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Governo e oposição travam batalha final na Câmara dos Deputados

09/04/2016 Jornal da Orla
Governo e oposição travam batalha final na Câmara dos Deputados | Jornal da Orla
Não há, ainda, uma definição clara se a Câmara dos Deputados vai se decidir pela aprovação do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Governo e oposição trabalham intensamente no sentido de garantir votos – muitas ações são consideradas pouco republicanas. Os boatos sobre proposta$ indecentes aos deputados indecisos ganharam força e a coisa está tão avacalhada que até Fernando Collor e Paulo Maluf resolveram bancar os paladinos da moralidade.
 
Collor, que foi cassado por corrupção, disse que nunca viu algo parecido, e Maluf – sim, o mesmo Maluf que é procurado pela Justiça da França e dos Estados Unidos -, diz que vai “apurar” se está mesmo ocorrendo “compra” de votos. Sinal dos tempos. Maluf, que até pouco tempo atrás era um grande aliado do governo petista, promete votar pelo impeachment se constatar eventual irregularidade. Parece piada. Que esculhambação!
 
Números conflitantes
As últimas pesquisas realizadas pelos jornais mostram o avanço na intenção de voto pelo impeachment, mas ainda faltam alguns para alcançar o número necessário (342) para que o processo seja aprovado pela Câmara Federal. A uma semana da votação decisiva, o governo, por intermédio do ex-presidente Lula, e as oposições, na ação do senador Romero Jucá (PMDB), fazem um grande assédio aos parlamentares. É jogo bruto, para profissionais.  Vale tudo, ministérios, cargos comissionados e, sabe Deus, o que mais.
 
Tirem as crianças da sala. Como na guerra, a maior vítima dessa briga será a verdade.

A foto à esquerda mostra manchete da Folha de S.Paulo com uma má notícia para a presidente Dilma Rousseff (PT), mas que também atinge o vice, Michel Temer (PMDB); a da direita é a de um blog “companheiro”, que insiste em um Brasil maravilha e uma presidente tranquila e equilibrada. O marqueteiro petista, João Santana, está na cadeia, mas deixou seguidores…

Cada uma…

Campanha nacional antirrábica aconteceu sábado (2), mas faixa com logotipo da Prefeitura de Santos e do Sistema Único de Saúde (SUS), colocada na esquina da avenida Conselheiro Nébias com Epitácio Pessoa,  lembra aos donos para vacinarem seus cães em … agosto. É piada ou é sério mesmo?
 
Analista político prevê muitas dificuldades para os brasileiros
Independente do desfecho do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o Brasil vai enfrentar um cenário de muitas dificuldades nos próximos dois anos. A previsão é do advogado e analista político Ronaldo Serápicos, que participou do programa “Jornal da Orla na TV” desta semana. 
 
“Vamos ter um governo paralisado nos próximos dois anos e meio, o brasileiro tem que estar preparado para isso. Independente do que vai acontecer, vamos sofrer um grande arrocho: perda de empregos, diminuição de nível salarial e, com certeza, aumento de impostos. As pessoas precisam se preparar para isso. Não há solução milagrosa”, argumenta.
 
Serápicos vê duas possibilidades de “desenrolar” a crise: o impeachment ou cassação da chapa pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Mas, segundo ele, não é difícil que o governo consiga impedir a cassação. “Quem não acredita que existem 172 deputados que aceitem barganhar?”. Além disso, ele alerta que o julgamento das contas da campanha eleitoral não será rápido. “A chance de o TSE fazer o julgamento antes do fim do mandato é pequena”.
 
Para ele, a solução “menos traumática” seria a renúncia da presidente, assumindo o vice, para, dentro de uma coalizão, levar o país até as próximas eleições. “Mas a gente viu que a presidente não tem predisposição para este gesto de grandeza”.