfrenta a pior crise financeira de sua história e o governo interino pede mais sacrifícios à população.
O que poderiam dizer os nossos ilustres deputados aos 11,4 milhões de desempregados, aos milhares de empresários e comerciantes que estão fechando seus negócios e colocando mais gente na rua, simplesmente porque não conseguem mais pagar tantos impostos e as contas que chegam no final do mês?
Temer aplaude
O governo Dilma Rousseff (PT) foi uma tragédia. Jogou o país na crise e, afastada, nem cuidar dos netos ainda foi. Mas o governo Temer segue a mesma toada, revelando sensibilidade zero ou desprezo pelo desespero de milhões de brasileiros. Dois ministros já caíram e outros estão enrolados em denúncias de corrupção ou envolvimento na Lava Jato.
Ao mesmo tempo em que pede mais sacrifícios ao povo, Temer elogia o Congresso por conceder o aumento fora de hora ao funcionalismo e por criar mais cargos federais. Qualquer cidadão minimamente informado percebe que Temer bajula o Congresso e o Judiciário para permanecer no poder até 2018. A presidente afastada fazia o mesmo, leiloando ministérios, distribuindo cargos. Deu no que deu.
Que rei sou eu?
São poucos os parlamentares que percebem que Temer parece ser o comandante de mais um Titanic. O tucano Nelson Marchezan Jr é um deles. “Dizem aqui que não posso ser mais realista que o rei. Se o governo encaminha isso, devemos votar a favor. Quero lembrar que acabamos de depor uma rainha porque ela administrou as contas públicas contrariamente ao interesse popular. Espero também que esse novo rei mude sua forma de reinar, para que ele não siga o mesmo caminho da rainha deposta”.
Para Marchezan Jr, o governo de Temer “deu um péssimo recado para o mercado e a sociedade”. O fato é que os nossos ilustres deputados aprovaram o aumento geral do funcionalismo e ganharam aplausos do presidente.
Que tenham a decência de não pedir mais sacrifícios.
Sem garantias para hospital
Para que o leitor tenha noção do que se passa, a Câmara Federal liberou R$ 53 bilhões para o funcionalismo sob aplauso do governo, o mesmo governo que não garante nem R$ 10 milhões por mês para que o Hospital dos Estivadores – fundamental para minimizar os problemas de saúde na região – possa funcionar em sua plenitude.
Talvez a saúde não seja uma prioridade para o governo interino e nem para seus apoiadores no Congresso. Melhor rezar para não ficar doente.
Ativista critica medidas que aumentam rombo nas contas públicas
Em entrevista no programa Jornal da Orla na TV, o coordenador do Mobilização Santista, Luiz Fernando Lobão, criticou duramente o presidente em exercício, Michel Temer, e o Congresso Nacional, que aprovaram medidas que vão aumentar o rombo nas contas públicas. “É inadmissível uma situação dessas”, disse. “Ou tem a sensibilidade de enfrentar a crise, mesmo que seja com medidas duras, ou simplesmente esse país vai quebrar”.
Lobão acredita em outro modelo, “baseado no mérito, na liberdade econômica, com menos impostos. Um modelo em que o governo não diga o que nós temos que fazer, e sim o que nós digamos o que o governo tem que fazer”.
Segundo ele, a solução para o Brasil passa pelas ações individuais e cotidianas das pessoas. “Quando você fura a fila ou tenta subornar o guarda, isso é corrupção”.



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