
O deputado federal Beto Mansur (PR) ganhou destaque nacional esta semana por duas situações um tanto, digamos, complicadas.
A primeira foi a denúncia do site “Congresso em Foco”, de que ele teria gasto pelo menos R$ 100 mil de sua cota parlamentar com pareceres jurídicos que, na verdade, seriam cópias de textos já publicados na internet. O advogado contratado por Mansur teria praticado o famigerado “Copia e Cola”. Além disso, segundo o “Congresso em Foco”, nenhum trabalho parlamentar foi feito com base nas “pesquisas”.
O segundo enrosco de Mansur foi a sua indicação para ser o relator do pedido de afastamento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), deixando o ex-prefeito de Santos sob dupla pressão. De um lado, os colegas, a imprensa e a sociedade, diante dos diversos indícios contra Cunha; do outro, o próprio presidente da Câmara, com quem mantém estreita relação.
“Nada de errado”
Questionado sobre as duas situações, Mansur procurou desmerecer a denúncia do “Congresso em Foco” e dizer que fará a relatoria da denúncia com a maior tranquilidade.
“Este escritório de advocacia me assessora há muitos anos. E não utilizo apenas para fazer pareceres, mas para fazer pesquisas para eu poder formar minha opinião. Às vezes, eu mesmo mando pesquisar na internet”, disse. “Isso (a denúncia) é a maior besteira. Não tem nenhuma coisa errada”.
“Não vou julgar o mérito”
Em relação à relatoria, Mansur afirmou que foram publicadas muitas matérias erradas na imprensa. “Muito jornalista fez copia e cola”, ironizou. O deputado argumentou que sua função, enquanto relator, é apenas avaliar se a denúncia tem os requisitos necessários para seguir adiante. “Não vou julgar o mérito, quem fará isso é o corregedor”.
Perguntado sobre a situação de Cunha, Beto Mansur mais uma vez disse que não é o caso do presidente da Câmara deixar o cargo. “Ninguém teve acesso ainda aos dados oficiais. A gente tem que ir com calma. Se não, começa a atropelar a democracia. Depois, o cara tem o direito de se defender”, declarou. “Agora, se ele for culpado, ele tem que pagar. Mas tem que ser julgado”.
Demissões na Usiminas
Beto Mansur demonstrou preocupação com a demissão de 5 mil funcionários da Usiminas. “Além do problema destas 5 mil pessoas, vai acabar acontecendo uma reação em cadeia, pois vai afetar diversas outras empresas”, avaliou. O deputado anunciou que conseguiu agendar uma reunião com o ministro da Indústria e Comércio, Armando Monteiro, para falar sobre o assunto e buscou contato com o governador Geraldo Alckmin. “Também precisamos sentar com a empresa, para sentir os anseios dela”, afirmou.



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