Cena

Maria Bethânia, a grande dama da MPB, faz 80 anos; Chico chega aos 82

22/06/2026 Gustavo Klein
Divulgação

Dois personagens centrais da música brasileira celebraram seus aniversários na última semana. Chico Buarque completou 82 anos na sexta-feira (19), e Maria Bethânia fez 80 anos um dia antes. As datas, próximas no calendário, ajudam a reunir duas trajetórias que marcaram de forma profunda a música popular brasileira desde os anos 1960.

Chico Buarque se consolidou como compositor a partir de 1966, quando venceu o Festival de Música Popular Brasileira com A Banda. O sucesso abriu caminho para uma carreira que rapidamente ganhou projeção nacional. Nos anos seguintes, ele passou a ser um dos principais nomes da canção brasileira, com músicas que se tornaram amplamente conhecidas e interpretadas por outros artistas.

Entre suas composições mais conhecidas estão Construção, Apesar de Você, Cálice, Roda Viva, Olhos nos Olhos e O Que Será. Parte dessas obras se relaciona diretamente com o período da ditadura militar no Brasil, quando a produção artística enfrentou censura e restrições. Algumas de suas músicas foram proibidas ou tiveram circulação limitada, o que ampliou ainda mais o impacto político de sua obra.

Além da música, Chico Buarque também construiu uma trajetória na literatura. A partir da década de 1990, passou a publicar romances que tiveram boa recepção crítica, como Estorvo, Benjamim, Budapeste, Leite Derramado, O Irmão Alemão e Essa Gente. Nessas obras, mantém uma escrita voltada para personagens urbanos e situações ligadas à memória, ao tempo e às contradições sociais brasileiras.

Em 2019, recebeu o Prêmio Camões, uma das principais premiações e distinções da literatura em língua portuguesa.

BETHÂNIA
Maria Bethânia iniciou sua carreira nos anos 1960 e rapidamente se destacou como intérprete. Sua estreia profissional ocorreu no espetáculo Opinião, no Rio de Janeiro, ao lado de nomes como Nara Leão e Zé Keti, em um momento em que a música popular também dialogava com o teatro e a política.

Ao longo das décadas seguintes, Bethânia construiu uma discografia marcada pela interpretação de obras de compositores como Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Tom Jobim, Dorival Caymmi e Vinicius de Moraes. Sua forma de cantar, com ênfase na palavra e na construção do sentido do texto, se tornou uma das marcas mais reconhecidas da MPB.

A artista também participou de momentos importantes da música brasileira, incluindo a consolidação do movimento tropicalista ao lado de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa, ainda que sua trajetória tenha seguido caminhos próprios em relação ao grupo. Sua carreira se caracteriza pela diversidade de repertório e pela presença constante em shows e gravações ao longo de mais de cinco décadas.

A comemoração dos 80 anos de Bethânia reuniu amigos e familiares em uma celebração com música e registros que circularam nas redes sociais. Em um dos vídeos, a cantora aparece dançando com Paulinho da Viola ao som de Ainda Bem, de Marisa Monte e Arnaldo Antunes. O registro foi amplamente compartilhado por admiradores e artistas.

Caetano Veloso, irmão da cantora, publicou uma mensagem lembrando o início da trajetória de Bethânia, quando ela foi levada por ele ao teatro Opinião. Ele destacou a presença da irmã na cena cultural desde jovem e o desenvolvimento de uma carreira que, segundo ele, sempre teve forte identidade artística.

Chico Buarque e Maria Bethânia fazem parte de uma geração que teve papel central na consolidação da MPB como campo artístico no Brasil. Suas obras atravessam diferentes períodos da história do país, incluindo a ditadura militar, a redemocratização e as transformações da indústria musical. Fundamentais.