Esportes

Caique Custódio une vivência esportiva e ensino em sua carreira

28/03/2026 Matheus Vieira
Yan Barros

Atleta ressalta importância do apoio familiar no processo competitivo

O esporte é capaz de promover mudanças que vão além do corpo. Quando se é inserido no ambiente esportivo, a evolução também ocorre no âmbito social. É esse pensamento que o atleta e professor Caique Vinícius dos Santos Custódio de Oliveira, aos 31 anos, busca repassar aos seus alunos e à família.

Atleta desde os dez anos, ele associa a vivência em diversas modalidades esportivas ao seu desenvolvimento pessoal e profissional. “O esporte me desenvolveu muito. Comecei com a capoeira e o handebol, depois fui para o atletismo e já tinha o sonho de ser atleta profissional. A gente aprende que nem tudo é vitória; na verdade, perdemos mais do que ganhamos e, assim, nos tornamos mais resilientes, desenvolvemos o respeito pelo adversário e pelo jogo da vida”, afirma. “Meus amigos e minha família eu construí por meio do esporte”, completa.

Hoje, pai e marido, Caique tem uma família em que o esporte “corre” nas veias. Sua esposa, Jéssica, também é atleta, e juntos tiveram Zoe, uma pequena aspirante ao esporte. “Nós brincamos que ela só não será atleta caso não queira; os genes estão nela. Ficaremos muito felizes se for a decisão dela, mas não vamos forçar nada”, diz. “O que buscamos é colocá-la em várias atividades. Ela faz balé, treina com a gente, acompanha jogos de futebol americano… Quanto mais experiências ela tiver e quanto mais puder ampliar o leque, melhor”.

Jéssica, Zoe e Caique após uma competição de atletismo. Foto: Arquivo Pessoal

Aulas

O desenvolvimento social é um valor importante e necessário para a boa convivência. Caíque destaca que, enquanto professor, procura ensinar isso aos seus alunos. “Fisicamente, o esporte desenvolve coordenação motora e lateralidade, mas também ajuda a criar novos amigos e contribui para as habilidades sociais. É fundamental para o crescimento de qualquer pessoa”, afirma.

O atleta também valoriza o papel da família no esporte e pede compreensão dos pais durante o processo de crescimento. “O apoio é fundamental, claro, mas é importante não forçar. A presença da família cria memórias e fortalece o relacionamento familiar. Esporte e família andam lado a lado, mas não podem ser impostos. No futebol, por exemplo, é onde mais vemos brigas entre pais e cobranças exageradas sobre o atleta”, comenta. “Meu conselho é que os pais escutem os filhos, encontrem um esporte com o qual eles se identifiquem e ofereçam apoio sempre”.

Caique dá aulas no projeto Escola Total, da Prefeitura de Santos. Foto: Arquivo Pessoal

O início

Caique começou sua trajetória no esporte com a capoeira e o handebol, na escola, onde também teve sua primeira experiência como professor, aos 17 anos. “Na época, nosso treinador de handebol sofreu uma convulsão, e eu fiquei encarregado de cuidar do time. Foi ali que minha chave virou e percebi que gostaria de trabalhar com esporte”, relembra. “Já no atletismo, foi engraçado, porque eu jogava handebol e me destacava pela velocidade. Sempre recebia convites para treinar, mas recusava. Um dia, fui convencido por um amigo e, quando cheguei lá, tive um bom desempenho”, conta.

O atleta revela que chegou a recusar convites com ironia, sem saber que estava sendo ouvido pelo treinador. “Ele sempre falava ‘vamos lá’, e um dia eu disse que iria, mas, quando ele virou as costas, falei ‘vou nada, mó chato’. Ele escutou e guardou aquilo. Só me contou tempos depois. Hoje, voltei a praticar o atletismo com esse mesmo treinador e, às vezes, lembramos das histórias de antigamente, de quando treinávamos doentes, na chuva, enfim…”, relata, em tom bem-humorado.

No futebol americano, o interesse surgiu por meio dos filmes. Mesmo sem conhecer bem a modalidade, mais uma vez as amizades feitas no ambiente esportivo abriram portas. Em 2018, Caique conquistou uma vaga no Santos Tsunami. “Vi uma brecha no meu horário e fui treinar. Por coincidência, um amigo jogava no Santos e me indicou para a seletiva. Passei com destaque na corrida. Inclusive, fui reconhecido por um treinador da equipe de Praia Grande, onde eu treinava”, relembra.

Atualmente, Caique integra o São Vicente Krakens, mas não está inscrito nas competições do primeiro semestre, pois realiza um processo gradual de retomada. O foco está voltado para as disputas da segunda metade do ano.

Caique já vestiu a camisa 10 e a faixa de capitão do Santos Tsunami. Foto: Déborah Caetano