
O Festival Baixadinha chega à sua 5ª edição nos dias 30 e 31 de janeiro e desembarca, pela primeira vez, em Santos, marcando um novo capítulo em sua trajetória. A cidade passa a sediar o primeiro e único festival da Baixada Santista dedicado exclusivamente à infância. Com patrocínio da Autoridade Portuária de Santos (APS), realização da Bordallo Cultural e apoio do Governo do Brasil, a edição integra a programação oficial do Festival Porto-Cida de, que celebra os 134 anos do Porto de Santos.
Criado em 2022, o Baixadinha nasceu com a proposta de crescer de forma territorial e alcançar todos os municípios da região. “O sonho do Baixadinha, a longo prazo, é realizar uma edição em cada cidade da Baixada Santista. Por isso o nome. A ideia sempre foi essa expansão”, explica Juliana Bordallo, idealizadora do festival.
Até aqui, o evento foi realizado em quatro edições consecutivas em Mongaguá, município que acolheu o projeto desde sua estreia, viabilizada após a conquista do primeiro lugar no edital ProAC, em 2022. “Mongaguá sempre recebeu o festival de braços abertos, em parceria com a Prefeitura, a APA e a Secretaria de Cultura. Trazer o Baixadinha para Santos é uma grande conquista, algo que tentamos construir há alguns anos”, afirma.
A chegada à cidade ocorre por meio do edital de chamamento da Autoridade Portuária, o que dá nome à edição local: Festival Baixadinha – Porto-Cidade. “O festival passa a integrar oficialmente a programação de aniversário de 134 anos da Autoridade Portuária. Foram escolhidas cinco ações culturais, e o Baixadinha é uma delas”, contextualiza.
PARA A FAMÍLIA
Único festival da região inteiramente dedicado à infância, o Baixadinha surge a partir de uma vivência pessoal da idealizadora enquanto mãe. “Sempre achei muito interessante como os festivais voltados à infância acabam acolhendo a família inteira. Quando você pensa numa programação para crianças, automaticamente está pensando numa programação familiar”.
Segundo ela, muitos eventos culturais não são pensados para o público infantil, o que acaba afastando famílias dos espaços culturais. “A gente até leva os filhos, mas eles não aguentam ficar. O espaço não é pen sado para eles, as crianças ficam impacientes e os adultos não conseguem aproveitar. O Baixadinha nasce dessa necessidade de criar um lugar onde a família possa passar o dia inteiro, com a criança à vontade”.
INCLUSÃO COMO PRINCÍPIO
A edição em Santos contará com intérpretes de Libras em todas as atividades com texto, audiodescrição em parte da programação e uma tenda de autorregulação, equipada com tatames, objetos sensoriais e acompanhamento de uma psicopedagoga. “Se alguma pessoa neurodivergente precisar se regular, vai ter um espaço seguro e preparado para isso”, explica Juliana.
O festival também disponibilizará abafadores antirruído e garantirá acessibilidade física e comunicacional. “A própria divulgação do festival já é inclusiva. A programação será apresentada em vídeo com Libras, audiodescrição e legenda. Temos muito cuidado com um marketing acessível e responsivo”.
SUSTENTABILIDADE EM FOCO
Em sintonia com os valores da Autoridade Portuária, o festival reforça seu compromisso ambiental com a campanha #ZeroPlástico. Durante todo o evento, haverá pontos de hidratação com água gratuita, incentivando o uso de copos e garrafas reutilizáveis. “Pensar num festival sustentável é entender que oferecer água é o mínimo, ainda mais no verão. E, ao mesmo tempo, refletir sobre o impacto ambiental que um evento gera”, afirma Juliana. A programação inclui ainda coleta seletiva e ações educativas voltadas à sustentabilidade.
PROTAGONISMO INFANTIL
O Festival Baixadinha – Porto-Cidade acontece no Museu do Porto, com programação principal no sábado (31), das 10h às 19h, somando nove horas de atividades culturais.
Na sexta-feira (30), o público acompanha o Esquenta Baixadinha – Porto-Cidade, com o cortejo da Charanga Caiçara, que per corre diferentes regiões da cidade, promovendo encontros festivos e ocupação cultural dos espaços públicos. A programação tem início às 10h, na Autoridade Portuária de Santos, e segue até às 19h, na Fonte do Sapo, passando por bairros como o Macuco e pela Praça do Sesc.
No sábado (31), as atividades se concentram no Museu do Porto, com atrações que vão de encontros com bolhas de sabão gigantes a espetáculos, oficinas e uma matinê especial. A programação inclui contação de histórias, teatro, circo, dança, shows musicais, tenda literária permanente e visitação guiada ao museu, mediada por artistas.
Dois momentos já tradicionais retornam: o Encontro de Bolhas de Sabão Gigantes e o Palco Aberto Baixadinha, que coloca as crianças no centro da cena. “Esse palco é sobre protagonismo. As crianças se apresentam, ocupam o espaço e são vistas”, destaca Juliana. “Pensar numa programação para a infância é colocá-la no centro da história. Tudo é pensado para elas: o tempo, o espaço, o ritmo, a linguagem”.
CONEXÃO ENTRE GERAÇÕES
Mais do que um evento infantil, o Baixadinha se propõe como um espaço de conexão intergeracional. “Quando a gente pensa numa atividade para a família, não é só a criança que aproveita. São os pais, os responsáveis, todos juntos. O festival ativa todas as infâncias”.
Ela cita o Encontro de Bolhas de Sabão como símbolo dessa proposta. “É o ápice do festival. Você vê os adultos largando a rigidez, pegando a vareta da mão da criança e brincando. É um momento de conexão real”.
ACOLHIMENTO
Questionada sobre o que deseja que o público leve da experiência, Juliana é direta. “Acolhimento. Especialmente as mães atípicas. Quero que elas sintam que esse espaço é delas”.
Toda a equipe do festival passa por capacitação em acessibilidade e inclusão. “A gente trabalha com essa palavra o tempo todo: acolher. Se, no final do dia, as pessoas sentirem que foram acolhidas, o resto acontece naturalmente”. E conclui. “Que as famílias se divirtam, que as infâncias desbloqueiem a dureza que a gente vai criando ao longo da vida. Que, pelo menos por um dia, a gente consiga libertar a nossa criança novamente”.


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