Cena

Ivani Cardoso lança livro que propõe novo olhar sobre o envelhecimento

02/05/2026 Isabela Marangoni
Jader Andrade

O envelhecimento costuma ser tratado como um tema espinhoso. Mas, para a jornalista e escritora Ivani Cardoso, ele pode — e deve — ser vivido com mais leveza. É a partir desse olhar que nasce Velho, eu?, livro que reúne crônicas sobre o envelhecer construídas a partir de sua experiência pessoal e de mais de uma década de estudos no Grupo de Reflexões do Instituto Ideac. Os textos foram publicados originalmente no Jornal da Orla.

O lançamento acontece em Santos no dia 4 de maio, às 18h30, no Bar Heinz, e em São Paulo no dia 23 de maio, às 11h, na Livraria da Vila, no Shopping Jardim Pamplona.

A obra nasce de um interesse antigo. “Eu sempre quis escrever sobre envelhecer. Há mais de 12 anos estudo o tema e participo de um grupo que se reúne semanalmente para discutir a velhice. Lemos livros, assistimos filmes, convidamos pessoas para conversar”, conta.

A decisão de transformar as crônicas em livro veio pela resposta dos leitores. “Muita gente não lê jornal, tenho amigos que moram fora. Postava em minhas redes sociais e o retorno era muito grande. As pessoas comentavam, vinham falar comigo na rua. Até que decidi enviar para um editor”.

A publicação ganhou ainda o respaldo de nomes importantes na área: a psicóloga Maria Célia de Abreu, coordenadora do Ideac, assina a apresentação, e a historiadora Mary Del Priore, o prefácio. “É uma chancela de quem conhece o tema, isso anima”, diz Ivani.

Velho, eu?

O título, herdado da coluna, é uma provocação direta. “A maior dificuldade das pessoas é dizer ‘eu sou velha’. Parece uma ofensa. Mas eu posso estar ótima e ser velha. Uma coisa não anula a outra”.

Ao longo das crônicas, a autora desmonta estereótipos. “As velhices são diferentes. Nenhum velho é igual ao outro. Me incomoda essa imagem de alguém parado, ultrapassado”. O livro, segundo ela, não se restringe a quem envelhece. “Interessa a todo mundo. Você tem pais, avós, convive com isso”.

Sem romantizar o processo, Ivani também aborda os desafios concretos. “O corpo muda, aparecem dores, limitações. É preciso se cuidar, fazer exercício, procurar médicos, tantas coisas”. Ainda assim, defende uma postura ativa diante da vida. “Você precisa se comprometer com você mesmo a ser mais leve. Não dá para focar só no peso”.

Reflexão sobre envelhecimento

A escrita foi parte fundamental desse percurso de reflexão. “Escrever ajuda a entender. Você pesquisa, lê, se revê. Quando fiz 60 anos, levei um baque. Percebi preconceitos meus. Muitas vezes, o preconceito está mais na gente do que no olhar do outro”.

O livro também dialoga com referências culturais — filmes, livros e experiências — ampliando o olhar sobre a velhice. “Não é porque você é velho que não pode amar, seduzir, começar coisas novas”.

Entre as experiências contadas na obra estão mudanças práticas e simbólicas. “Fui andar de balão na Turquia, algo que morria de medo. Comecei tênis de mesa, percussão. Dá para resgatar sonhos em qualquer idade”.

Outro ponto central é a autonomia. “Você não pode depender dos filhos para a sua velhice. Eles têm a vida deles. Você precisa se construir”. Ao mesmo tempo, ela valoriza os vínculos: “Ser avó é um aprendizado enorme. É continuidade, é legado”.

Conversa e lançamento

A proposta do livro é ampliar o olhar sobre o envelhecimento. “A velhice não precisa ser um pesadelo. É uma fase como qualquer outra — às vezes, pode até ser melhor. Quero trazer mais leveza e menos preconceito”.

O livro Velho, eu? será lançado em Santos no dia 4 de maio, às 18h30, no Bar Heinz, e em São Paulo no dia 23 de maio, às 11h, na Livraria da Vila, com venda também pelo site da Editora Reformatório.