
Em entrevista ao programa Jornal da Orla na TV, o vereador pelo PT de Santos, Evaldo Stanislau, reconhece que seu partido cometeu erros e equívocos, principalmente no campo ético, mas, de outro lado, garantiu conquistas sociais importantes para o país. “Talvez a refundação do PT seja um caminho”, diz ele. Em relação à política local, ele faz críticas ao prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) e diz que o PT deve apoiar um candidato de oposição nas eleições municipais do ano que vem. Veja abaixo os principais trechos da entrevista:
O país vive uma grave crise, econômica e política, agora agravado pelo fato de o país ter perdido o selo de bom pagador pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s. Como o senhor vê essa situação toda e, principalmente, a situação do seu partido, o PT?
Evaldo Stanislau – Evidente que o cidadão brasileiro tem sentido na pele o reflexo dessa crise. Eu acho que nós temos que analisar o que já foi feito e do que tem que ser preservado. Nós temos que reconhecer que o Brasil hoje é um país diferente. Nós avançamos muito, diminuímos a desigualdade social, avançamos em questões relacionadas a acesso, a educação. Temos hoje uma política habitacional e o que nós temos que lutar é para preservar essas conquistas e esses avanços. Então essa é uma das tarefas que eu acho que é suprapartidária e isso já virou um legado da nação. Por outro aspecto também é inegável que isso custou muito caro e, hoje, o Brasil lutou arduamente para se manter produtivo, economicamente forte durante uma grande crise que nós vamos enfrentando globalmente. Os ajustes que seriam necessários, lamentavelmente, coincidiram com o ano eleitoral e eu acho que esse foi o grande pecado.
Existe uma forte reação de amplos setores da sociedade contra o PT, que beira quase ao ódio. O senhor acha que essas críticas, essa raiva, são injustas?
Evaldo – Eu acho que elas são justas e injustas, depende para quem se direciona. Eu sou um filiado ao Partido dos Trabalhadores há muito tempo, num primeiro mandato. Tenho outros companheiros que estão na mesma situação e que eu acho que eu, como tantos outros, não somos merecedores dessas críticas e muita gente percebe isso porque é recorrente você conversar com um ou outro e ouvir: “Poxa, gosto de você, apesar do PT”. Então as pessoas, de certa forma, diferenciam. Ela é justa quando nós pensamos que existe um certo núcleo do poder, inclusive partidário, que de fato se equivocou, fez coisas que hoje são reconhecidamente inadequadas e, sobretudo, talvez a palavra seja soberba. Teve uma soberba política e hoje o que acontece? Nós somos todos reféns desse contexto. Um partido que, lamentavelmente, perdeu a conexão com as suas bases, se enfraqueceu do ponto de vista ético e moral, tem lideranças questionadas e a maioria dos filiados e militantes, que não têm nada com essa confusão, sofre essa pecha de que fica todo mundo marginalizado. O PT hoje, como marca e figura, tem um passado lindo, a possiblidade de se recompor, mas eu acho que tem que se recompor de outra maneira. Talvez a refundação do PT, como alguns defendem, seja um caminho.
A direção do Partido dos Trabalhadores prometeu expulsar aqueles filiados que estivessem envolvidos com bandalheiras. O José Dirceu voltou para a prisão pela segunda vez, por corrupção, e não foi expulso…
Evaldo – Ao mesmo tempo em que ele não foi expulso há essa percepção clara de que grande parte do partido já não se sente ligada ou, de certa forma, afeiçoada ou de qualquer maneira que tenha uma relação com o Zé Dirceu. Ele tem um papel histórico e cumpriu esse papel histórico, mas depois as coisas vêm se mostrando. Ele entrou em um caminho que para todos nós foi uma decepção. De fato, do ponto de vista moral é muito complicada a situação. Não tem mais o que fazer, eu acho que algumas situações, como lamentavelmente essa do Zé Dirceu, são indefensáveis.
Já abordamos aqui a situação do PT em nível nacional, mas e em nível local? Nenhum dos filiados do PT está envolvido, felizmente, em qualquer tipo de bandalheira. Como fica o PT em Santos? O PT pretende lançar candidato à Prefeitura de Santos no ano que vem?
