Cena

Escritora santista lança “Deus ama besouros”, na Realejo Livros

08/10/2025 Isabela Marangoni
Karen Ritchie

A professora e escritora Chris Ritchie lança neste sábado (11), a partir das 16 horas, na Realejo Livros, seu romance de formação Deus Ama Besouros. O evento terá leituras, sessão de autógrafos e a apresentação do músico santista Tanauan Nogueira, interpretando clássicos dos Beatles. A obra será vendida por R$ 59,00.

O livro, contemplado pelo 11º Fomento à Cultura (Facult) da Secretaria de Cultura de Santos, acompanha a trajetória de um personagem neurodiverso que busca compreender o mundo, suas emoções e o próprio lugar na existência.

A inspiração para a história veio de um detalhe do cotidiano. “Fui olhar os estojos de lápis do meu filho e percebi que os amarelos estavam quase intactos, enquanto os azuis, verdes e vermelhos já estavam quase no fim. Imaginei uma criança que pintasse justamente o contrário — que usasse mais o amarelo do que todas as outras cores. Assim nasceu o personagem”, conta Chris.

A obra

O que começou como um conto se transformou em um romance de formação, gênero que acompanha a evolução do protagonista da infância à vida adulta. “O livro se passa no dia do seu 27º aniversário — o primeiro de sua segunda vida”, explica. “Após um episódio de violência extrema aos 26 anos, ele reúne amigos e decide compartilhar os momentos que definiram sua vida”.

Cada capítulo leva o nome de uma mulher, e isso não é por acaso. “São as mulheres que oferecem insights e impulsos de transformação. Não é que elas o salvem — muito pelo contrário —, mas é nas relações com elas que ele se descobre e amadurece”.

Chris optou por não definir um diagnóstico para o personagem. “Quis que qualquer pessoa pudesse se identificar com suas emoções — raiva, medo, tristeza, amor, paixão, dúvida. No fundo, o livro fala de humanidade”.

O título surgiu de uma curiosidade científica. “Descobri que existem quase 400 mil espécies de besouros catalogadas. São animais pré-históricos que não se extinguiram. Pensei: ‘Deus deve amar os besouros’”. Ela também cita o geneticista e biólogo britânico-indiano John Burdon Sanderson Haldane, que disse algo parecido: “Não sei se um Deus existe, mas se existir, ele adora besouros”.

A capa do livro dialoga diretamente com a narrativa. Baseada em um quadro do pintor Otto Bache (1871), apresenta alterações simbólicas, como a mudança de sexo do cachorro e a inclusão de uma joaninha, símbolo de sorte que reaparece no último capítulo.

Apoio público

Publicada com recursos do Facult, Chris realizou apresentações gratuitas em bibliotecas e espaços públicos da cidade. “Sou ativista da leitura. Educação é o caminho, e a leitura é o seu coração. Não basta ler o livro; é preciso conversar sobre ele. A mediação transforma a leitura em experiência”, defende.

A autora também alerta para o afastamento das pessoas da literatura e a dificuldade de diálogo em tempos de desinformação. “Hoje, com fake news e até a inteligência artificial criando conteúdos falsos, é fácil ser enganado. O pensamento crítico, estimulado pela leitura, nos protege. Quem lê ficção entende melhor o outro e desenvolve empatia — justamente o que está faltando”.

Mais do que um romance sobre um homem e seus besouros, o livro é um convite a refletir sobre aquilo que nos conecta. “Não importa quem a pessoa seja, ela sente as mesmas emoções que eu. É humana como eu. É isso que eu gostaria que o leitor levasse da leitura”.