Cena

Julie Andrews faz 90 anos

01/10/2025 Gustavo Klein
Reprodução

Julie Andrews completa hoje 90 anos, celebrando uma carreira marcada por sucessos, prêmios e reconhecimento internacional. Reconhecida por sua voz angelical e impressionante alcance vocal, ela atravessou décadas como atriz, cantora, bailarina e artista completa, conquistando público e crítica com talento raro, disciplina e presença impecável.

Suas atuações em Mary Poppins e A Noviça Rebelde, junto a performances na Broadway, gravações de clássicos e programas de televisão, consolidaram sua reputação como uma das maiores artistas do século XX e XXI. Ao longo da carreira, conquistou Oscar, três Grammys e sete Emmys, deixando marcas indeléveis na cultura mundial.

Julie nasceu como Julia Elizabeth Wells em 1º de outubro de 1935, em Walton-on-Thames, Inglaterra. Filha de um professor e de uma pianista talentosa, revelou cedo habilidades musicais excepcionais, incluindo alcance vocal amplo e dicção impecável. Aos oito anos começou a estudar canto com Lilian Styles-Allen e, ainda criança, estreou no rádio britânico, apresentando-se para a família real.

Com dez anos, passou a integrar o ato musical da família e adotou o sobrenome Andrews. Sua trajetória precoce foi marcada por apresentações em programas infantis, pantomimas de Natal e atuações que mesclavam canto e interpretação, sinalizando desde cedo uma carreira singular.

Na adolescência, participou de programas de rádio e estreou em vaudeville aos 12 anos. Aos 13 anos tornou-se a mais jovem cantora a se apresentar no Royal Variety Performance, evento transmitido para milhões de espectadores e que abriu caminho para seu reconhecimento internacional.

O convite do produtor americano Cy Feuer para estrelar The Boy Friend, na Broadway, consolidou sua carreira nos Estados Unidos. O sucesso foi imediato, e Andrews rapidamente se destacou em My Fair Lady e Camelot, onde seu talento vocal, carisma e sensibilidade dramática encantaram plateias e críticos.

No cinema, Mary Poppins (1964) trouxe reconhecimento mundial e o Oscar de Melhor Atriz, seguida por A Noviça Rebelde (1965), cuja popularidade atravessa gerações e mantém celebração internacional até hoje. Outros trabalhos notáveis incluem Victor ou Vitória, Positivamente Millie, Cortina Rasgada, Sede de Amar e O Diário da Princesa 1 e 2, filmes que evidenciam sua versatilidade, elegância e capacidade de se reinventar continuamente. A carreira cinematográfica se soma à musical, com gravações de compositores como Rodgers & Hammerstein, Gershwin e Kurt Weill, além de intérpretes brasileiros como Tom Jobim, Ivan Lins e Luiz Bonfá.

Tevê

Além de cinema e música, conquistou prêmios em televisão, incluindo sete Emmys pela série The Julie Andrews Hour, que revelou suas múltiplas habilidades como cantora, atriz e bailarina. Em 1997, demonstrou generosidade ao retirar sua indicação ao Tony por Victor ou Vitória em solidariedade à equipe. Próxima dos 90 anos, continua ativa em dublagem, como na série Bridgerton, e em filmes como Aquaman, provando que sua presença artística permanece relevante.

O crítico André Azenha ressalta que Julie Andrews é uma artista que transcende gerações. Ele observa que sua trajetória começou no teatro britânico infantil e se estendeu ao teatro lírico e dramático, culminando nos palcos da Broadway. Para Azenha, sua grandeza vai além da voz e do talento: envolve generosidade, elegância e respeito pelos colegas. Ele destaca que Julie manteve consistência e padrão de excelência, encantando plateias de diferentes gerações e consolidando-se como referência no entretenimento mundial.

