Cena

Márcia Okida celebra 40 anos de carreira com exposição na Gibiteca

08/09/2025 Isabela Marangoni
Fernando Yokota

Em 2025, a designer e artista gráfica Márcia Okida completa quatro décadas de trajetória nas artes, no design, na cultura e na educação, e celebra o marco com a exposição “Mulheres Minimalistas – Ícones em Cor e Forma”. A mostra acontece de 13 de setembro a 10 de outubro, na Gibiteca Municipal Marcel Rodrigues Paes, integrando o projeto Meu Artista Zer013.

Com entrada gratuita, o principal objetivo da artista é tornar a arte acessível. “É lógico que eu acho muito legal estar numa galeria superchique, mas quero que o público tenha acesso, que seja acessível, ensinar para as pessoas. Eu sou essencialmente educadora”, afirma.

Exposição

O projeto nasceu a partir de um convite da Gibiteca e marcará os 40 anos de sua trajetória artística. “Muita gente me pergunta se planejei celebrar quatro décadas de carreira com uma exposição, mas não, não foi planejado”, brinca.

Composta por 20 obras, a mostra sintetiza o estilo autoral de Márcia — minimalismo gráfico aliado à pesquisa cromática — e inclui retratos de mulheres marcantes da história, da política, da música e da arte, como Maria Bonita, Carmen Miranda, Rita Lee, Frida Kahlo, Anaïs Nin, Elza Soares, Clara Nunes, Marielle Franco e Malala Yousafzai. Entre elas, uma criação especial: a Gueixa, inspirada em Ikko Tanaka, mestre japonês do design, referência inicial da série. “Escolho mulheres que, de alguma maneira, me impactaram, que são referências. Não pego qualquer uma. Tem que ter história, relevância”, explica.

Parte das obras já foi selecionada em três edições consecutivas do Salão Internacional de Humor de Piracicaba — Batom, Lápis e o que elas quiserem (2023, 2024 e 2025), mas esta é a primeira vez que serão apresentadas juntas em Santos, celebrando a partilha com o público local.

A exposição propõe ainda uma interação: os visitantes poderão votar em sua obra favorita, que será inscrita na próxima edição do Salão de Piracicaba, em 2026. “Vou disponibilizar uma urna na Gibiteca e também uma votação pelo Instagram. Quem votar presencialmente verá de perto, e quem votar online poderá acompanhar pelas redes sociais”, detalha.

A abertura será no sábado, 13 de setembro, a partir das 16h30, com bate-papo mediado pela historiadora e pesquisadora Laluña Machado, seguido de uma oficina de criação, na qual os participantes desenvolverão suas próprias representações minimalistas de personalidades, explorando síntese visual e cores inspiradas no estilo de Ikko Tanaka e na proposta de Márcia. “Vou propor que as pessoas façam na hora a mulher que querem representar. Eu garanto que conseguem”, afirma.

40 anos de trajetória

Márcia iniciou sua carreira em 1985, construindo um caminho sólido e plural como designer, professora, curadora, artista e pesquisadora da cor. Foram quase 30 anos de docência em design, cinema e artes, formando gerações de criadores; inúmeras participações em mostras, júris de festivais e salões; e uma produção autoral reconhecida por sua força conceitual e estética.

Atualmente, Márcia é professora no Espaço f/508, centro virtual global com sede em Portugal, e a partir de 2026 integrará o corpo docente da pós-graduação em Fotografia da instituição. Além disso, atua na luta contra a violência de gênero junto ao CHEGA – Observatório de Violência contra a Mulher, criado por ela em parceria com Nara Assunção e Raquel Alves, e segue em formação como Promotora Legal Popular (PLP), ampliando sua atuação social e educativa no campo dos direitos das mulheres.

Arte e ensino

Para Márcia, criatividade é pensar antes de criar. “Funciona muito o que chamamos de ócio criativo. Quem me olha acha que estou viajando, mas, na verdade, já estou processando ideias”, explica.

O processo de criação é quase intuitivo. “Quando sento para fazer, não é para pensar. Você já está com a ideia e pronto. O material é só uma ferramenta, como se fosse um lápis”. Ela reforça que o aprendizado vai além do domínio de softwares. “Nada do que faço aqui é inteligência artificial. Copiar não me interessa; quero criar algo que seja meu”.

A valorização de mulheres inspiradoras é uma marca de seu trabalho. Para a exposição em Piracicaba, Márcia não apenas exibiu obras já consagradas, mas também criou novas artes especialmente para o projeto. “Escolhi mulheres com quem as pessoas possam se identificar: Maria Bethânia, Elis Regina, Malala Yousafzai, Marielle Franco… Mesmo quem não as conhece sente curiosidade em descobrir. A ideia é levar informação e inspiração”, explica.

Márcia observa que muitos alunos hoje enfrentam dificuldade em construir repertório. “Hoje, as pessoas estão esquecendo repertório para valorizar nomes famosos. É mais fácil, mas o conteúdo faz a diferença”.

Sobre seu impacto, comenta. “Sei que o que faço não agrada a todos. Mas no meio do design e da arte, quem estuda algo aprecia. E é isso que aproxima as pessoas”.

Ela resume sua missão. “O que quero é que as pessoas olhem, sintam, se inspirem e que a arte desperte curiosidade. Que descubram essas mulheres incríveis, se conectem com referências e criem algo que seja realmente delas. Isso é o que move meu trabalho”.