

O padroeiro Santo Amaro, na Matriz.
Esta quinta-feira (15) é Dia do Padroeiro do Guarujá, Santo Amaro, que dá nome à ilha onde está situada a Cidade. Mas as celebrações também são dirigidas à Matriz Nossa Senhora de Fátima, que comemora 70 anos. “É a única igreja do Brasil, até onde eu sei, que tem dois nomes. Uma dupla homenagem, porque a igreja foi inaugurada no dia do Padroeiro”, conta o historiador Enrique Dias, idealizador do Centro de Documentação e Memória de Guarujá (Cedom).
Dias explica as razões para a “duplicidade” no nome da Matriz, cuja origem está na Capela de Santo Amaro, de 1893, destruída por um incêndio em 1924. “Esse fato foi muito difundido porque um munícipe chamado Atílio Gelsomini entrou correndo na capela em chamas e salvou a imagem de Santo Amaro. Essa imagem se encontra na matriz”, diz o historiador.
Por esse motivo, a igreja foi inaugurada no dia de Santo Amaro, em 15 de janeiro de 1956. O dia de Nossa Senhora de Fátima é no mês de maio, quando também há festejos e procissão. “Mas sempre se disse que o doador do terreno, o português Ricardo Fidela, devoto de Fátima, pediu para dar o nome dela à Matriz. Há outra informação de que não houve doação, mas troca de terreno, e pode ser que ele tenha condicionado a troca à homenagem à santa. É possível, mas não tenho isso documentado. São apenas notícias que foram sendo passadas por oralidade. Não tenho como sustentar isso”, declara Enrique Dias.
De acordo com o historiador, a origem da Igreja Matriz é um pouco afastada do local atual. “Nós tínhamos a primeira capela urbana da Vila Balneária. Essa, sim, nós temos farta documentação de onde se localizava. Foi inaugurada no mesmo dia da Vila, 3 de setembro de 1893. A primeira missa, quem rezou foi o Joaquim Arco Verde, que era bispo de São Paulo e, pouco mais de dez anos depois, se tornou o primeiro cardeal do Brasil. Sempre retornava para cá, para momentos de descanso”.

A missa inaugural na Matriz, em 15 de janeiro de 1956, e a maquete da capela que deu origem à igreja.

CAPELA
Dias conta que durante anos após o incêndio de 1924, as missas eram rezadas em locais provisórios. “O primeiro foi um chalé que ficava em frente ao local da capela incendiada, na Rua Petrópolis – na área da antiga construção religiosa foi construída a primeira Prefeitura e Câmara; hoje está o edifício Boulevard, que curiosamente é onde eu moro. Depois, também de forma provisória, essa igreja vai para a esquina das avenidas Leomil com Puglisi. Em 1934 é criada a paróquia de Guarujá, que completou 90 anos em 2024. Mas somente em 1938 é lançada a pedra fundamental da Igreja Matriz”.
A obra se arrastou por 18 anos, de 1938 a 1956. “E aí existem alguns fatos: o padre Caiaffa, muito popular dos anos 1940, chegou a comprar o material e, depois, não tinha dinheiro para pagar. Aí, devolveu, ficou todo envergonhado, mas já havia obras da parte do altar e a da Casa Paroquial, nada completo. Isso foi finalizado pelo padre Domênico, já nos primeiros anos da década de 1950”, explica o historiador.
De acordo com ele, a missa inaugural, realizada em 15 de janeiro de 1956, foi celebrada pelo bispo Dom Idílio José Soares e pelo pároco Domênico Rangoni.
NÃO CONFUNDA
Enrique Dias afirma que é comum as pessoas confundirem o 15 de janeiro também como dia do aniversário do Município. “Não. Dia 15 de janeiro é Dia do Padroeiro. Emancipação é outra história”, afirma. Dias explica que, em razão da criação da Estância Balneária, muitos utilizam o 30 de junho de 1934 para comemorar a emancipação política. Mas ele afirma que não foi assim. “O Guarujá ficou emancipado de Santos, mas não era emancipado 100%, porque quem comandava administrativamente a Ilha de Santo Amaro era o governador do Estado de São Paulo. Essa autonomia só veio em 1947, quando aconteceram as primeiras eleições. O município foi criado em setembro de 1947”.
Festejos incluem missa, procissão e quermesse
A paróquia Nossa Senhora de Fátima e Santo Amaro – Matriz de Guarujá (Avenida Puglisi s/n, Centro) festeja o Dia do Padroeiro, nesta quinta (15), com missa às 8 horas, procissão às 18h30 e missa campal às 19 horas.
As barracas da tradicional quermesse serão montadas nesta quinta-feira (15), no sábado (17) e domingo (18), ao lado da Matriz.
Também nesta quinta, às 10 horas, haverá missa campal na Ermida de Santo Antônio do Guaibê, capela construída no século XVI, no extremo norte de Guarujá, uma das primeiras igrejas do Brasil. O acesso é pela trilha da Prainha Branca, que tem início na Rodovia Ariovaldo de Almeida Viana (estrada Guarujá-Bertioga).


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