Evaldo – Existe um grupo de trabalho eleitoral que está sendo constituído, o diretório estadual vem conversando, tem sido feitas várias rodadas de conversação dentro e fora do Partido dos Trabalhadores. Essa é uma questão que nós precisamos reafirmar. O diretório municipal do PT em Santos é um diretório ilibado, que não tem de fato nenhuma acusação, de pessoas que tem uma contribuição política histórica não só para Santos, mas para todo o Brasil, como a prefeita Telma, o antigo prefeito David Capistrano, a deputada Maria Lúcia Prandi e tantos outros expoentes.
São pessoas do bem, pode-se gostar ou não, mas são pessoas do bem.
Evaldo – E que estamos todos tragados por essa crise política. Fica difícil realmente. A cidade de Santos hoje é uma cidade com outro perfil social, outro perfil demográfico e a única maneira de nos recompormos é reafirmando esses princípios de fazer política limpa, com finalidade de ajudar o cidadão, de reforçar a cidadania e a participação popular. Eu acho complicado que nós consigamos, nesse cenário atual da nossa cidade, ter uma candidatura própria que tenha sucesso. Isso tem que ser almejado, mas eu acho que muito mais do que o desejo, a partir de agora, é uma construção que não necessariamente vai ser para esse pleito.
O senhor é um dos poucos vereadores na Câmara que faz oposição ao prefeito Paulo Alexandre. Como o senhor avalia a administração do Paulo Alexandre? Onde o senhor acha que ele acertou e onde precisa corrigir e melhorar?
Evaldo – Eu acho que ninguém se elege querendo errar, todo mundo elege com boas intenções. A oposição que eu tenho feito é uma oposição de reconhecer o que é bom e criticar o que é errado. Eu vou me ater, por exemplo, na área da saúde que é a minha área mais próxima. Na saúde, o que nós observamos, é que houve a inteligência de se aproximar dos programas federais e se capitanear a rede de urgência/emergência, reforma de unidade de saúde e tal. Entretanto, na execução de obras, ele tem pecado, na qualidade dos serviços, ele tem pecado e, sobretudo, nessa política de terceirizar uma área que é tão nobre quanto a saúde, que é uma finalidade do Estado. Então, eu acho que há uma perspectiva com a inauguração do Hospital dos Estivadores, que esperamos que ocorra. Com a inauguração de obras, mas que vem muito lenta e o momento atual é ruim. Se eu tivesse que dar uma nota para o prefeito Paulo Alexandre, eu acho que ele seria reprovado, a nota dele está abaixo de 5. Em várias áreas nós temos críticas para fazer. Por outro lado, nós temos que reconhecer que algumas situações pontuais, como, por exemplo, mobilidade há alguns acertos e o cidadão percebe isso. Entretanto, é um prefeito que prometia inovar e avançar, mas que tem um jeito de fazer política muito à moda antiga, de conchavos, acordos, obras que não andam e a qualidade dos serviços, de uma maneira geral, tem sido muito ruim. Portanto, fica muito a desejar.
O senhor e o PT devem apoiar algum candidato de oposição?
Evaldo – Com certeza. Construção política que é feita é para trazer uma alternativa que não seja simplesmente crítica, mas uma alternativa propositiva. A minha vontade pessoal é de apoiar um candidato que tenha esse perfil propositivo. Eu vejo que existe muita articulação política na cidade para tanto, acho que o Partido dos Trabalhadores deverá ir por esse caminho. Nós temos que sair um pouco do caminho político partidário e ficar mais no campo ideológico. Aquelas pessoas que têm o compromisso de fazer política voltada para o cidadão e com honestidade, elas têm que estar juntas. Eu, hoje, estou muito decepcionado com a estrutura partidária. Eu acho que nós temos que ter alianças que sejam ideológicas e a minha ideologia é de buscar as pessoas que queiram buscar o cidadão, que queiram se servir como agentes da política. E não ao contrário, fazer a política de servir aos seus interesses pessoais.
Confira a entrevista completa no Jornal da Orla na TV:



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