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Dilma vive seus últimos dias no Palácio do Planalto

07/05/2016 Jornal da Orla
Dilma vive seus últimos dias no Palácio do Planalto | Jornal da Orla
A presidente Dilma Rousseff (PT) vive seus últimos dias no poder assombrada por fantasmas do passado e insistindo no velho e surrado discurso de que está sendo vítima de um golpe. Mesma conversa de seus defensores no Senado, onde o relatório favorável ao impeachment, de autoria do senador Antonio Anastasia (PSDB), foi aprovado por 15 votos a 5.
 
No Senado, durante a votação do relatório sobre o impeachment, os governistas levaram uma surra que já era esperada, mas, também como era esperado, gritaram e espernearam. Uma das que mais protestaram foi a senadora Vanessa Graziotin (PC do B AM): segundo ela, Dilma Rousseff é uma mulher honesta, que não cometeu crime algum e que está sendo afastada por um golpe das elites, por defender os trabalhadores e os mais pobres e contrariar interesse dos banqueiros.
 
Parece até piada, já que existem hoje mais de 11 milhões de desempregados no país e os banqueiros cobram os juros mais caros do planeta. Já na oposição, vários senadores admitiram que Dilma está cumprindo seus dias de aviso prévio não apenas pelas pedaladas fiscais, mas por ser um governo envolvido em corrupção e que jogou o país na sua mais grave crise econômica.
 
O fato é que Dilma Rousseff está cada vez mais isolada e, mais do que nunca, sente o que é a solidão do poder. Seus últimos dias no Palácio do Planalto são melancólicos. A presidente será afastada dia 11 por até 180 dias, mas nem mesmo os aliados acreditam que ela possa voltar. Dilma deve descer a rampa do palácio pela última vez dia 12. 
 
Fim de jogo para ela e para o PT.
 
Depois de Cunha, a vez de Renan?
Brasília vive um clima de perplexidade desde que o STF (Supremo Tribunal Federal), por unanimidade, retirou da presidência da Câmara e também suspendeu o mandato do deputado Eduardo Cunha, acusado de obstruir a Justiça na apuração do escândalo da Operação Lava Jato e de atrasar o processo de cassação de seu próprio mandato.
 
Acusado de corrupção, e réu na Lava Jato, Eduardo Cunha poderia assumir a presidência da República com o impedimento de Dilma e na hipótese de o futuro presidente Michel Temer se ausentar do país.
 
O vice-presidente da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), outro investigado na Lava Jato, assumiu o cargo interinamente, mas os deputados devem fazer nova eleição para eleger o sucessor de Cunha.
 
O que se pergunta em todo o país, agora, é se Renan Calheiros (PMDB), que responde a vários inquéritos na Justiça e é acusado de receber propinas no escândalo da Petrobras, terá fim semelhante ao de Eduardo Cunha ou se vai conseguir permanecer na presidência do senado. Façam suas apostas!

 
Na alegria e na tristeza
Quando um político cai em desgraça, os amigos costumam abandoná-lo. Ao contrário de muitos aliados, que preferiram ficar na moita, Beto Mansur fez questão de visitar Eduardo Cunha , na residência oficial da presidência da Câmara,tão logo foi anunciada a liminar concedida pelo ministro Teori Zavascki afastando o deputado da presidência e suspendendo seu mandato.
 
Processo contra Collor na gaveta
Apesar dos aplausos da oposição e do governo à decisão do ministro Teori Zavascki de punir Eduardo Cunha, posição endossada posteriormente por todos os ministros da Corte, é visível a lentidão do STF em julgar políticos envolvidos em vários crimes.
Na gaveta do próprio Teori, dorme há meses um pedido de inquérito da Procuradoria-Geral da República contra o senador Fernando Collor. Para quem não sabe, Collor é acusado da prática de 327 (isso mesmo, trezentos e vinte e sete) crimes.
 
Como senador, Collor tem foro privilegiado, coisa que só existe no Brasil. Quando será julgado, só Deus sabe. Talvez a explicação esteja nas palavras do presidente do STF, Ricardo Lewandowski: “O tempo do Judiciário não é o tempo da política nem o dá mídia”.
Então, tá!