
Com a presença do ministro dos Transportes, George Santoro, e do presidente da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Theo Sampaio, a concessionária MRS Logística inaugurou, nesta terça-feira (30), o Centro de Controle Operacional Integrado (CCOI) no Porto de Santos. É a conclusão de uma série de investimentos na Baixada Santista, previstos no contrato de concessão e que totalizam R$ 2 bilhões em quatro anos.
A partir do centro de controle, as empresas MRS, Rumo, VLI e Ferrovia Interna do Porto de Santos (FIPS) vão atuar de maneira integrada no planejamento e controle das operações. “A integração promoverá uma comunicação otimizada, organização aprimorada e um fluxo de trens sincronizado. A equipe é formada por 45 profissionais: 20 da MRS, 15 da FIPS, sete da Rumo e três da VLI”, explica Guilherme Segalla de Mello, presidente da MRS.
De acordo com o dirigente, os recursos investidos na região geraram aproximadamente 2 mil empregos diretos e indiretos. Dentre as obras destacadas estão: implantação de seis novos pátios ferroviários (Prainha, Jurubatuba, Quilombo, Areais, Campo Grande e Fase 01 do pátio de Santos), modernização da via permanente, incluindo substituição de mais de 90 km, preparação da malha ferroviária para a circulação de trens mais longos, com até 2.400 metros de comprimento (120 a 140 vagões; o limite era 1.500 metros), além de obras de infraestrutura, como o viaduto de Cubatão e a construção de passarelas para pedestres em Santos e Guarujá. As obras fazem parte do Plano de Investimentos para a renovação da concessão da empresa, aprovado pelo Ministério dos Transportes e pela ANTT.
“As obras vão simplificar e melhorar o convívio dos centros urbanos com as ferrovias. Acho que a gente vai ter uma capacidade de entrega muito maior e uma capacidade de tempo de resposta como nunca vimos antes. No CCOI, a gente vai conseguir despachar trens com muito mais eficiência, permitindo que eles fiquem parados por menos tempo em locais onde a gente sabe que gera conflito, inclusive com as cidades, além de ter uma interligação muito próxima com a coordenação de despachos de navios”, afirma Guilherme Segalla.

O ministro George Santoro ressaltou a importância das empresas investirem na solução de conflitos urbanos, além de garantir a organização das operações. Destacou, ainda, o baixo percentual (cerca de 20%) nacional de transporte ferroviário. “Países de dimensão continental como o nosso – Canadá e Estados Unidos – têm quase o dobro disso. A gente tem que trabalhar forte. Aqui em Santos a gente tem que conseguir passar o máximo de trens. Quando une VLI, MRS, Rumo e a FIPS, todo mundo trabalhando no mesmo local, no mesmo prédio, e tomando as decisões, eu não tenho dúvidas de que a gente vai melhorar muito esse fluxo logístico na saída e na chegada ao Porto”, afirma.
NOVOS PROJETOS
De acordo com o diretor da ANTT, Guilherme Theo, a Baixada tem três grandes projetos, em três malhas ferroviárias distintas. “O da MRS, as obras da Rumo, que têm sido feitas continuamente e justamente integrando a malha ferroviária aqui da MRS, e a própria renovação da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), que é com o Tribunal de Contas da União (TCU). A perspectiva nossa é de que, até o final deste segundo semestre, nós tenhamos o termo aditivo assinado, que vai trazer ainda mais produtividade e eficiência para a região. A FCA é controlada pela VLI. É uma malha que pega oito estados, dentre eles São Paulo, pelo Porto de Santos. Então, está num processo avançado e vamos mandar para o TCU”.
O ministro George Santoro destaca o trabalho da ANTT: “Não só está com a maior carteira de rodovias do mundo, mas com a maior carteira de ferrovias. Já tem quatro projetos no TCU, em breve vai ter decisões para publicar os editais e tem mais quatro para ser encaminhado ainda. Muita gente está ansiosa perguntando se vai fazer os leilões? Os leilões vão acontecer, se não for todos esse ano, vão acontecendo ao longo do ano que vem”, garante.
TREM DEMORADO
Durante a inauguração do CCO da MRS, chegou ao pátio um bem arrumado trem de passageiros, com poltronas confortáveis e vagões com restaurantes. Porém, como confirmou o diretor da ANTT, era apenas para exposição.
“Há um trabalho do Ministério dos Transportes e, assim que nós recebermos esses estudos, vamos dar a maior prioridade para buscar formas, seja regulatória, contratual e financeira, para isso tornar realidade, retomar aquele desejo antigo, para que ele se efetive. Esse que está aqui hoje (terça) é mais uma exposição, uma amostra do que pode acontecer em breve”, afirma Guilherme Tel Sampaio. Perguntado sobre quando será esse “em breve”, ele afirma que não há como prever.
Já Guilherme Segalla de Mello ressalta a necessidade de pensar com cuidado a questão e cita incompatibilidades inerentes a questões técnicas e operacionais. “A gente sempre olha com carinho as solicitações de trem de passageiros. Mas com a confluência da quantidade de trens que a gente tem aqui – são oito linhas de chegada no Porto de Santos – é muito difícil ter essa compatibilização. Um trem nosso de carga, em geral é longo (2.400 metros), pesado e lento. O trem de passageiro é um carro de alumínio, leve, curto e rápido. Então. ninguém vai querer ficar oito, dez horas no trem para vencer uma distância rodoviária que a gente faz em uma ou duas horas”.
Para ele, é preciso trabalhar muito em como promover a segregação cargas e passageiros. “São Paulo vai permitir o trem intercidades, ter uma viagem até Campinas em uma hora. O Governo do Estado tem ambições para outras cidades, incluindo a Baixada Santista. Mas é preciso investir na boa técnica e na engenharia ferroviária. A gente está sempre discutindo melhorias”, diz.


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