
A Escola Radical de Santos prepara uma celebração especial para marcar seus 35 anos de atuação. No próximo sábado (27), alunos, ex-alunos e convidados participarão de uma programação comemorativa na Praia da Pompeia, em frente à sede da instituição, considerada a primeira escola pública de surfe do Brasil.
As atividades começam às 8h, com apresentações culturais, e terão como ponto alto uma sessão coletiva de surfe prevista para as 9h30. Entre os participantes estará a surfista portuguesa Marta Paço, referência mundial no surfe adaptado para pessoas com deficiência visual.
Após as atividades no mar, os presentes participarão de um café da manhã e de uma cerimônia junto à estátua de Osmar Gonçalves, um dos pioneiros do surfe brasileiro.
Ligada à Secretaria Municipal de Esportes (Semes), a Escola Radical iniciou suas atividades em 1991 oferecendo aulas de surfe e bodyboard. Atualmente, atende 540 participantes, dos quais cerca de 300 têm mais de 50 anos. Instalada no Posto de Salvamento 2, a escola desenvolve ações voltadas a diferentes públicos, incluindo crianças, idosos e pessoas com deficiência.
A trajetória da instituição está diretamente ligada ao trabalho do educador e surfista Cisco Araña, que coordena o projeto desde sua fundação. Ao relembrar sua história na escola, ele destacou a importância da iniciativa em sua vida.
“Tenho 69 anos, metade da minha vida foi dedicada aqui. Depois da minha filha e do surfe competitivo, é o maior orgulho da minha vida”, afirmou.
Ao longo das últimas décadas, a Escola Radical acumulou reconhecimentos nacionais e internacionais. Entre eles estão premiações concedidas pela rede World Surf Cities pelos projetos voltados à inclusão, além do prêmio Aloha, da International Surfing Therapy.
Cisco ressaltou que o projeto ultrapassou o âmbito esportivo e se consolidou como um símbolo da cidade.
“A escola é tombada, patrimônio da Cidade, recebeu prêmios internacionais. É incrível ver tudo isso que construímos. Temos a primeira escola pública do País, que segue firme após 35 anos, e também a única escola de surfe adaptado do mundo”, declarou.
Em janeiro de 2025, a Escola Radical e a Escola de Surfe Adaptado foram reconhecidas oficialmente como Patrimônio Imaterial e Cultural de Santos. O título foi concedido por meio de legislação municipal.
O coordenador também destacou o caráter gratuito das atividades e o impacto social do projeto.
“Tudo é gratuito, graças à parceria público-privada com a Blue Med. Temos um forte trabalho de inclusão. A escola gera empregos, gera felicidade, gera saúde”, disse.
Entre as iniciativas que ganharam projeção internacional está o desenvolvimento de uma prancha adaptada para surfistas com deficiência visual. A ideia surgiu a partir da experiência com Val, o primeiro aluno cego atendido pela escola, e deu origem ao projeto Sonhando Sobre as Ondas, que completa duas décadas de atuação promovendo o surfe inclusivo em diferentes países.
Até o momento, 96 pranchas adaptadas foram distribuídas em diversas regiões do mundo, incluindo a Europa. Uma delas chegou ao Surf Clube Viana do Castelo, em Portugal, onde Marta Paço iniciou sua trajetória na modalidade.
“A Marta virá porque faz parte do Surf Clube Viana do Castelo, primeiro lugar a receber a prancha adaptada, que deu início à sua vitoriosa trajetória bicampeã mundial. O projeto é um sucesso, teve início com a nossa vivência aqui em Santos e já entregou 96 pranchas pelo mundo. Em 2027, chegaremos a 100 equipamentos”, explicou Cisco.
A atleta portuguesa está em Santos desde o meio da semana, participando de atividades com os alunos do programa 50+ e visitando a Escola de Surfe Adaptado, integrando as comemorações que celebram mais de três décadas de história da instituição santista.



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