Economia

Santos completa um ano de alta nos índices de inadimplência

24/09/2025 Mariana Nerome
Agência Brasil

O aperto no orçamento doméstico virou realidade para milhares de famílias santistas. Entre juros altos, inflação e renda que não acompanha o custo de vida, muitas pessoas recorrem ao cartão de crédito, empréstimos bancários e outras modalidades de financiamento para fechar as contas do mês. O resultado aparece nos Dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) que mostram a inadimplência crescente na cidade, que subiu 7,63% entre agosto de 2024 e agosto de 2025.

O levantamento, divulgado pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) Santos-Praia, coloca o município acima das médias regionais do Sudeste (0,68%) e nacional (0,71%) no comparativo mensal de agosto ante julho deste ano.

O último período de queda no indicador ocorreu em agosto de 2024, com retração de 0,71%. A partir de setembro do ano passado, os números voltaram a crescer de forma ininterrupta.

O presidente da CDL Santos Praia, Nicolau Miguel Obeidi, atribui o cenário à conjuntura econômica nacional. “Não constitui algo exclusivo da região, sabemos de forma mais detalhada por acompanhar sempre. Temos a questão do aumento dos juros e o aumento nos preços de alimentos e insumos”, afirma.

O dirigente destaca o impacto da taxa básica de juros, atualmente em torno de 15%. “As pessoas perdem o poder de compra porque gastam mais ou ficam desempregadas. Uma das saídas constitui recorrer aos bancos para empréstimos. Isso aumenta o endividamento e vira uma bola de neve, porque as contas não fecham”, explica Obeidi.

RANKING

O setor bancário concentra 80,83% das dívidas em atraso registradas em Santos durante agosto e lidera o ranking. A participação supera significativamente outros segmentos: comunicação (4,07%), água e luz (3,96%) e comércio (2,54%).

Cada consumidor inadimplente da cidade deve, em média, R$ 6.288,36, considerando todas as pendências financeiras. O tempo médio de atraso atinge 29 meses, com 36,71% dos devedores mantendo dívidas em aberto entre um e três anos.

PERFIL

A faixa etária de 50 a 64 anos representa 24,53% dos consumidores negativados em Santos. A distribuição por gênero representa 52,51% mulheres e 47,49% homens.

Quanto aos valores devidos, 23% dos inadimplentes possuem dívidas de até R$ 500, enquanto 23,22% acumulam débitos superiores a R$ 7.500. Na faixa intermediária, entre R$ 2.500,01 e R$ 7.500, concentram-se 23,06% dos casos.

O número médio de dívidas por pessoa inadimplente alcançou 2,270 em agosto, ficando abaixo da média regional (2,276) e acima da nacional (2,228).

SINCOMÉRCIO

Para Omar Abdul Assaf, Omar Abdul Assaf, presidente do Sincomércio Baixada Santista e Vale do Ribeira, a inadimplência em alta por 12 meses consecutivos impacta diretamente o comércio varejista de Santos, pois reduz o poder de compra das famílias e gera insegurança nas vendas a prazo.

“Esse cenário acaba exigindo mais cautela por parte dos lojistas, que enfrentam aumento de custos e instabilidade no fluxo de caixa. O consumidor com dívidas tende a priorizar compromissos essenciais, o que limita o giro no comércio local.”, comenta Assaf.

EXPECTATIVAS

Obeidi observa que os lojistas oferecem descontos, promoções e facilidades no parcelamento para contribuir com a reversão do quadro. A expectativa da CDL Santos Praia para os próximos meses depende da política monetária nacional. “Se os juros continuarem altos, fica difícil reverter este quadro”, projeta Nicolau. O dirigente enfatiza a necessidade de ações governamentais para melhorar a situação. “Pessoas eleitas para tentar melhorar a realidade do nosso país precisam trabalhar para reduzir os juros”, destaca.