
Com uma escrita visceral e poética, o escritor e roteirista Rael Marques estreia na ficção com o romance Deus Já Foi Preto, uma obra que mergulha em temas como infância, marginalidade, fé e resistência. O livro está em pré-venda até o dia 24 de outubro, com preço promocional. Leitores da região podem utilizar o cupom “raelmarques” para garantir frete grátis, com as entregas realizadas pelo próprio autor.
Escrito ao longo de quase dez anos, o romance acompanha Ian, um jovem negro que enfrenta fome, violência e solidão, mas também busca amor, dignidade e pertencimento. A ideia para a história nasceu de uma imagem simples, mas carregada de significado. “A inspiração veio quando vi uma foto de uma criança no semáforo e outra dentro do carro, as duas sorrindo como se fossem próximas. Era sobre a inocência que perdemos”, lembra Rael. “Depois, fui encaixando cenas que vi, ouvi ou vivi. Misturei referências, criei personagens e fui descobrindo a história no caminho”.
Nascido em Santos e criado na comunidade do Perequê, no Guarujá, Rael cresceu entre enchentes, precariedade e histórias que hoje ecoam nas páginas do livro. “Sou filho de uma faxineira e de um pescador, vivi uma realidade humilde, como boa parte dos brasileiros da periferia. Muitas situações que presenciei acabaram entrando na narrativa — precisei apenas resgatar as memórias e recriá-las com doses generosas de ficção”.
Poesia como respiro
Em Deus Já Foi Preto, violência e ternura coexistem. O autor afirma que o maior desafio foi equilibrar a dureza das situações com a sensibilidade que permeia o texto. “Eu sabia que não podia suavizar a realidade do Ian, porque ela é dura mesmo. Mas também não queria transformar isso em miséria estética. A poesia entra como um respiro, para humanizar o que o sistema desumaniza. A dureza está nos fatos; a sensibilidade, no olhar”.
Narrado em primeira pessoa, o livro cria proximidade com o leitor. “Queria que ele se sentisse como um amigo ouvindo uma história num bar. É uma obra para quem gosta de ler, mas também para quem não tem esse hábito. A linguagem é crua, direta, sem floreios — um soco atrás do outro”.
Força da consciência
Uma presença simbólica marcante é Malcolm X, cuja filosofia transforma a percepção de Ian. “Quando ele recebe o livro de Malcolm X, não ganha apenas um objeto — ganha um espelho. É quando entende que conhecimento também é resistência. Ser preto não é sinônimo de submissão”.
O título da obra provoca reflexão além do campo religioso. “Quando digo ‘Deus’, não me refiro ao divino, mas à figura humana de Jesus — alguém que andou entre os pobres, sentiu fome, foi perseguido. Um homem que viveu à margem, mais próximo das vielas que dos vitrais”, explica. “O ‘já foi’ carrega o peso da perda e da distorção. Esse Deus existiu, mas foi embranquecido. E quando embranqueceram Deus, embranqueceram a fé, a história e o imaginário de um povo inteiro”.
Afeto como ato político
Apesar da brutalidade, Deus Já Foi Preto celebra o amor e a ternura. “O amor também é resistência. Nas periferias, o afeto é um ato político — é o que mantém as pessoas vivas quando tudo ao redor tenta destruí-las”, afirma o autor.
Denúncia e resistência
Rael enxerga a literatura como ferramenta de transformação social. “Ela dá rosto, voz e sentimento às estatísticas. Faz o leitor sentir o que os números não mostram”.
Para ele, o romance é um gesto de resistência — político, por questionar imposições; poético, por transformar dor em palavra; e emocional, por reafirmar a sensibilidade em tempos de brutalidade. Entre suas referências estão Paulo Lins, Jorge Amado, Ferréz, Carolina Maria de Jesus, Conceição Evaristo, Sérgio Vaz e Luiz Ruffato — autores que, segundo Rael, “retrataram o Brasil real com olhar cru e humano”.
Com Deus Já Foi Preto, Rael encerra um ciclo e abre outro. “Espero que o leitor feche o livro com o coração apertado, mas atento ao que o cerca. Que perceba que, por trás da violência e da desigualdade, existem pessoas cheias de amor, fé e vontade de viver”.
O livro está em pré-venda no site da Mondru Editora até 24 de outubro. Leitores da Baixada Santista podem usar o cupom “raelmarques” para receber frete grátis. Mais informações podem ser conferidas no Instagram do autor @raelmarques_.


Deixe um comentário