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Temos de trabalhar mais para vencer a crise, diz Barbosa

16/05/2015 Jornal da Orla
Temos de trabalhar mais para vencer a crise, diz Barbosa | Jornal da Orla
Em entrevista ao Jornal da Orla na TV, o prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa, reconhece que a crise econômica afeta as finanças do município e afirma que é preciso trabalhar em dobro para superar o momento adverso. Ele destacou a importância das parcerias com os governos estadual e federal e disse que, em breve, a área de saúde, alvo de muitas críticas, vai apresentar melhora significativa. Veja abaixo, os principais trechos da entrevista:
 
O Brasil vive hoje a maior crise econômica dos últimos 30 anos. Isso tem reflexo não apenas no dia a dia do cidadão, mas também nas finanças da cidade. Muitas obras correm o risco de não serem executadas, como o planejado, entre elas, a entrada de Santos, que é tão importante não apenas para a região, mas para o país. O projeto Santos Novos Tempos também está em situação complicada. O que é possível fazer, prefeito? 
Paulo Alexandre Barbosa –  Nós temos um cenário de uma crise no país que é reflexo de uma série de medidas que foram adotadas anteriormente. Medidas equivocadas e que estão gerando reflexos negativos na economia. O país não cresce, ao contrário, nós temos alguns setores onde há uma diminuição de crescimento bastante significativo. Logicamente, essa política econômica do Brasil acaba afetando todos os municípios, todos os estados e municípios. E Santos não foge a essa regra.

Qual a solução?
Paulo Alexandre – Nós temos trabalhado para minimizar esses impactos dentro da realidade da cidade, mas é importante frisar que eles existem porque na medida em que a economia não vai bem, a questão de arrecadação de impostos, as receitas do município acabam sendo impactadas. Principalmente em um município como o nosso que tem o porto como uma grande mola propulsora do desenvolvimento econômico da cidade. O que o município tem feito, o que nós temos feito à frente da prefeitura é tomar medidas severas na questão do ajuste das contas, das economias que devem ser feitas justamente para que nós possamos ter os recursos necessários para fazer os investimentos que a população espera e que o governo se compromete com a sociedade. Então isso vem sendo feito e nós não temos até o momento o comprometimento de obras. Temos talvez o alongamento do fluxo do cronograma, ampliando o prazo de execução de algumas obras para que nós possamos honrar os compromissos. 

As parcerias são importantes nesse momento?
Paulo Alexandre –  Nós temos muitas parcerias que foram viabilizadas com os governos estadual e federal. A nossa expectativa é que esses entes da federação honrem os compromissos assumidos com a cidade de Santos. Nós estamos tomando medidas importantes, como a questão da entrada de Santos, nós temos uma parceria com o Estado e com a União para a execução dessas obras. A prefeitura ficará responsável por uma parte dessas obras. Nós temos um contrato de financiamento já assinado, recebemos o ministro Kassab que nos deu garantias de que não haverá cortes no repasse de recursos, que não haverá comprometimento em relação a essa obra. A nossa expectativa, como nós estamos numa fase de conclusão do licenciamento ambiental, a licitação sendo desenvolvida, ou seja, ainda não há desembolso de recurso, nós esperamos que isso possa acontecer no final deste ano ou no começo do próximo. Até lá, nós esperamos que a economia possa retomar o seu fôlego.

Nessas parcerias, a prefeitura entra com uma parte, o Estado com uma e o Governo Federal com outra. Nessas obras principais que foram anunciadas, a prefeitura tem os recursos da sua parte?
Paulo Alexandre – A parte que compete à prefeitura, nós temos todos os recursos até porque se não tivéssemos, nós não conseguiríamos obter o financiamento para essas obras. No caso da entrada da cidade, há um contrato de financiamento assinado e o recurso disponível na ordem de R$ 290 milhões, então a obra será feita. Só que a parte da prefeitura é uma parte, entre três partes. que envolvem o Estado e a União. Nós queremos que a obra seja executada concomitantemente, por isso o nosso diálogo permanente. Nós tivemos o episódio do incêndio da Alemoa em que nós fomos obrigados a restringir o acesso de caminhões ao Porto de Santos. O acesso ao porto ficou travado. Isso não é admissível do ponto de vista logístico por ser um grande gargalo e é importante que todos os entes da federação tenham a clareza de que essa é uma obra importante, não só para Santos, mas uma obra importante para o país..

