
O coronel Adilson Moreira, chefe da Força Nacional de Segurança Pública, pediu demissão do cargo por considerar que o governo, incluindo a presidente Dilma Rousseff, não “tem escrúpulos”. É a Força Nacional que vai garantir a segurança dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. O governo, por intermédio do Ministério da Justiça, estuda a possibilidade de aplicar uma punição ao coronel.
Em mensagem a seus subordinados, o coronel Moreira diz que “minha família exigiu minha saída, pois não precisa ser muito inteligente para saber que estamos sendo conduzidos por um grupo sem escrúpulos, incluindo aí a presidente da República. Me sinto cada vez mais envergonhado”. O coronel afirma que estava vivendo um conflito ético de servir a um governo que não está interessado no bem do país, mas em se manter no poder a qualquer preço.
Vale-tudo
A divulgação da carta do coronel, encaminhada a seus subordinados, é mais um ingrediente negativo para Dilma, que luta desesperadamente para impedir a aprovação de um processo de impeachment na Câmara dos Deputados. O PMDB, principal partido de sustentação do governo e que tem o vice-presidente Michel Temer, já abandonou o barco e outros partidos menores avaliam se vale a pena continuar na base governista.
O governo tenta evitar o impeachment loteando ministérios e cargos que eram do PMDB para partidos com menor número de parlamentares. O vale-tudo deslavado é a última tentativa de Dilma de salvar o mandato. Analistas políticos entendem que a possibilidade de o impeachment ser aprovado é grande, mas não descartam que o governo pode se salvar por pequena margem com a farta distribuição de cargos.
A questão é: mesmo que consiga evitar o impeachment como Dilma vai governar sem maioria no Congresso?
Atos em defesa do governo

Na quinta-feira, milhares de pessoas foram às ruas em diversas cidades brasileiras e até do exterior para defender o governo e dizer que não haverá golpe – como eles classificam um eventual impeachment de Dilma.
No Rio de Janeiro, diversos artistas fizeram discurso em defesa do governo petista, entre eles o cantor e compositor Chico Buarque. As manifestações foram organizadas por centrais sindicais e movimentos populares.
Fausto Figueira na Agência Nacional de Saúde
O médico santista Fausto Figueira foi indicado pela presidente Dilma Rousseff para assumir um cargo de diretor da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), órgão vinculado ao Ministério da Saúde. Como determina a legislação, o nome de Figueira terá de ser aprovado pelo Senado Federal.
Ex-vereador e ex-deputado estadual, Figueira foi também assessor especial do Ministério da Saúde no período em que a pasta foi comandada pelo também médico santista Artur Chioro.
Para Alcindo, Temer está “com a mão na taça”


Mesmo que consiga evitar o impeachment, a presidente Dilma Rousseff (PT) não terá condições de governar. A avaliação foi feita pelo cientista político Alcindo Gonçalves, em entrevista no programa “Jornal da Orla na TV”. “É quase impossível imaginar que se recomponha minimamente a condição de governabilidade do país”, argumenta.
Alcindo acrescenta que, para tentar obter os votos necessários que evitem seu afastamento, Dilma apelou para o fisiologismo. “A ‘repactuação do governo’ é, na verdade, a abertura do balcão de negócios, oferta de cargos e verbas”.
Para ele, Michel Temer e o PMDB estão “com a mão na taça”. Mas Alcindo alerta: “O governo Temer não é o que se espera. A meta dele é fazer um governo de transição, um certo acordão”.
O cientista político admite que o embasamento legal do pedido de impeachment pode ser questionado e o julgamento será político. “Se assim não fosse, não seria decidido pelo Congresso, mas pelo Supremo Tribunal Federal”.



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