Cena

Spielberg volta aos extrarrestres na ótima ficção científica ‘Dia D’

02/06/2026 Gustavo Klein
Divulgação

Quando Steven Spielberg decidiu voltar ao universo dos extraterrestres, a expectativa era inevitável. Afinal, poucos cineastas ajudaram tanto a moldar o imaginário popular sobre vida alienígena quanto ele. De “Contatos Imediatos do Terceiro Grau” a “E.T. – O Extraterrestre”, passando pela visão apocalíptica de “Guerra dos Mundos”, o diretor transformou encontros com seres de outros planetas em experiências cinematográficas marcadas por fascínio, medo, emoção e humanidade.

Agora, quase cinquenta anos depois de revolucionar a ficção científica com suas histórias sobre visitantes vindos do espaço, Spielberg retorna ao gênero com “Dia D” (“Disclosure Day”), produção que estreia nos cinemas brasileiros em 11 de junho e que já vem sendo apontada por críticos internacionais como um dos trabalhos mais ambiciosos e surpreendentes de sua carreira.

As primeiras sessões para a imprensa aconteceram nos últimos dias e as reações publicadas nas redes sociais foram quase unânimes. Muitos jornalistas classificaram o longa como o melhor filme do cineasta em mais de vinte anos, destacando especialmente a atuação de Emily Blunt, a trilha sonora de John Williams e a ousadia narrativa da história.

Enigma
Os trailers divulgados pela Universal Pictures mantêm boa parte da trama em segredo, mas algumas informações já foram reveladas.
A história parte de uma pergunta simples e inquietante: o que aconteceria se a humanidade descobrisse, de forma incontestável, que não está sozinha no universo?

A premissa acompanha personagens que entram em contato com provas da existência de vida extraterrestre enquanto tentam expor uma gigantesca conspiração relacionada aos fenômenos alienígenas. Ao mesmo tempo, eles passam a ser perseguidos por forças misteriosas interessadas em manter a verdade escondida.

A campanha do filme gira em torno da frase “A verdade pertence a sete bilhões de pessoas”, sugerindo que a revelação sobre os visitantes do espaço não afetará apenas alguns indivíduos, mas toda a civilização humana.

Spielberg tem evitado entregar detalhes sobre os acontecimentos do terceiro ato e afirmou durante a divulgação do filme que escolheu cuidadosamente o que mostrar ao público antes da estreia.

“Este filme é uma experiência”, declarou o diretor. “Tudo o que você precisa do começo ao fim é de um cinto de segurança”.

Elenco
Grande parte dos elogios recebidos por “Dia D” tem como alvo Emily Blunt. A atriz interpreta a personagem central da trama e, segundo vários críticos que assistiram ao filme, entrega uma das melhores atuações de sua carreira.

Steve Weintraub, do Collider, afirmou que a performance merece atenção da temporada de premiações. Já Bill Bria destacou que Blunt alcança aqui um de seus trabalhos mais marcantes no cinema.

Ao lado dela estão Josh O’Connor, Colin Firth, Colman Domingo, Eve Hewson e Wyatt Russell, formando um elenco que mistura diferentes gerações de atores e contribui para a dimensão épica da narrativa.

Segundo as primeiras impressões, a química entre os personagens ajuda a equilibrar os momentos de suspense e mistério com passagens mais emocionais, uma característica que sempre esteve presente nos melhores filmes de Spielberg.

Origens
Embora Spielberg tenha dirigido aventuras, dramas históricos, filmes de guerra e produções familiares ao longo de sua carreira, a ficção científica sobre extraterrestres ocupa um lugar especial em sua filmografia.

Foi em 1977 que ele apresentou ao mundo “Contatos Imediatos do Terceiro Grau”, obra considerada uma das mais influentes do gênero.
Naquele filme, os alienígenas não eram monstros invasores. Eram seres misteriosos que despertavam curiosidade e encantamento. A comunicação através da música e o espetáculo visual da chegada das naves criaram uma das sequências mais famosas da história do cinema.

Cinco anos depois veio “E.T. – O Extraterrestre”, talvez seu trabalho mais amado. A história do menino Elliott e do pequeno visitante perdido transformou-se em fenômeno mundial, emocionando gerações inteiras e redefinindo a maneira como Hollywood retratava seres de outros mundos.

O filme mostrou que os alienígenas podiam ser vistos não apenas como ameaças, mas como criaturas capazes de despertar empatia, amizade e compaixão.

Décadas mais tarde, Spielberg voltaria ao tema sob uma perspectiva completamente diferente em “Guerra dos Mundos”, estrelado por Tom Cruise.

Ali, os extraterrestres surgiam como forças destrutivas e aterrorizantes, responsáveis por uma invasão devastadora que mergulhava o planeta no caos. Era um filme influenciado pelos medos do século XXI e pelo clima de insegurança que marcou o mundo após os atentados de 11 de setembro.

Além desses trabalhos como diretor, Spielberg também esteve ligado a outras produções do gênero como produtor executivo, incluindo “Super 8”, de J.J. Abrams, frequentemente apontado como uma homenagem direta ao estilo do cineasta.

Conspiração
Uma das características mais comentadas nas primeiras reações é justamente o tom inusitado de “Dia D”. Tessa Smith, do Rotten Tomatoes, comparou o filme a um episódio de Além da Imaginação, enquanto outros críticos afirmaram que a narrativa mistura conspirações governamentais, mistérios sobrenaturais e ficção científica de alto conceito.

Bill Bria chegou a definir a produção como “Arquivo X encontra a Bíblia”, uma descrição curiosa que rapidamente viralizou entre os fãs do diretor. A comparação faz sentido.

Desde os anos 1970, Spielberg sempre demonstrou interesse por fenômenos inexplicáveis, teorias envolvendo contatos extraterrestres e pela sensação de maravilhamento diante do desconhecido.

A diferença é que agora ele parece abordar esses temas sob o olhar de alguém que passou décadas refletindo sobre eles. Em entrevistas recentes, o cineasta afirmou que sente haver “mais verdade do que ficção” na nova história, comentário que aumentou ainda mais a curiosidade em torno do projeto.

Música
Outro nome fundamental para o impacto do filme é John Williams. Parceiro inseparável de Spielberg desde os anos 1970, o compositor assina mais uma vez a trilha sonora da produção.

Segundo diversos críticos, trata-se de um dos trabalhos mais inspirados do músico em anos. A colaboração entre os dois artistas produziu algumas das melodias mais famosas da história do cinema, incluindo os temas de “Tubarão”, “Indiana Jones”, “Jurassic Park”, “E.T.” e “Contatos Imediatos”.

Em “Dia D”, Williams parece retomar o clima de mistério cósmico que marcou suas composições para os filmes extraterrestres anteriores de Spielberg, reforçando a sensação de fascínio e suspense presente na narrativa.