
O Jardim Botânico Chico Mendes, em Santos, recebeu, neste domingo (14), a 3ª edição do AMA – Acolhimento às Mães Atípicas, promovido pelo Instituto Victor Gabriel. Voltado a famílias de pessoas com deficiência, o evento ofereceu atividades gratuitas de integração, bem-estar e troca de experiências para mães, crianças, adolescentes e adultos.
A edição reuniu 70 famílias inscritas e mobilizou mais de 80 voluntários. A programação teve início com um café da manhã seguido de uma roda de acolhida, que abriu espaço para uma série de atividades simultâneas, como toque quântico, terapias assistidas por animais, massagens, rodas de escuta, oficinas ao ar livre e outras experiências de bem-estar.
A idealizadora do Instituto, Cristina Fernandes, educadora e mãe de Vitor Gabriel, jovem autista de 23 anos, destacou que o AMA reafirma a importância de cuidar de quem cuida. “Se as mães não estiverem bem, não conseguem perceber plenamente as necessidades dos filhos. Por isso, promovemos bem-estar, informação e acolhimento”, afirmou.
Programação diversa e inclusiva
O encontro contou com oficinas de arteterapia, capoeira inclusiva, circo, contação de histórias, Pilates, atividades na natureza, música e dança. Especialistas e terapeutas voluntários ofereceram práticas integrativas e complementares. “Esse é um dia de alegria, empatia e de voltar a ser criança. Queremos que as famílias saiam revigoradas, porque o cuidado reverbera no dia seguinte”, destacou Cristina.
O músico terapeuta Rafael Palmieri conduziu rodas de sensibilização e musicalização, enquanto oficinas de circo e contação de histórias proporcionaram interação e bem-estar. “Ver a alegria das famílias é gratificante. Orientamos para que entrem na nossa comunidade e deem continuidade ao que vivenciam aqui”, acrescentou.
O Instituto Autismo Brasil, representado por Fabiola Souza, destacou a colaboração entre organizações sociais. “Aqui temos mais de 50 pessoas voluntariamente apresentando seu trabalho, sem interesse econômico. Isso é o que esperamos do social. O autismo não é uma corrida de 100 metros, é uma maratona. É preciso cuidar de si para cuidar do outro”, afirmou.
Yoga, maquiagem e autocuidado
Entre as atrações, Yoga Restaurativa e Make Terapia ofereceram momentos de pausa e autocuidado.
Veridiana Julião, facilitadora do yoga, destacou: “Essas mães precisam desse momento de acolhimento. Quando você desperta o amor por si, está mais disposta a levar isso para os outros”.
Luana Konno, especialista em Make Terapia, reforçou a importância do cuidado pessoal. “Todo mundo merece essa pausa. Olhar para o espelho, melhorar a autoestima, dá força para enfrentar a vida”.
Participantes também compartilharam experiências. Eliomara de França, mãe de Arthur Samuel, nível 2 de suporte (grau de dependência que a pessoa com TEA tem), comentou. “Quando recebi o diagnóstico, foi como um luto. Eventos como o AMA nos lembram que, para que os filhos estejam bem, precisamos estar bem primeiro”.
Saúde e bem-estar
A nutricionista Luciana Kirsten abordou a importância da saúde intestinal para o bem-estar físico e emocional, ressaltando que mães saudáveis refletem no cuidado com os filhos. “A vida começa nas mães, e isso reflete nas crianças. O momento da refeição cura, com a presença da mamãe e o alimento adequado”.
Os arquitetos Fábio de Oliveira e Adriana Tedesco apresentaram técnicas de design biofílico para estimular a reconexão com a natureza em casa, como aterramento, banho de floresta e solarização da água. “Mesmo sem um playground, é possível aplicar essas técnicas em casa. Basta se permitir”, explicou Fábio.
Poder público
O Jardim Botânico recebeu o evento, reforçando a importância da inclusão e das políticas públicas. Estiveram presentes Audrey Kleys, vice-prefeita e secretária de Educação de Santos; Cristiane Zamari, coordenadora de Políticas para PcD da Prefeitura de Santos; e Carol Porto, arte-educadora e especialista em inclusão.
Audrey reforçou a relevância do evento. “Ocupar o Jardim Botânico com essa ação é fundamental. Precisamos fazer com que a inclusão ocupe todos os espaços, especialmente os públicos. É fantástico, maravilhoso e precisa se repetir”.
Cristiane ressaltou a transversalidade da inclusão e sua participação dupla. “Vim por dois motivos: pela coordenadoria de defesa de políticas para pessoas com deficiência e, também, como mãe atípica. Inclusão é conscientização para filhos com e sem deficiência”.
Carol Porto destacou a sensibilização desde a infância. “Essas crianças serão os adultos de amanhã. Precisamos desenvolver respeito e empatia desde cedo, usando música, histórias e reflexões lúdicas”.


Parabéns pelo evento! Sucesso sempre Instituto Victor Gabriel.