
O anúncio da implantação de uma nova Vila Criativa em Santos pode ser o embrião para uma grande polêmica. Isso porque a direção da Associação Beneficente Osvaldo de Rosis (Abor), que há 25 anos mantém atividades rigorosamente no local anunciado pela Prefeitura, não pretende deixar a área e pode ir à Justiça para manter sua sede onde está.
O anúncio da Prefeitura diz que a 11ª unidade do programa será instalada na área de 5 mil m², na Praça Primeiro de Maio, na Ponta da Praia, um espaço próximo aos bairros Aparecida e Estuário. O projeto prevê aquecimento da piscina, colocação de grama sintética no campo de futebol, além de nova pintura. No cronograma aparece também a ampliação da Policlínica, localizada no mesmo terreno, com a construção de mais 400 m².
Segundo a Administração, a nova Vila Criativa dará continuidade às atividades esportivas já desenvolvidas no local, com a garantia de manutenção dos cursos e professores, além de oferecer oficinas artísticas, cursos de qualificação profissional e aulas voltadas à promoção da qualidade de vida, como dança, pilates e ginástica
Publicado no Diário Oficial de sexta-feira (10), o decreto nº 11.016 revoga o anterior, de nº 5.493, de 13 de janeiro de 2010, que concedia permissão de uso, a título precário, do bem público à Associação Beneficente Osvaldo de Rosis (Abor). Com atividades no local há 25 anos, a Abor recebe fomentos da Prefeitura desde meados de 2019. No entanto, este aporte deixa de ser enviado com a revogação do decreto de 2010.
É neste ponto que a polêmica tem início. A direção do Instituto De Rosis diz ter sido surpreendida com o anúncio da Prefeitura e já está estudando medidas para evitar a saída do local. “Trata-se de uma decisão arbitrária, desrespeitosa e sem fundamento, que ameaça diretamente um dos maiores projetos sociais da Baixada Santista”, diz um trecho da nota enviada à redação do Jornal da Orla.
“O mais grave é que a Prefeitura ignora que existem alternativas viáveis para a instalação de uma Vila Criativa. A direção do Instituto já está tomando providências e seguirá dialogando com a sociedade e com as autoridades competentes. Confiamos que o bom senso prevalecerá”, completa a entidade.
JOGO POLÍTICO
Vereador em primeiro mandato em Santos e neto do político que dá nome à Abor, Rui de Rosis Jr (PL) afirma que a questão política foi o único critério adotado pela Prefeitura para anunciar uma Vila Criativa no local onde a associação mantém atividades. Para o parlamentar, a oposição feita por ele na Câmara motivou a Administração a tomar a decisão.
“No ano passado os instrumentos de concessão foram renovados e, de uma hora para a outra, a Prefeitura tem projeto para a área? Isso aconteceu porque eu tenho tido um papel de fiscalizar atos, gastos e de mostrar os problemas da Cidade. É uma resposta do Governo e fico triste com isso. A Prefeitura ataca a população para me atacar”.
Rui de Rosis Jr diz que a primeira concessão da Abor dava conta de atividades esportivas. Com o tempo, as doações, os recursos da direção e algumas emendas parlamentares, a instituição ampliou a atuação. “O fomento da Prefeitura vem desde meados de 2019 e agora foi cortado. Agora, querem jogar fora dinheiro de emendas estaduais e federais para onerar ainda mais os cofres da Cidade”.
O vereador diz que a entidade está estudando as providências a serem tomadas. “Vamos ver o que pode ser feito, ou teremos que encerrar as atividades e dispensar quase 2.200 pessoas que são beneficiadas, além dos professores”.


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