Esportes

Ídolo do Tri, Clodoaldo demonstra confiança no trabalho de Ancelotti para a Copa

13/06/2026 Matheus Vieira
Fernando Yokota/Jornal da Orla

O Brasil inicia sua luta pelo hexacampeonato mundial na noite deste sábado (13), contra a seleção de Marrocos. Comandados pelo treinador mais vitorioso da história da Champions League, Carlo Ancelotti, os atletas da Canarinho têm a difícil missão de reproduzir os feitos das equipes campeãs de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002.

E a expectativa de quem entende do assunto Copa do Mundo é positiva. Craque e eterno ídolo do Santos, Clodoaldo, camisa 5 do Esquadrão do Tri, tem uma boa impressão sobre o trabalho do atual treinador.

“Tenho uma expectativa boa. Acredito que o técnico vai apresentar um sistema de jogo definitivo para esta seleção. Ainda existem algumas dúvidas, cobranças… Mas acho que o Ancelotti tem o modelo indicado para esse time. Não é algo que deve nos preocupar, levando em consideração a experiência e a vivência dele”, diz.

Em 1970, o Brasil havia passado apenas uma Copa sem conquistar o título, mas chegava à competição pressionado por algumas situações. A mais impactante delas envolvia Pelé. Aos 29 anos, o Rei do Futebol era alvo de desconfiança de parte da torcida após as lesões sofridas nas Copas de 1962 e 1966.

Já em 2026, o atual camisa 10, Neymar Jr., também chega ao Mundial pressionado e lutando contra as contusões, porém sem os títulos conquistados pelo Rei. Corró demonstra confiança no “Príncipe da Vila”.

“Sempre que tenho oportunidade, converso muito com Neymar, porque são nesses momentos difíceis, de lesão, que o atleta perde um pouco da esperança e é quando precisa ter alguém por perto para dar essa motivação. Um guerreiro não desiste nunca”, afirma.

“Estamos na torcida pela rápida recuperação dele. Sabemos que uma Copa do Mundo exige muito fisicamente de um jogador. Apesar de serem poucos jogos, a intensidade é muito alta.”

Líderes

Com apenas 20 anos, Clodoaldo já figurava entre os principais jogadores do país e consolidou seu nome após a atuação marcante na campanha de 1970. No México, estava cercado por atletas experientes, como Gérson, Félix, Carlos Alberto Torres, Brito, Piazza, Zagallo e Pelé, já acostumados a exercer liderança dentro e fora de campo.

Mas o habilidoso volante havia sido preparado pelo Santos Futebol Clube e encarou com naturalidade a convivência com nomes consagrados.

“Eu chego ao Santos já para substituir um grande líder: o Zito. Então, apesar da pouca idade, eu já tinha experiência em conviver com grandes líderes e jogadores mais experientes, porque o processo do clube já me proporcionava essa vivência”, conta.

“Foi um privilégio ter ao meu lado, no início da minha carreira, esses monstros sagrados. No Santos, ainda pude jogar com Pepe e Gilmar. Com o Gilmar, atuei apenas um ano, mas, mesmo no fim da carreira deles, pude estar ao lado desses grandes nomes”, relembra.

Elenco de 1970 perfilado antes do jogo contra a Tchecoslováquia. Em pé, da esquerda para a direita: Carlos Alberto, Brito, Piazza, Félix, Clodoaldo, Everaldo e o preparador físico Admildo Chirol. Agachados; Jairzinho, Rivelino, Tostão, Pelé e Paulo Cesar Caju. – Crédito:ARQUIVO/ESTADÃO CONTEÚDO/AE

Emoção

Mesmo com um currículo brilhante, que inclui um gol em semifinal de Copa do Mundo, participação decisiva em um dos gols mais famosos da história dos Mundiais, além de conquistas marcantes pelo Santos, Clodoaldo, hoje aos 76 anos, afirma que a emoção continua presente a cada edição do torneio.

“A Copa do Mundo, para um país como o Brasil, que é pentacampeão, não tem como fugir da emoção que ela causa. É normal ficar ansioso com o início desse campeonato. É uma emoção que não sou só eu quem vive, mas todo o povo brasileiro.”

“Entendo que talvez não exista mais a mesma emoção de antigamente, mas o povo ainda respira e vive a Copa do Mundo. É muita emoção, muita alegria. E a Copa do Mundo sempre me emociona”, conclui.