
O Instituto Autismo Brasil surgiu a partir da experiência de Fabíola Souza Julião como mãe atípica de João Vitor, um menino autista não verbal, com nível 3 de suporte. Junto ao marido, Fabrício Julião, ela transformou a dor e o isolamento do diagnóstico em propósito e ação social. Hoje, o Instituto desenvolve projetos voltados à saúde mental de mães atípicas, ao fomento do empreendedorismo e à inclusão no mercado de trabalho de pessoas com deficiência e neurodivergentes.
Acolhimento
O primeiro projeto do Instituto, o ALMA – Rede de Apoio Legal e Mental Atípica, é voltado à saúde emocional e aos direitos de mães atípicas. “O diagnóstico do meu filho me jogou em um lugar de dor e solidão. Foi o apoio psicológico que me tirou de lá — e é por isso que hoje nasce a Rede ALMA. A primeira demanda do Instituto tem que ser ajudar no suporte dessas mulheres. Foi o que aconteceu comigo”, conta Fabíola. “É um projeto feito por mães, para mães”, resume.
O objetivo é criar uma rede nacional de profissionais para acolher e orientar mulheres em situação de vulnerabilidade. “Há muitas mães com direitos negados. Queremos construir uma rede de psicólogos e advogados que atendam com valor social”, explica. O cadastro pode ser feito diretamente por meio do formulário disponível no site do Instituto Autismo Brasil.
Atualmente, o Instituto funciona de forma independente, com apoio do Brasil Export, e já conta com as primeiras profissionais voluntárias. “Outras estão chegando, mas é um processo lento”, observa Fabíola, que vem buscando capacitação para fortalecer a iniciativa. “Estou cursando pós em Gestão de Negócios Sociais. Descobri que voluntariado é compromisso — tem data e hora para estar lá. Se não houver estrutura, as coisas não andam”.
Empreendedorismo
O segundo projeto, Renda Atípica, nasce da urgência de gerar autonomia financeira para mães atípicas que não conseguem trabalhar fora de casa. “Muitos maridos vão embora quando o filho nasce com deficiência. Essa mulher fica isolada. O empreendedorismo é a saída — ela pode trabalhar de casa, no tempo dela, na linguagem dela”, afirma Fabíola.
O projeto oferecerá oficinas, mentoria e capacitação empreendedora, com apoio do Sebrae. As participantes serão divididas em duas trilhas: uma voltada a mães que já empreendem e outra para quem está começando. “Depois das oficinas, vem a mentoria — ninguém vai sair de lá sozinha. Vamos acompanhar essas mulheres, criar rede e fortalecer uma vila de empreendedoras atípicas”.
Inclusão produtiva no Porto de Santos
Enquanto o Renda Atípica buscará autonomia para as mães, o projeto Emprego Apoiado focará na inclusão de pessoas neurodivergentes e com deficiência no mercado de trabalho — especialmente no Porto de Santos. “Quero entender o que cada empresa precisa e formar pessoas para essas funções específicas”, explica Fabíola.
O modelo de emprego apoiado segue uma metodologia internacional que prepara tanto o trabalhador quanto o ambiente corporativo para uma inclusão sustentável. O acompanhamento é feito por um job coach, profissional que adapta processos e garante que a experiência seja positiva. “Enquanto as crianças autistas recebem cuidado e atenção, os jovens e adultos neurodivergentes seguem invisíveis. Quero mudar isso — formando, inserindo e acompanhando cada pessoa e cada empresa que decide incluir com responsabilidade”.
O foco inicial será nas áreas de infraestrutura, logística e portos, com o objetivo de preparar profissionais para o setor que move a economia nacional.
No dia 5 de novembro, o Instituto Autismo Brasil participará do 9º Encontro Nacional do Emprego Apoiado da FANEA, no Rio de Janeiro, representando a causa da inclusão produtiva e do direito ao trabalho para pessoas neurodivergentes. “Não adianta jogar a pessoa lá, como fazem muitas agências. O resultado é demissão, bullying e mais trauma. Eu quero formar esses meninos e depois chamar as empresas para construir o curso junto”, reforça Fabíola.
Mais do que assistencialismo, o projeto buscará revelar potencialidades. “A gente precisa parar de olhar a empregabilidade de pessoas com deficiência como caridade. É sobre potência. Todos têm — só precisam ser trabalhadas”, conclui.
Legado de propósito
Fabíola sabe que os resultados podem levar tempo. “Eu sei que não vai ser para o meu filho. Nem para mim. Mas se ninguém fizer nada, nunca vai ser”.
Hoje, ela define o Instituto como uma extensão de sua própria história — um recomeço que transforma dor em propósito. “O ALMA nasceu quando percebi que não podia curar a dor — mas podia transformá-la em propósito”.
A mensagem que ela quer deixar é clara. “Cure a sociedade, não o autismo. O autismo você não consegue curar — mas a sociedade, sim”.
As doações, de pessoas físicas ou jurídicas, podem ser realizadas diretamente pelo site, que também disponibiliza todas as informações possíveis para contribuir. Acompanhe o Instituto Autismo Brasil nas redes sociais @institutoautismobrasil e fique por dentro das iniciativas.


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