
A cidade de Santos e o Santos Futebol Clube perderam um de seus personagens mais ilustres. Morreu nesta terça-feira (24) João Araújo, o Didi, conhecido por ser o cabeleireiro de Pelé e de muitos outros craques de formações históricas do Peixe. Didi tinha 87 anos e estava internado no Hospital Beneficência Portuguesa, onde passou por duas cirurgias no intestino. Ele morreu após sofrer uma parada cardiorrespiratória.
O velório acontece nesta terça, das 10h às 15:40, na Beneficência Portuguesa (Rua São Paulo,74/86), seguindo de cortejo para cerimônia de cremação na Memorial Necrópole Ecumênica.
Dono de um sorriso espontâneo e sincero, Didi não deixava de comparecer à barbearia localizada em frente ao portão nº 6 do Estádio Urbano Caldeira. Natural de Rio Pardo de Minas (MG), chegou a Santos em 1956. Coincidência ou não, foi o mesmo ano em que um adolescente chegava de Bauru para tentar ser jogador do Santos.
“Assim que Pelé chegou ao salão, ficou meio desconfiado, afinal eu também era muito novo. Ele perguntou se eu conseguia cortar o cabelo, deixando um topete. Eu respondi: “Vamos tentar!”. Se você gostar eu ganharei um cliente; se não gostar, pelo menos você terá um amigo”, disse o barbeiro, em entrevista a Guilherme Gomez Guarche, historiador do Santos.
Naquele mesmo ano, Didi comemorou o bicampeonato paulista com a torcida que voltava do Pacaembu, numa ruidosa festa que varou a noite diante de sua barbearia.
Pelé manteve-se fiel ao barbeiro. Embora reclamasse que Didi continuasse a cobrar pelo serviço, jamais abandonou o barbeiro, chegando a convoca-lo para cortes na casa do Rei, no Guarujá. Didi acreditava ter feito a cabeça do Rei mais de 1 mil vezes.
Além de ter o Rei como um velho freguês, Didi também tem como clientes os jogadores Coutinho, Pepe, Mengálvio e outros craques do passado que gostam de frequentar o salão às vezes só para prosear com ele.
O apelido foi dado a ele pelos jogadores do Santos, que o achavam parecido com Valdir Pereira, o “Folha Seca”, bicampeão mundial com a Seleção Brasileira.



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