
A Câmara Federal deve aceitar neste domingo (17) a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), revelam levantamentos realizados pelos principais veículos de comunicação do país. Todos eles apontam que as oposições já têm número suficiente (342 votos) para a abertura da ação pelo afastamento da presidente. Dilma precisa de um milagre para salvar seu mandato. O processo de votação, nominal, com início previsto para as 14 horas, será transmitido ao vivo para todo o país pela Rede Globo de Televisão, emissora de maior audiência.
Derrota no STF
Na quinta-feira (14), o governo tentou barrar no STF (Supremo Tribunal Federal) a abertura do processo pela Câmara, mas acabou derrotado: por 8 votos contra 2, os ministros consideraram que não há ilegalidade na ação do Parlamento.
A Câmara aprovando, o processo vai ao Senado, onde serão necessários votos de 41 senadores (maioria simples), de 81, para que a chefe do Executivo seja afastada por um período de até seis meses. O julgamento final no Senado será, então, conduzido pelo presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), e serão necessários 54 votos (dois terços dos senadores) para que o impeachment seja decretado. Se isso ocorrer, além de perder o cargo, Dilma ficará inelegível por oito anos. Ou, segundo suas próprias palavras, uma “carta fora do baralho”.
Como governar?


O fato é que o Brasil vive sua maior crise política e econômica. Se conseguir impedir a abertura do processo de impeachment, hipótese pouco provável, como Dilma vai continuar governando sem o apoio do Parlamento?
Já se Michel Temer assumir o comando do país também terá inúmeras dificuldades pela frente, haja vista que o PT e seus aliados afirmam que o impeachment “é golpe” e prometem infernizar o novo governo com protestos, greves e manifestações.
Já na quinta-feira (14), manifestantes pró governo paralisaram importantes rodovias em protesto contra a votação da abertura do processo de impeachment na Câmara Federal. Um recado do que virá pela frente.
Enfim, com o país na pindaíba, os brasileiros não terão vida fácil, qualquer que seja o desfecho da crise.
Cientista política prevê momento difícil para o país


Caso a presidente Dilma Rousseff seja afastada do cargo, o vice, Michel Temer (PMDB) tem condições de conduzir o Brasil em um processo de transição. A opinião é da cientista política Clara Verssiani, que participou do programa “Jornal da Orla na TV”.
“Já passamos por esta experiência, tivemos o governo de Itamar Franco, nas mesmas condições. Um processo de impeachment, em que o vice assumiu. Foi um período de estabilidade política e econômica. Acredito que seja possível fazer esta travessia mais uma vez”, afirma.
No entanto, ela alerta que o Brasil viverá um momento difícil, com o afastamento de Dilma ou não. “Temos investigações que envolvem o vice, o presidente da Câmara e do Senado, que estão na linha de sucessão. Mas acredito que a gente consiga atravessar porque as instituições têm força, têm independência”.



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