Cena

Demissão de Rômulo Mendonça mostra: ninguém deve estar acima das regras

20/07/2026 Gustavo Klein
Divulgação/Amazon Prime Video

Rômulo Mendonça é, sem dúvida, um dos melhores narradores de basquete do Brasil. Seu estilo irreverente ajudou a renovar a linguagem das transmissões esportivas e conquistou uma legião de fãs. Justamente por isso, sua saída do Prime Video provoca frustração. Não pela decisão da empresa, mas pela sensação de que um profissional tão talentoso colocou a própria carreira em risco por ultrapassar um limite que deveria conhecer muito bem.

Depois de debochar, ao lado do comentarista Ricardo Bulgarelli, de uma colega de trabalho em um podcast, a dupla foi afastada das transmissões das finais da NBA enquanto a Amazon conduzia uma investigação interna. Dias depois, a empresa confirmou o encerramento do vínculo com ambos.

Agora, Rômulo afirma que a paródia foi um “desabafo”, reclama de não ter sido ouvido durante o processo e questiona o fato de o contrato ter sido encerrado sem justa causa. Tem todo o direito de expor sua versão dos acontecimentos. O problema é que ela não altera o ponto central da discussão.

Empresas têm regras. E elas existem justamente para proteger o ambiente de trabalho, a imagem da organização e as relações entre seus profissionais. Quando alguém decide atuar em nome de uma marca, aceita também seus limites. Isso vale para um estagiário, para um diretor e também para um narrador consagrado.

A Amazon havia suspendido a dupla, investigou o episódio e concluiu que a permanência deles não era mais compatível com seus padrões de conduta. Empresas privadas fazem esse tipo de avaliação todos os dias.

O próprio Rômulo construiu sua carreira cultivando a imagem de um profissional independente, irreverente e pouco afeito a convenções. Essa autenticidade é parte de seu sucesso. Mas independência tem um preço. Se alguém deseja falar o que pensa sem prestar contas a ninguém, talvez o caminho seja trabalhar exclusivamente em projetos próprios, onde as regras sejam definidas por ele mesmo. Enquanto representa uma empresa, porém, a lógica muda. A liberdade de expressão continua existindo, mas convive com responsabilidade profissional, códigos internos e consequências.

O talento de Rômulo Mendonça permanece intacto. Mas no ambiente corporativo, reputação também se constrói pelo respeito aos colegas e aos limites que cada organização estabelece. Nesse episódio, foi justamente isso que faltou.