Cena

Tarrafa Literária celebra 17 edições com novidades na programação

03/10/2025 Isabela Marangoni
Reprodução/Redes Sociais

A Tarrafa Literária chega à sua 17ª edição reafirmando Santos como um dos principais palcos de encontros culturais do país. O festival acontece de 23 a 26 de outubro, das 14 às 20 horas, no Teatro Guarany e na Praça dos Andradas, com programação totalmente gratuita, incluindo palestras, mesas de debates e sessões de autógrafos. A abertura oficial está marcada para o dia 15 de outubro, às 19 horas, no Teatro Municipal Brás Cubas, com ingressos disponíveis na bilheteria.

Idealizador do festival, o livreiro José Luiz Tahan lembra que a Tarrafa nasceu de uma percepção muito particular sobre a cidade. “A Tarrafa começou a ser pensada dois anos antes da estreia, em 2009, porque eu entendia que Santos tinha condições muito especiais para hospedar um festival de literatura. É uma cidade marcada pelo encontro de culturas que chegaram pelo porto, pela miscigenação, pela consciência política e por um centro histórico único”, afirma.

Para ele, cada evento carrega a identidade da cidade que o acolhe, e em Santos isso se traduz de forma marcante. “Nenhum festival literário é igual ao outro. Aqui a gente soma a história da cidade, o protagonismo cultural e político dela, o público leitor já preparado e um livreiro de rua que acredita nesse encontro. Isso dá à Tarrafa um lugar de destaque no circuito nacional e até internacional”.

Programação diversa

A curadoria busca ser uma “caixa de ressonância do mundo contemporâneo”, equilibrando autores consagrados, novas vozes e diferentes perspectivas. “É importante estar atento ao cânone, mas também às apostas. Essa mistura é que dá identidade ao festival”, explica Tahan.

Nesta edição, mais de 30 convidados participam do evento. Entre eles, a escritora Aline Bei, o antropólogo e best-seller Michel Alcoforado, os estrangeiros Afonso Cruz (Portugal) e Ondjaki (Angola), além de nomes consagrados como Milton Hatoum, Tati Bernardi, Daniela Arbex, Anna Virginia Balloussier e Luiz Antonio Simas, pesquisador da cultura popular brasileira.

Abertura e novidades

A noite de abertura, marcada para o dia 15 de outubro, às 19 horas, no Teatro Municipal Brás Cubas, terá o espetáculo “Céu da Língua”, de Gregório Duvivier. A apresentação é gratuita.

Entre as novidades está a Tarrafinha, programação voltada ao público infantil e juvenil. Este ano, além do Teatro Guarany, as atividades chegam também ao Arte no Dique, ampliando o acesso à literatura para a periferia. A escritora Mariana Carrara será a convidada especial. “Eu pensei: por que não levar uma grande autora para um lugar de acesso mais difícil? Como lá vai ter uma plateia de 7 a 17 anos, escolhi alguém que dialoga com as duas faixas etárias. É uma novidade importante desta edição”, destaca Tahan.

O festival ainda contará com transmissão ao vivo na Praça dos Andradas, em uma tenda com telão, além da programação tradicional na livraria Realejo.

Impacto

Para Tahan, a Tarrafa é hoje parte essencial da vida cultural da cidade. “Imagino como seria Santos sem a Tarrafa e sem a Realejo. O festival é a concretização de uma ambição saudável: a de pensar grande e mostrar que a cidade merece ter um evento literário desse porte”.

Ele destaca ainda o efeito transformador do festival no público. “Recebo pais que me dizem que não liam, mas levaram os filhos à Tarrafinha e hoje eles são jovens leitores. Esse tipo de colheita é o que faz tudo valer a pena”.

A 17ª Tarrafa Literária acontece de 23 a 26 de outubro, no Teatro Guarany e na Praça dos Andradas, com abertura no dia 15, no Teatro Municipal Brás Cubas. Todos os eventos são gratuitos. “Espero debates acalorados, festividade e muita gente que gosta de ler se reunindo em Santos. A cada edição o evento cresce mais, mas a experiência é única — e depois, só no ano que vem”, conclui Tahan, deixando ainda uma dica ao público. “Prestigiem os autores comprando seus livros. O preço é o mesmo das livrarias, mas com a chance de ouvir e pegar autógrafo ao final de cada mesa”.