Cena

Barry White, a grande voz da soul music, apostou na música para mudar a vida

12/09/2025 Da Redação Estadão Conteúdo
Divulgação

Barry White tinha uma voz que ninguém confundia. Grave, firme e direta, ela o tornou um dos nomes mais marcantes da soul music. Antes da fama, porém, sua vida foi de dificuldades. Cresceu em um bairro pobre de Los Angeles, passou por problemas com a polícia na adolescência e chegou a cumprir pena em um reformatório. Foi nesse momento que decidiu mudar de caminho e apostar na música, ambiente que já conhecia desde cedo ao ouvir gospel e rhythm and blues.

Nos anos 1960, começou como produtor, trabalhando com grupos vocais e escrevendo canções que chamaram atenção pela combinação de melodias envolventes e arranjos sofisticados. O primeiro grande projeto foi o trio feminino Love Unlimited, que emplacou sucessos sob sua produção. Barry mostrou que sabia criar músicas que uniam emoção, técnica e apelo popular, abrindo espaço para sua própria carreira solo.

Em 1973 lançou o álbum I’ve Got So Much to Give, com a faixa I’m Gonna Love You Just a Little More Baby. A recepção foi imediata e calorosa. A partir daí, construiu uma sequência de trabalhos que se destacaram tanto pela força da voz quanto pelos arranjos orquestrais. Nos discos Stone Gon’, Just Another Way to Say I Love You e Let the Music Play surgiram músicas como You’re the First, the Last, My Everything e Can’t Get Enough of Your Love, Babe, que consolidaram sua imagem de intérprete de canções românticas de grande alcance.

Além dos sucessos individuais, Barry White liderou a Love Unlimited Orchestra, projeto instrumental que explorava a mistura de soul com orquestra sinfônica, mostrando seu lado de maestro e ampliando a variedade de sua produção. O impacto cultural foi amplo: sua figura imponente e seu estilo musical se tornaram referência nos anos 1970, colocando-o entre os artistas mais populares da década. A presença de White no palco, com sua postura segura e comunicação direta, completava a força de suas composições.

Nos anos 1980, enfrentou um período de queda de popularidade com as mudanças da indústria, mais voltada para o pop eletrônico. Ainda assim, seguiu gravando e fazendo shows, mantendo público fiel e apostando na consistência de seu estilo, sem se render às tendências de ocasião. Essa fidelidade ao próprio som o ajudou a ser redescoberto na década seguinte, quando um novo público começou a reconhecer sua importância.

Nos anos 1990, voltou a ganhar destaque quando coletâneas de seus maiores sucessos alcançaram vendas expressivas e suas músicas passaram a ser usadas com frequência em comerciais, filmes e programas de TV. A revalorização mostrou que seu trabalho tinha ultrapassado o período inicial de sucesso e alcançado uma permanência rara na indústria musical. Sua imagem foi recuperada como símbolo de autenticidade em um mercado cada vez mais acelerado e descartável.

Até o início dos anos 2000, continuou a trabalhar, mesmo enfrentando problemas de saúde. Diagnosticado com insuficiência renal e hipertensão, viu a rotina de apresentações se reduzir, mas ainda se mantinha ativo em gravações e aparições. Morreu em 2003, aos 58 anos, deixando um legado de mais de 100 milhões de discos vendidos.

Barry White construiu sua trajetória sem atalhos. De uma juventude difícil a uma carreira marcada por disciplina e talento, deixou um catálogo que permanece vivo em rádios, filmes e playlists atuais. Sua música segue como uma das expressões mais consistentes da soul produzida nos Estados Unidos e mantém sua força por falar diretamente de sentimentos universais, sem excessos e sem perder clareza.