
Flagrado com depósitos milionários na Suiça, protagonista de episódios nebulosos na Telerj e na Companhia de Habitação do Rio, acusado de participar do “Esquema PC Farias” na era Collor. A trajetória do presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB), se destaca pela sua capacidade de se envolver em negócios prá lá de suspeitos. Mais um apareceu esta semana, revelado pelo jornal Estado de S. Paulo, relativo a um contrato de arrendamento no Porto de Santos.
Cunha conseguiu emplacar uma emenda na Medida Provisória que estabeleceu novas regras na gestão dos portos brasileiros. Com a mudança proposta por ele, empresas inadimplentes com a União poderiam participar dos processos de arrendamento – o que a MP até então proibia. Na prática, esta modificação teria beneficiado apenas uma empresa: a Libra.
Por uma destas coincidências do destino, os proprietários da Libra fizeram doações oficiais ao Diretório Nacional do PMDB (o partido de Cunha), que totalizaram R$ 1 milhão.
Contrato “inexequível”
O contrato de arrendamento da Libra no Porto de Santos dá o que falar desde que foi assinado, em 1998, quando o ministro dos Transportes era Eliseu Padilha, que é ligado ao vice-presidente do Brasil, Michel Temer.
A Libra ganhou a concorrência ao oferecer o menor preço para operar áreas nos terminais 35 a 37. A segunda colocada contestou, argumentando que a proposta era inexequível, isto é, impossível de ser cumprida. Seria como prometer levar um passageiro de carro até São Paulo cobrando um valor que não daria nem para colocar metade do combustível necessário para a viagem.
Além de ganhar, a Libra passou a contestar as taxas cobradas pela Codesp, alegando que recebeu menos áreas do que as prometidas no contrato. O caso foi parar na Justiça. Segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários, a dívida da Libra, em valores corrigidos, seria de quase R$ 850 milhões.
Mudança na regra com o jogo em andamento
Por causa da pendenga judicial, a Libra não poderia renovar o seu contrato de arrendamento. Aí que surge Eduardo Cunha e sua emenda. Ele sugeriu que, em vez de esperar uma decisão da Justiça, se chegasse a um acordo por intermédio de uma arbitragem não -judicial.
E quem, representando o governo federal, formalizou esta mudança, em 2014, foi o então ministro dos Portos, Edinho Araújo, um ex-prefeito de São José do Rio Preto (cidade 600 quilômetros distante do porto mais próximo), bastante ligado a… Michel Temer.
Ao justificar, Edinho Araújo disse que a ideia era dar “celeridade” aos processos de arrendamento. E disse que é a arbitragem não-judicial (um mediador escolhido em comum acordo entre as partes) quem vai decidir “quem deve quanto a quem”.
O contribuinte brasileiro deve imaginar para quem vai sobrar esta conta…
Patrocínio polêmico
A confirmação de que a Libra é a empresa patrocinadora do desfile da Grande Rio, que vai homenagear Santos, continua dando o que falar. O vereador Evaldo Stanislau (Rede) já avisou que vai abordar o episódio assim que acabar o recesso da Câmara de Santos. “Pode ser ‘legal’, do ponto de vista das Leis, mas ‘não é legal’ sob o ponto de vista moral e do evidente conflito de interesses existente”, disse.
Mecenas carnavalescos
Não é a primeira vez que o Grupo Libra patrocina um desfile da Grande Rio. Ele financiou, um valor não declarado, a escola em 2013, quando o tema foi importância dos royalties do petróleo para a economia e o meio ambiente fluminenses.
Em 2014, o tema da Grande Rio foi a cidade de Maricá, terra-natal da cantora Maysa. Que pagou a conta (R$ 4 milhões) foi a prefeitura, do prefeito Washington Siqueira, o Quaquá, do PT.
Sem mistério
Já o patrocínio do Baile da Cidade não teve mistério. A Prefeitura divulgou que o Terminal ADM vai custear os R$ 500 mil necessários para a contratação do show de Lulu Santos e da empresa organizadora do evento, a Atrium. Os R$ 528 mil arrecadados com a venda dos 1,6 ingressos serão usados para a construção do segundo restaurante popular na Zona Noroeste. O equipamento funcionará ao lado do Instituto Arte no Dique e terá capacidade para servir 1.200 refeições no café da manhã e outras 1.200 no almoço.
Taylor é do DEM!

A nota publicada no Jornal da Orla de sábado (2), sobre a pré-candidatura do advogado Taylor Matos à Prefeitura de Santos, está repleta de erros. Ele não é do Partido da Pátria Livre (PPL), mas do DEM, do qual é presidente do Diretório Municipal.
As disputas entre Taylor e o atual prefeito, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) ocorreram no Diretório Acadêmico da Unimes, e não no da UniSantos. E, ao contrário do que foi publicado, quem levou a melhor foi Taylor.
Embora tenha vários amigos no PPL, o ex-secretário de Cultura, Carlos Pinto, não está filiado ao partido. “Atualmente não estou filiado a nenhuma legenda, o que poderá ocorrer em breve. Com relação ao PPL, estou trabalhando no sentido de que venham conosco na próxima eleição”, explicou.
Além de Taylor, o DEM está otimista quanto à vitória de lideranças do partido como os vereadores Douglas Gonçalves e Kenny Mendes.



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