
Para marcar três décadas de trajetória na cena cultural, o fotojornalista e cineasta Eduardo Ricci lançou o podcast Ex-Quina – Cultura e Cinema Expandido, que reúne reflexões sobre cinema, filosofia, psicologia, gastronomia e cultura, sempre em diálogo com conceitos como memória, presença e sincronicidade. Disponível nas principais plataformas de áudio, o projeto oferece ao público uma experiência sensorial e cultural repleta de sabores e saberes cinematográficos. Os sete primeiros episódios serão lançados quinzenalmente, com o próximo programado para 9 de outubro.
A iniciativa surgiu em um momento de encruzilhada criativa. Alguns projetos planejados para celebrar os 30 anos — como o filme-instalação Café Aromacine, inspirado na Rua XV de Novembro, em Santos — ainda estão em produção e devem ser lançados apenas em 2026. O podcast, por sua vez, permitiu que a celebração começasse de forma imediata e acessível. “A escolha de um podcast para marcar meus 30 anos de cinema é, sobretudo, a vontade de não estar sozinho. É criar uma escuta compartilhada. Ele me permite trazer vozes que normalmente não fariam parte do nosso ciclo, conversas que eu gostaria de ouvir em outros programas e que ainda não existem”, afirma Ricci. “Posso gravar em casa, no estúdio, e até mesmo em viagens. O essencial é que o conteúdo seja interessante”.
Conceito
Inspirado pelo ensaio fotográfico Verticidades, no qual percorre o mundo capturando a essência de esquinas, o podcast propõe que esses lugares de encontro guardam histórias e significados. O título Ex-Quina brinca com múltiplos sentidos: esquina como ponto de encontro e decisão; quina como instante pontiagudo; e ex como transformação. “O nome sugere a ideia da esquina, momento em que você vira e descobre algo novo. Aos poucos, as quinas se tornam esquinas, menos pontiagudas, mais maleáveis, prontas para o diálogo com o ouvinte”, explica Ricci.
Assim como nas fotografias de Verticidades, o podcast registra o instante presente e suas possíveis ressonâncias futuras. “É preciso estar atento ao momento. O que você percebe agora pode germinar como semente que floresce mais tarde em sincronicidade. O podcast permite depurar verbalmente momentos significativos, conectando ensaios cinefotográficos e acontecimentos do cotidiano com crises atuais e a encruzilhada civilizatória”, afirma o cineasta.
Episódios
Com duração média de 30 minutos, os episódios misturam análise cinematográfica, filosofia, tarot, gastronomia e experiências pessoais. O objetivo não é apenas criticar filmes, mas explorar conexões inesperadas: uma cena pode dialogar com uma carta de tarot ou um vinho de determinada região, provocando sincronicidade no público. “Desde minha primeira exposição, em 1995, nos 100 anos do cinema, venho desenvolvendo pesquisas em cinema expandido, urbanidade afetiva e gastronomia. O podcast é mais uma forma de dar corpo a essa trajetória”, diz Ricci.
Processo em construção
O Ex-Quina segue em amadurecimento, com episódios lançados quinzenalmente e explorando intersecções entre cinema e vida cotidiana. A linguagem sonora é central: jazz, soul, blues, chorinho e samba constroem paisagens que conectam cinema e memória afetiva. “A linguagem sonora permite que o ouvinte imagine a geografia de cada passo, cada porta que se abre, cada som que surge. Aos poucos, a paisagem sonora se torna mais robusta, imersiva e sensorial”, comenta.
Sensorialidade e curadoria
O conceito de cinema expandido, presente em muitos projetos de Ricci, aparece no podcast como uma quebra das regras tradicionais da narrativa audiovisual. Sons inesperados — como água borbulhando — ajudam a criar tensão e transportar o ouvinte a outro lugar, estimulando imagens mentais a partir da narrativa sonora e das conexões com gastronomia, tarot e urbanidade afetiva.
Experiências em cineclubes e festivais foram decisivas para o desenvolvimento do podcast. “O podcast é uma espécie de curadoria: organizar informações, cinema, gastronomia e urbanidade afetiva para ajudar o ouvinte a elaborar e ‘curar’ experiências. Curar é como deixar um queijo desenvolver sabor e textura ao longo do tempo. Cada um cria sua própria percepção”, explica Ricci.

Formato e acesso
Os sete primeiros episódios estão programados para lançamento quinzenal às quintas-feiras pela manhã, no Amazon Music e Spotify, e futuramente em vídeo no YouTube e outras plataformas. Não há entrevistados fixos por enquanto; a maior parte é dedicada às experiências de Ricci e às conexões com cinema, gastronomia e urbanidade afetiva. “As esquinas que atravessamos no podcast são metáforas de experiências, encontros e reflexões que convidam à conexão e à descoberta pessoal”, conclui.
O Ex-Quina propõe múltiplas janelas conectadas, permitindo que cada ouvinte construa sua própria experiência sensorial e cultural — como degustar um prato elaborado, camada por camada, sem receitas prontas, mas com inúmeras possibilidades de interpretação. O primeiro episódio já está disponível nas principais plataformas de áudio e o próximo sairá dia 9 de outubro.


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