Metrópole

BS Debate discute impactos das grandes obras na região

15/10/2025 Marcos A. Ferreira
Fernando Yokota

Passada a euforia pelo volume de investimentos anunciados para a Baixada Santista – mais de R$ 20 bilhões em obras de infraestrutura e mobilidade, para os próximos anos –, as prefeituras voltam-se para os desafios e projetos que farão com que as grandes obras se traduzam em benefícios e não em novos problemas para a região. Os agentes públicos locais devem estar unidos, atentos e participativos nas decisões sobre obras como a terceira pista da Rodovia dos Imigrantes, a construção do Túnel Santos-Guarujá, o Aeroporto Civil Metropolitano e a expansão do VLT.

Essa foi a tônica do posicionamento de representantes das administrações municipais de Cubatão, Guarujá, Praia Grande, Santos e São Vicente e da Guarda Portuária, nesta terça-feira (14), na quinta edição do BS Debate, promovido pelo Jornal da Orla e Record TV Litoral e Vale, com apoio da Associação Comercial de Santos (ACS).

“Vivemos um bom momento, mas precisamos nos comunicar e fazer com que sejamos ouvidos para que essas grandes obras estejam integradas aos projetos locais. Precisamos garantir o debate para que as coisas não sejam feitas de cima para baixo. É preciso pensar em qualidade de vida do trabalhador. Fazer com que a onda de investimentos também seja de crescimento social, senão, daqui a dez anos, vamos nos satisfazer com as obras e ficar com os gargalos”, disse Fabrício Lopes, secretário de Indústria, Porto, Emprego e Empreendedorismo de Cubatão.

Ele exemplifica citando a proposta da terceira pista da Imigrantes: “Veio de cima para baixo e queremos conversar com o Governo do Estado. Já que vai sair, que possar ser interligada ao nosso projeto do corredor Porto-Indústria, uma espécie de perimetral que ligará ao Porto, melhorando o trânsito para os moradores. Há dias que trava tudo e há pessoas que não conseguem andar 800 metros para atravessar para o seu bairro. Cubatão não aceita mais ficar com o ônus do chamado desenvolvimento”.

O TÚNEL E OUTROS DESAFIOS

A secretária de Desenvolvimento Econômico e Portuário do Guarujá, Thaís Margarido, apresentou linha argumentativa semelhante. “Nossa única via de acesso por terra é a Rodovia Cônego Domênico Rangoni. Precisamos da segunda fase da perimetral, porque a primeira fase já não é suficiente, os caminhões travam o caminho e jogam o trânsito para Vicente de Carvalho, inviabilizando o acesso ao Distrito e à Cidade. Temos que acompanhar passo a passo a questão das saídas do túnel Santos-Guarujá, pois o edital não discutiu a saíde do túnel nas duas cidades”.

Para acertar essas questões, Thaís Margarido destacou também a necessidade de união entre prefeituras e técnicos. “Temos realizado constantes reuniões com a Autoridade Portuária de Santos (APS), com os governos do Estado e Federal. O objetivo é fazer com que os investimentos gerem qualidade de vida”.

A questão das saídas do Túnel Santos-Guarujá também foram abordadas pelo presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego de Santos (CET-Santos), Antônio Carlos Gonçalves, que participou do evento por vídeo. De acordo com ele, a Prefeitura tem feito “contatos constantes com o Governo do Estado” para discutir como organizar o trânsito na entrada e saída do túnel. “É uma obra importantíssima para Santos. Mas essa embocadura é o grande desafio. Como os veículos pesados vão entrar e sair do túnel sem impactar a malhar urbana? Essa é a preocupação agora”, afirmou.

O secretário santista de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade, Glaucus Farinello, complementou: “O acesso de veículos pesados precisa ser pela Perimetral. Temos que mitigar impactos, por isso, estamos realizando um amplo diálogo. Mas, com o túnel, dinâmica de movimentação no Porto vai ser outra”.

Participaram desse painel, ainda, sobre as grandes obras: Felipe Nunes, supervisor de Trânsito da Guarda Portuária, e o secretário Marcelino dos Santos Gomes (Trânsito, Praia Grande). Entre os presentes, o diretor da Record TV Litoral e Vale, João Batista Rodrigues e o vereador Chico Nogueira (PT). O painel foi mediado por Alexandre Furtado, jornalista e apresentador da Record TV.

Expansão do VLT provoca expectativas

O funcionamento da segunda fase do VLT, ligando a Avenida Conselheiro Nébias ao Centro de Santos e a expansão da linha para a Área Continental de São Vicente, foram os temas do segundo painel do BS Debate, mediado pelo jornalista Leopoldo Figueiredo, diretor-geral da Rede BE News e do Jornal da Orla.

Alexandre Martins, secretário de Transportes de São Vicente, ressaltou que a reivindicação inicial era que, já na primeira fase, o projeto do VLT contemplasse a Área Continental (7,5 km). Mas não foi possível em razão da necessidade de obras de reforço na Ponte dos Barreiros – a linha chega até a Estação Barreiros, não atravessa. Ele destacou que a ponte vai ser reformada. “A informação é que o VLT estará em operação no final de 2028. Temos conversado com a Artesp para evitar atrasos no projeto”, afirmou.

Os secretários de Praia Grande, Marcelino Santos (Trânsito) e Leandro Avelino (Transportes) também participaram desse debate. Ressaltaram que o Município tem um interesse especial nessa expansão, porque vai gerar projetos para facilitar a interligação do VLT com terminais de ônibus como o Tude Bastos. Avelino destacou que participou de vistoria técnica na Ponte dos Barreiros, ao lado de técnicos da BR Mobilidade, operadora do serviço pela Artesp, que assumiu a responsabilidade após a extinção da EMTU.

Os participantes destacaram, ainda, a necessidade de se discutir sistemas de integração que possibilitem baratear as viagens e interconexões nos diferentes modais de transporte coletivo urbano. “O ideal é ter um cartão único ou outro sistema integrado. Precisamos garantir a comunicação entre os diferentes cartões”, afirmou.