Cena

Quanto mais sei sobre ‘Wuthering Heights’, menos quero vê-lo

11/02/2026 Gustavo Klein
Divulgação

O Morro dos Ventos Uivantes ganha uma nova adaptação cinematográfica que estreia neste fim de semana, com Margot Robbie e Jacob Elordi nos papéis centrais. A expectativa em torno do projeto é grande, mas a produção chega também cercada de debates por causa das liberdades tomadas em relação ao romance original de Emily Brontë, publicado em 1847.

Dirigido por Emerald Fennell, o longa aposta em uma abordagem mais estilizada e contemporânea, com forte destaque para a estética e para o erotismo entre os protagonistas. A proposta não esconde que se trata de uma releitura livre, o que pode agradar parte do público, mas também provoca estranhamento em quem espera encontrar na tela a densidade emocional e os temas sombrios que transformaram o livro em um clássico.

Entre as mudanças mais comentadas estão simplificações na trama e em personagens importantes, além de uma reinterpretação de elementos centrais ligados ao passado e às motivações de Heathcliff. No romance, essas camadas são fundamentais para compreender a violência emocional, a ambiguidade e o impacto social que atravessam a história.

Críticas especializadas apontam que o filme privilegia o espetáculo visual em detrimento da profundidade psicológica. A relação entre Cathy e Heathcliff surge intensa e performática, mas nem sempre visceral, como se a exuberância da encenação ocupasse o espaço que antes era da complexidade (e do ódio, do conflito, do amor destrutivo).

É justamente aí que meu entusiasmo se dissolve. Quanto mais informações surgem sobre as escolhas de adaptação, menos vontade tenho de ver o resultado final. A sensação é de que as concessões feitas à narrativa original podem afastar o filme daquilo que torna O Morro dos Ventos Uivantes único: um grau imenso de brutalidade emocional, a atmosfera opressiva e o peso trágico de um amor que foi feito para não dar certo e não dá, mesmo, já que ambos os protagonistas são pessoas impossíveis de conviver, muito menos um com o outro (sabe aquela piada de que Jesus te ama porque não convive contigo? É isso).

Para alguns, a ousadia pode soar como renovação. Para outros, como eu, essas liberdades acabam funcionando como um convite ao distanciamento.