Cena

Spotify lança novas regras para uso de IA em seu streaming

29/09/2025 Da Redação
Divulgação

O Spotify anunciou, durante uma apresentação realizada mundialmente para a imprensa nesta quarta-feira, 24, que vai endurecer as regras em relação a músicas geradas por inteligência artificial e incluídas na plataforma. A novidade foi anunciada por Charlie Hellman, vice-presidente e chefe de produto musical do Spotify, e por Sam Duboff, responsável pela política regulatória no streaming.

Agora, o serviço vai contar com uma identificação de “músicas spam”, como são chamadas faixas sem qualidade criadas apenas para gerar royalties de forma fraudulenta. A plataforma ainda irá rotular canções geradas por IA e vai impedir que vozes de artistas sejam recriadas e usadas sem autorização.

A problemática se arrasta há tempos, e as discussões em torno dela têm se tornado cada vez mais fortes com a sofisticação da inteligência artificial. No mês passado, o Estadão falou com especialistas sobre o avanço da ferramenta e de que forma músicas criadas artificialmente poderiam agradar mais o cérebro por padrões repetitivos. À época, o Spotify ainda não tinha nenhum recurso para indicar músicas feitas por IA e optou por não participar da reportagem. Na quarta, a plataforma negou rumores de que teria criado músicas com a ferramenta para incluir em playlists e não pagar royalties a artistas. “Já estivemos aqui antes, de maneiras diferentes. Pense nos primeiros gravadores multicanal, na chegada do sintetizador, nas estações de trabalho de áudio digital, no autotune”, comentou Charlie Hellman durante o briefing virtual. “Mas o fio condutor em cada um desses momentos era que cabia aos artistas decidirem, e o trabalho do resto de nós na indústria era garantir que essas decisões permanecessem em suas mãos.”

O vice-presidente afirmou que a plataforma tem consciência de que há pontos positivos e pontos negativos do uso de IA na música. O objetivo, segundo ele, é dar aos artistas o poder de escolha sobre como trabalham, inclusive se usarão ou não a IA, e de dar aos ouvintes consciência sobre o que está sendo escutado. “Não estamos aqui para punir artistas por usarem a IA de forma autêntica e responsável. Esperamos que o uso de ferramentas de produção de IA pelos artistas lhes permita ser mais criativos do que nunca, criar mais conteúdo que entusiasme os fãs e oferecer a melhor experiência possível no Spotify”, disse. “Mas estamos aqui para deter os malfeitores que estão manipulando o sistema. E só podemos nos beneficiar de todo esse lado bom da IA se nos protegermos agressivamente contra o lado negativo.”

O que vai mudar?

Conforme Sam Duboff, serão três as principais atualizações na plataforma. Confira detalhadamente como vai funcionar cada uma abaixo.

– Divulgação de IA nos créditos musicais: O Spotify disse estar apoiando um novo padrão para a indústria criado pela empresa DDEX, organização internacional para definição de padrões. Caso uma faixa inclua vocais gerados por IA, instrumentação de IA ou pós-produção assistida por IA, como mixagem ou masterização, essa informação será exibida nos créditos da plataforma ou de qualquer outro serviço que também utilize o padrão da DDEX. Segundo o streaming, mais de 15 selos e distribuidores musicais firmaram o compromisso de divulgar créditos de músicas feitas com IA.

– Novo filtro de spam para músicas: Conforme a plataforma, alguns usuários têm usado a IA para fazer uploads em massa de conteúdo, criar duplicatas de músicas e usar truques de SEO para manipular as buscas no serviço. Agora, o Spotify vai contar com um filtro de spam que vai mostrar as faixas que utilizaram essas táticas e vai impedir sua recomendação no streaming – e, consequentemente, sua monetização.

– Proteções mais fortes contra personificação: O Spotify vai identificar e remover clones de voz feitos por IA e não autorizados, deepfakes ou qualquer outro recurso que gere uma réplica da voz de determinados artistas. Segundo o serviço, a plataforma já trabalha diretamente com servidores que realizam testes para barrar esse tipo de conteúdo antes mesmo que ele chegue às plataformas de streaming.

De acordo com o Spotify, as mudanças entraram em vigor na quarta e, em alguns casos, a política de personificação entrará em vigor a partir desta quinta, 25. O filtro de spam está sendo implementado aos poucos para garantir que a plataforma vai penalizar o conteúdo certo. “Não damos tratamento especial à música gerada por IA no Spotify. Não penalizamos artistas por usarem a IA como parte de sua cadeia de trabalho criativo. Mas seremos agressivos em derrubar fábricas de conteúdo, a personificação, e qualquer pessoa que esteja tentando manipular o sistema”, disse Charlie.