Economia

Deflação atinge 0,46% e alivia custos no setor de alimentação

16/09/2025 Mariana Nerome
Divulgação/Abrasel

Depois de meses enfrentando o aperto no orçamento com preços de alimentos disparando, os comerciantes e os consumidores podem respirar mais aliviados. Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), baseado nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no mês de agosto, o mercado geral registrou uma deflação de 0,11%, primeira queda expressiva desde agosto de 2024 (-0,02%) e a mais intensa desde setembro de 2022 (-0,29%). O cenário não é diferente no setor de Alimentação e Bebidas que apresentou queda de 0,46%.

Esse é o terceiro mês consecutivo que este grupo configurou uma deflação. Julho apresentou 0,27% e, junho, 0,18%. O segmento ainda se divide em dois subgrupos principais: alimentação fora do lar e alimentação no domicílio.

A alimentação fora do lar desacelerou de 0,87% em julho para 0,50% em agosto. Na alimentação no domicílio, tomate (-13,39%), batata-inglesa (-8,59%), cebola (-8,69%), arroz (-2,61%) e café moído (-2,17%) apresentaram as maiores reduções.

Para o líder de relacionamento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) Baixada Santista, Guilherme Karaoglan, apesar da melhora geral, há alguns itens que ainda necessitam de atenção.

“As proteínas animais continuam sendo um ponto, especialmente carnes bovinas e pescados, que têm forte impacto na gastronomia da região. Além disso, alguns insumos importados — como azeite de oliva e itens específicos da culinária internacional — seguem com preços pressionados pela variação cambial e custos logísticos”, afirma Guilherme.

EXPECTATIVA

Karaoglan explica que a expectativa para os próximos três meses é de um cenário de estabilidade com leve tendência de manutenção da deflação em alguns itens básicos.

“Entendemos, contudo, que o mercado de alimentos é muito sensível a fatores climáticos e logísticos, o que pode provocar oscilações. Por isso, trabalhamos com cautela: celebramos o alívio atual, mas seguimos atentos a movimentos sazonais e possíveis pressões de custo nos próximos meses”, ressalta.

CONTRATAÇÕES

Com a melhora nos custos de alimentos, o setor registra movimento positivo nas contratações, ainda que tímido, segundo a Abrasel da região. Os estabelecimentos voltam a abrir vagas, principalmente em funções operacionais ligadas à cozinha e atendimento. Já os empresários mantêm cautela, preferindo reforçar o quadro atual antes de expandir.

“O que vemos é uma retomada gradual da confiança, mas longe ainda de uma explosão de contratações”, ressalta o líder.

GRUPOS

Habitação apresentou deflação de 0,90%, seguido por Alimentação e Bebidas, após isso, surge o setor de Transportes que recuou 0,27%, enquanto Artigos de residência e Comunicação registraram deflação de 0,09% cada.

No campo das altas, Despesas pessoais subiram 0,40%, Saúde e cuidados pessoais avançaram 0,54% e Vestuário registrou alta de 0,72%. Educação liderou os aumentos com 0,75%, que saiu de índice zerado em julho.

EDUCAÇÃO

Ainda segundo os dados da pesquisa, o aumento decorre dos reajustes nos cursos regulares (0,80%), com destaque para ensino superior (1,26%) e ensino fundamental (0,65%).