
Michel Temer (PMDB) assumiu quinta-feira (12) o cargo de presidente interino propondo um “governo de salvação nacional”. Sua primeira medida foi reduzir de 32 para 23 o número de ministérios, uma iniciativa de caráter altamente simbólico, haja vista que o rombo nas contas federais neste ano pode superar a casa dos R$ 100 bilhões.
Temer tem forte apoio no Congresso, mas é visto com desconfiança pela maioria expressiva dos eleitores, que preferia novas eleições presidenciais. Por isso, seu tempo é curto e ele terá de mostrar serviço, e rápido, para não correr o risco de enfrentar grandes manifestações populares.
Ministério polêmico
O ministério de Temer tem nomes de peso, mas pelo menos 13 deles respondem a processos por improbidade administrativa. O politicamente correto também foi deixado de lado. Não há mulheres e negros no primeiro escalão do governo.
O novo governo adota o lema “Ordem e Progresso”, que consta na bandeira, e promete reformas, sem prejudicar direitos adquiridos, e a manutenção de programas sociais. É aguardar para ver.
O julgamento definitivo de Dilma Rousseff deverá ser feito em até 180 dias. Se o impeachment for aprovado por no mínimo 54 senadores, Temer será presidente até 31 de dezembro de 2018 e Dilma terá seus direitos políticos cassados por oito anos.
A velha conversa de sempre
Bastante respeito no mercado financeiro, o novo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que a meta do governo é diminuir impostos, mas que talvez, em razão do tamanho da crise, seja necessário criar novos tributos, como a volta da CPMF, de forma tributária. Esse filme os brasileiros já viram e não gostaram.
Mesmo com forte apoio no Congresso, não será fácil ao novo governo aprovar a volta da CPMF. Os parlamentares e os empresários sempre bateram contra. Como ser a favor agora?
A queda da senhora de maus bofes
Dilma Rousseff foi defenestrada do Palácio do Planalto por absoluta incompetência e por ter um gênio irascível. Desprezava os políticos – os que afinal a afastaram – e maltratava ministros, assessores, funcionários, etc. etc.
As histórias envolvendo o gênio forte da presidente são quase que inacreditáveis. A 10 mil metros de altura brigou e ofendeu o comandante do avião presidencial, em razão de uma turbulência; fazia ministros chorarem; jogou cabides na arrumadeira de quarto e os levou de volta, demitindo depois a pobre coitada (que foi readmitida depois para trabalhar em outro local desde que ficasse de boca fechada); ofendeu o motorista porque queria que ele dirigisse mais rápido; e maltratava rotineiramente ministros, assessores e funcionários.
Por tudo isso, ficou conhecida em Brasília como “a senhora de maus bofes”. Muitos esperam, agora, que ela trate seus netos melhor…
A estrela de Beto brilha de novo
“Mamãe passou açúcar em mim” é uma frase que virou até música e retrata uma pessoa de muita sorte. Pelo jeito, o deputado federal Beto Mansur foi carregado de açúcar ainda no berçário. O homem tem uma estrela gigante, que não para de brilhar.
Desde que começou na política a sorte o tem acompanhado. Foi eleito prefeito de Santos numa virada sobre a então favorita Telma de Souza; depois foi eleito e reeleito deputado com a ajuda dos votos de Paulo Maluf, pelo coeficiente partidário. Mudou de partido e novamente foi ajudado pelo puxador de votos, Celso Russomanno.
Na Câmara Federal chegou ao cobiçado cargo de primeiro-secretário porque o partido que deveria indicar o parlamentar perdeu o prazo. Agora, com a saída de Eduardo Cunha da presidência, o trapalhão Waldir Maranhão deverá ser mero presidente decorativo, tutelado pelo primeiro-secretário, Beto Mansur.
O destino sempre conspira a favor de Beto, hoje um dos homens mais poderosos do Parlamento brasileiro. Mas, além de muita sorte, ele tem “competência política”, fato reconhecido até por seus adversários. Assim é a vida.



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