
Ressacas com ondas de até três metros de altura, ventos com velocidade acima dos 100 km/h, acúmulo de lixo, alagamentos, deslizamentos de terra, incêndios, calor em época de frio, frio em tempo de calor, sol e chuva… O clima enlouqueceu? Definitivamente, não. A natureza talvez esteja apenas agindo com naturalidade (licença para o trocadilho) as nossas investidas, cobrando planejamento, mudança de hábito e atitudes urgentes.
Promovido pelo Jornal da Orla, em parceria com a ACS e a TV Record Litoral, o BS Debate reuniu especialistas e autoridades para falar dos os desafios e urgências que as questões ambientais exigem, inclusive o uso de fontes alternativas de energia, como a solar.
“Não se trata de avaliar como vamos nos organizar para o futuro, mas como agir no presente. Os impactos das mudanças climáticas são reais e estão acontecendo, com implicações na economia, na agricultura, nas políticas sociais e na geopolítica. Precisamos debater e agir de maneira integrada, para reduzir esses impactos”, destacou o diretor-geral da Rede BE News, Leopoldo Figueiredo, ao abrir a quarta edição do BS Debate, terça-feira (23), na Associação Comercial de Santos (ACS).
“Os mais pobres são os que mais sentem os impactos das mudanças do clima, pois estão nas palafitas, nas encostas e em áreas de vulnerabilidade”, afirmou Oswaldo Lucon, da Fundação Floresta e professor da Universidade de São Paulo (USP), que participou do painel “Mudanças climáticas: impactos nas cidades da Baixada Santista”.
Os participantes – dentre os quais seis secretários municipais da área ambiental – foram unânimes ao apontar a necessidade da adoção de medidas urgentes e integradas. Em outras palavras, é fazer valer a proposta da criação da Região Metropolitana da Baixada Santista, instituída desde 2006.
Inclusive, a Agência Metropolitana (Agem) conta com planos para gestão integrada de resíduos sólidos, mobilidade e logística sustentáveis e até um documento denominado Subsídios – Plano Regional de Adaptação e Resiliência Climática da Baixada Santista.
Outra unanimidade se deu em relação à falta de recursos nos municípios, o que obriga as administrações a buscarem alternativas. Cubatão e São Vicente, por exemplo, assinaram convênios com universidades públicas e um instituto de pesquisa.
CARBONO NEUTRO

Cleiton dos Santos, secretário de Meio Ambiente, Segurança Climática e Bem-Estar Animal de Cubatão, destacou que a Prefeitura assinou, em abril, parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), no programa Centro de Ciência para o Desenvolvimento Cidades Carbono Neutro.
“O IPT fará um diagnóstico ambiental para identificar o que Cubatão possui de ativo e passivo nas questões relacionadas à quantidade de carbono e outros gases do tipo. O estudo vai nos auxiliar a mitigar a emissão de gases de efeito estufa e garantir maior equilíbrio na sustentabilidade ambiental na cidade, com impactos positivos na região”.
O secretário falou da importância de agir com base na justiça climática e ressaltou o trabalho de retirada das famílias das áreas de risco e de alta vulnerabilidade, em Cubatão, transferindo-as para projetos habitacionais, como o Vila Esperança e o do Jardim São Francisco.
São Vicente une ciência e vivência popular

Em São Vicente, a Prefeitura firmou convênio com a Fundação para o Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), para desenvolvimento do Programa Coop Clima, que inclui 40 pesquisadores e cinco doutorandos de universidades públicas.
“O objetivo é fazer levantamentos de dados e escutar a população, gerando informações que irão pautar as políticas públicas com base na justiça climática. Ou seja, precisamos tratar as desigualdades de maneira diferenciada, para que a população mais vulnerável tenha tratamento como os demais moradores e não seja sempre a mais prejudicada”, explicou Flávia Ramaciotti, secretária municipal de Meio Ambiente.
Flávia destacou a importância do BS Debate e a necessidade de discutir e agir para além da Cidade. “Não existem soluções individuais. Por exemplo, 80% dos resíduos sólidos que recebemos não são gerados no Município. Este não é um problema só de São Vicente”.
Segundo a secretária, o Coop Clima está orçado em R$ 480 mil, sendo que 50% são financiados pela Fapesp e 50% virão de captação que a Prefeitura está buscano com fundos governamentais.
“Não há gastos da Administração. O convênio é de 30 meses e está na metade. Os pesquisadores estão ouvindo a população, desenvolvendo oficinas, debatendo as questões. Ainda não dá para falar com certeza, mas os temas que mais têm aparecido dizem respeito às moradias precárias, alagamentos e eventos extremos.
Queremos agregar o conhecimento técnico e científico à gestão pública, considerando as experiências de quem vive os problemas. No final, teremos um observatório, ou seja, um grupo técnico que acompanhará o desenvolvimento do programa”, conclui a secretária. (MAF)


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