
Com uma trajetória literária marcada pela memória, pela luta e pela ancestralidade, o escritor e poeta Bartolomeu Pereira de Souza, o Bartô, lança seu quarto livro, Sonho de Liberdade, no sábado (25), das 14h às 18h, na Futrica – Economia Criativa (Rua XV de Novembro, 146 – Centro Histórico).
Voltada ao público infantojuvenil, a obra apresenta não o escritor de hoje, mas o menino Bartô — protagonista de uma narrativa que atravessa o Atlântico em busca de suas origens. Em sonho, ele viaja ao continente africano, reencontra seus ancestrais e descobre, entre países e histórias, os vínculos profundos que conectam passado e presente. O percurso resulta em uma reflexão sobre identidade, pertencimento e valorização da herança africana.
O livro nasce de um poema homônimo, escrito de forma intuitiva. “O primeiro poema que escrevi foi um sonho mesmo. Eu só passei para o papel”, conta o autor. A partir dessa experiência, a história ganhou forma narrativa e, posteriormente, dimensão visual.
As ilustrações são assinadas por sua neta, Gabriela de Souza Amaral, de 15 anos, que construiu o projeto em diálogo direto com o avô. “Dividimos o poema em partes, um verso por página. Fiz os esboços, mostrei para ele e depois comecei a desenhar”, explica. A escolha estética buscou aproximar o livro do público jovem. “Usei traços mais infantis e cores vivas, para ficar mais atrativo”.
A publicação também carrega um forte viés pedagógico. Segundo Bartô, a obra dialoga diretamente com a Lei Federal 10.639/2003, que estabelece a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira e africana nas escolas. “É uma contribuição. A criança precisa se ver ali. Muitas vezes ela abre um livro e não encontra suas características”, afirma.
A ideia de transformar o poema em livro surgiu justamente da vivência do autor em escolas públicas de Santos, em atividades vinculadas a um projeto de extensão da Unifesp em parceria com a Secretaria de Educação. “Nas creches, eu trabalhava só com o poema, porque não havia material. Foi daí que veio a necessidade de criar o livro”, relembra.
Para o escritor, o impacto desse contato com o público infantil é imediato. “As crianças entendem, interagem e querem saber mais. A educação precisa ser transformadora”, defende.
Mais do que contar uma história, ‘Sonho de Liberdade’ propõe identificação e fortalecimento da autoestima. “Quero que as pessoas acessem sua própria história, que uma criança se sinta incentivada a desenhar, escrever”, diz. Ao mesmo tempo, ele ressalta a importância da memória histórica. “Não podemos esquecer a escravidão, que foi um dos maiores crimes contra a humanidade. Mas também precisamos seguir em frente”.
O projeto reúne, de forma simbólica, três gerações da mesma família: além de Bartô e Gabriela, o filho do autor, Alexandre, assina a apresentação do livro. “É algo ancestral. Três gerações construindo juntas um trabalho que certamente vai gerar outros”, afirma.
Lançamento e sarau
O lançamento acontece em clima aberto e participativo. A programação inclui o “Sarau do Sonho”, com presença de poetas convidados e microfone aberto ao público. “Vai ser um encontro descontraído. Quem quiser ler um poema, vai ter espaço”, adianta o autor, que também mantém uma relação direta com seus leitores. “Eu sou vendedor de livro mochilando. Onde eu estou, minha mochila está — e onde a mochila está, tem livro”.
Ao olhar para o futuro, Bartô reafirma o compromisso com a cultura como ferramenta de transformação social. “Cada um tem sua contribuição. A Gabi com as ilustrações e eu com o poema. É assim que a gente constrói um mundo onde todos possam respirar mais levemente”.


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