O professor e crítico Waldemar Lopes amplia o olhar sobre a carreira musical e cinematográfica de Andrews. Segundo ele, suas qualidades como cantora e atriz são excepcionais: ela gravou um dos maiores números de álbuns da história, apresentou a série The Julie Andrews Hour, dançou e cantou com artistas como Gene Kelly e Nureyev em Invitation to the Dance, sendo homenageada pelo Dancers’ Society.

Cantou duetos memoráveis com Plácido Domingo, Johnny Cash, Sammy Davis Jr., Andy Williams, Mama Cass e John Denver, mostrando versatilidade, rigor técnico e presença de palco impressionantes. Lopes destaca que Julie iniciou sua carreira profissional aos 12 anos, com quase 80 anos de trajetória artística, e que sua voz alcançava incríveis quatro oitavas.

Marcos históricos

Ele lembra três marcos históricos: Cinderella (1957), transmitida ao vivo para mais de 100 milhões de espectadores; High Tor (1956), o primeiro telefilme da história, ao lado de Bing Crosby; e Mary Poppins, que lhe rendeu quatro prêmios notáveis — Oscar, Globo de Ouro, Bafta e Grammy — feito único na história do cinema. Lopes enfatiza que o sucesso de Mary Poppins possibilitou a Walt Disney comprar o terreno da Disneyworld, inaugurada em 1971 com show especial de Julie.

Para Lopes, a versatilidade de Julie vai além de filmes e musicais. Ela brilhou em Havaí e Positivamente Millie, de George Roy Hill, Cortina Rasgada, de Hitchcock, Sede de Amar, de Konchalovsky, e no clássico teen O Diário da Princesa 1 e 2. Atuou também em três shows com Carol Burnett e recentemente emprestou sua voz em Shrek, Meu Malvado Favorito e Bridgerton, conquistando seu terceiro Emmy. Mesmo após perder a voz cantante em cirurgia, reinventou-se, mostrando resiliência e criatividade.

Lopes acrescenta que Julie é também uma escritora de livros infantojuvenis, com mais de 33 títulos publicados, inspirando cantores, dançarinos e atores, incluindo nomes como Tom Hanks, Amy Adams e Michelle Williams. Sua influência é sentida em séries como Emily em Paris, True Blood, Medium e Wandinha, além de constar na lista de Schwarzenegger com os seis melhores filmes de todos os tempos. Lopes conclui que Julie Andrews é uma unanimidade, exemplo de integridade, talento e generosidade.

Julie atravessou gerações, adaptando-se às transformações da indústria do entretenimento sem perder autenticidade. No teatro, cinema, televisão e música, sua presença impôs padrão de excelência e refinamento. O reconhecimento internacional, os prêmios conquistados e a influência cultural consolidam seu legado como uma das maiores artistas do século XX e XXI.

Sua trajetória é marcada pela dedicação à arte e pelo respeito aos colegas e ao público. Ela se manteve fiel à qualidade, mostrando que talento aliado à generosidade e profissionalismo constrói uma carreira admirada mundialmente. Mesmo após seis décadas de atuação, continua a inspirar novas gerações, mostrando que grandeza artística depende de emoção, consistência e paixão, não apenas de prêmios.

Julie permanece associada ao refinamento do musical, à excelência vocal e à integridade profissional. É uma das artistas mais completas e respeitadas da história, cuja obra continua referência para cantores, atores e amantes do entretenimento em geral.

É difícil definir Julie Andrews em poucas palavras. Talento talvez seja a mais óbvia. Doçura também. A artista que começou no teatro infantil britânico conquistou o mundo sem perder autenticidade, mantendo excelência e conquistando novos públicos.

A Noviça Rebelde, Mary Poppins, My Fair Lady, Camelot e shows internacionais refletem talento, disciplina e paixão pela arte. Sua vida e carreira confirmam que grandes artistas transcendem o tempo e continuam a encantar gerações.

Julie Andrews não é apenas um ícone do cinema musical e da música, mas um exemplo de integridade e dedicação artística. E é Waldemar Lopes quem resume Julie Andrews em uma única palavra (gigante como ela): “Julie é supercalifragilisticexpialidocious”.