Com relação ao projeto Santos Novos Tempos, que é fundamental para acabar com as enchentes da Zona Noroeste e que foi anunciado. Como está esse projeto? Ele corre risco?
Paulo Alexandre – O programa Santos Novos Tempos é um programa de longo prazo e que tem diversas etapas. Nós tivemos a satisfação de no primeiro ano de governo dar início as primeiras obras do Santos Novos Tempos. Até então, nós tínhamos projetos sendo elaborados, mas obras de macrodrenagem e drenagem ainda não haviam sido iniciadas. Nós tivemos a oportunidade de iniciar esse processo, começamos a primeira etapa de obras na Haroldo de Camargo com toda a parte de drenagem, macrodrenagem e o canal. Essa etapa está em um estágio mais adiantado, diria que até o final do ano nós conseguimos concluir a etapa. O Santos Novos Tempos conta com o dinheiro do Banco Mundial, da prefeitura, do Estado e também do governo federal. Foram necessários ajustes no projeto porque são obras de grande complexidade.. É um solo muito sensível, principalmente o da Zona Noroeste, e nós temos que ter a todo o momento novas alternativas, novas soluções para que a obra possa avançar. Mas a obra está em execução e ela vai continuar.

Outra questão que preocupa os santistas é a saúde. Temos muitas reclamações nessa área…
Paulo Alexandre – A saúde é um desafio no Brasil inteiro. Nós temos aí a tabela do SUS que não é reajustada há muito tempo e isso acaba refletindo em todos os municípios, não há como fugir a essa regra. Nós temos buscado na rede pública de Santos a qualificação dos atendimentos, por meio de novas instalações. Estamos com 10 novas policlínicas em obras e já inauguramos algumas policlínicas reformadas e ampliadas como é o caso do Monte Serrat, que não tinha uma unidade de saúde e hoje tem. Também temos a nova unidade do Gonzaga, a nova unidade que também foi reformada no Marapé e mais outras 10 unidades que estão sendo construídas por toda a cidade. Então eu diria que o investimento que nós estamos fazendo em saúde, com essas 10 novas policlínicas que serão entregues, as três UPAs Unidade de Pronto Atendimento) e o Hospital dos Estivadores, é o maior investimento na infraestrutura da saúde de Santos nos últimos 30 anos, seguramente.

Então, muito em breve, a população de Santos vai sentir que o atendimento vai melhorar…
Paulo Alexandre – Vai melhorar e esse é o desafio que nós temos. É importante destacar as parcerias com o Estado e a União para que isso possa acontecer. O trabalho está sendo feito nessa direção.Também vamos lançar mão de novos instrumentos de gestão, através das organizações sociais. É um sistema de administração já avaliado com comprovada qualidade e uma série de áreas aqui mesmo em Santos. O AME de Santos, que é um dos melhores equipamentos para avaliação por parte da população, é gerido por uma organização social. O tradicional Museu do Café também é gerido por uma organização social. 

E o que fazer para espantar a crise e Santos continuar avançando?
Paulo Alexandre – Diante da crise, mais trabalho para que nós possamos alcançar os bons resultados que a população espera.

Confira o vídeo da entrevista no Jornal da Orla na TV:
http://www.jornaldaorla.com.br/videos/511-paulo-alexandre-barbosa-fala-sobre-a-crise-no-brasil-e-o-reflexo-dela-na-cidade/