
De hoje até o próximo domingo, Santos será protagonista de um momento histórico. Dentro da Temporada Brasil–França 2025, que marca os 200 anos de relações diplomáticas entre os dois países, a Cidade ganhará projeção internacional com uma programação que mistura política cultural, cinema, música, intercâmbio e cidadania. A participação santista é fruto da parceria entre a Secretaria Municipal de Cultura (Secult) e o Instituto Arte no Dique, instituições que uniram forças para mostrar na Europa a potência criativa que nasce na orla e nas palafitas da região.
O secretário de Cultura, Rafael Leal, terá papel de destaque em debates e palestras sobre políticas públicas, inclusive na tradicional Sorbonne, uma das universidades mais renomadas do mundo. Ele vai apresentar as iniciativas que fazem de Santos uma referência nacional em fomento cultural, como os editais de incentivo a artistas e entidades locais. “Esta participação na França honra e reafirma a vocação de Santos como cidade criativa, ampliando sua projeção internacional e consolidando-a como um dos principais polos culturais e do audiovisual do Brasil”, afirma o secretário.
Cinema santista
O audiovisual, que já transformou Santos em cenário e berço de produções premiadas, terá lugar especial. A Santos Film Commission, que há vinte anos apoia filmagens na região, será lembrada, assim como a conquista do título de Cidade Criativa da Unesco na área de Cinema, celebrando uma década de reconhecimento. Outro destaque será o projeto Fábrica Cultural, que ocupa 18 espaços da cidade com mais de sete mil vagas gratuitas em cursos de arte.
O público francês também poderá conhecer seis curtas-metragens recentes produzidos com recursos da Secult: “O Enigma de Miguel”, “Noroeste – Quem Nasce Tempestade, Não Tem Medo de Vento Forte”, “Expresso São Valentim”, “Onde as Flores Crescem”, “Nem Sempre” e “Os Óculos Novos de Caetano”. As obras foram selecionadas pelo Concurso de Curtas de Santos, que neste ano chega à terceira edição, ampliando a premiação em 25% e distribuindo R$ 700 mil entre novos talentos.
Um dos momentos mais aguardados da programação será a apresentação da Banda Querô, formada por jovens da escola de música do Instituto Arte no Dique. No dia 12 de setembro, eles subirão ao palco do Belushi’s Bar, em Paris, durante o evento Soirée Brazilian Vibes. Ali, o som que nasceu nas palafitas da Vila Gilda vai dialogar com artistas consagrados como Armandinho Macêdo, Yacoce Simões, Marco Lobo, Ana Mametto e Juliann Tavares. Uma verdadeira vitrine da diversidade que conecta periferia e mundo.
Hoje, na abertura da programação, o secretário Rafael Leal e José Virgílio Leal de Figueiredo, presidente do Arte no Dique, participarão de um evento na Embaixada Brasileira, abrindo oficialmente a presença santista em solo francês. Para José Virgílio, a experiência simboliza novos horizontes: “É muito importante a consolidação, mais uma vez, do nome do Arte no Dique e da parceria com a Secretaria de Cultura”.
Arte no Dique
O Instituto Arte no Dique, fundado em 2003, nasceu de um projeto de percussão que se expandiu para um verdadeiro polo cultural. Com sede de 960 m² inaugurada em 2012, atende diariamente cerca de 500 pessoas, oferecendo oficinas de percussão, dança, capoeira, teatro, audiovisual, informática, customização, violão e até reforço escolar em contraturno.
Lavage de la Madeleine
Outro ponto alto da agenda será a participação de Santos no tradicional Lavage de la Madeleine, em Paris. Parte do calendário oficial da capital francesa há mais de duas décadas, o evento atrai cerca de 100 mil pessoas para um cortejo que percorre ruas históricas, do coração da Place de la République até a Place de la Madeleine.
Para Santos, essa visibilidade representa mais que um intercâmbio cultural: é o reconhecimento de uma cidade que soube transformar seu patrimônio histórico, sua criatividade popular e sua produção audiovisual em identidade global. Da Sorbonne às ruas de Paris, passando pelos palcos e pelas telas, a presença santista na Temporada Brasil–França 2025 ecoa como um convite para o mundo conhecer a cultura que pulsa entre o mar, os morros e as palafitas.



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