Cena

Charlie Sheen faz 60 anos; conheça os principais papeis vividos pelo ator

03/09/2025 Gustavo Klein
Divulgação

Sessenta anos depois de nascer Carlos Irwin Estévez, em Nova York, Charlie Sheen chega ao aniversário redondo como um dos nomes mais contraditórios de Hollywood. Nenhum outro ator de sua geração transitou com tanta naturalidade entre papéis dramáticos em filmes premiados, comédias escrachadas que se tornaram cult e uma carreira televisiva que o levou ao posto de ator mais bem pago da TV americana. Ao mesmo tempo, nenhum outro transformou tanto sua vida pessoal em espetáculo público, misturando vícios, brigas de bastidores e frases que viraram memes globais.

Sheen é a personificação de uma Hollywood que ainda vivia da aura de estrelas intocáveis, mas que, com a chegada da internet e da cultura de celebridades instantâneas, se viu obrigada a encarar a exposição sem filtros. No meio desse turbilhão, ele construiu uma trajetória que vai do soldado atormentado de Platoon ao solteirão sarcástico de Two and a Half Men, um personagem que lhe deu riqueza, fama planetária e também o empurrou para um dos colapsos mais comentados da cultura pop recente.

Família de artistas

Charlie Sheen cresceu em uma família de artistas. Seu pai, Martin Sheen, foi um dos atores mais respeitados do cinema americano, e seus irmãos Emilio Estevez e Ramon Estevez também seguiram o caminho da atuação e direção. Ainda jovem, Sheen mostrou interesse pelo cinema, gravando curtas com colegas e experimentando narrativas caseiras. Sua estreia em Hollywood aconteceu de forma gradativa, com pequenos papéis no começo dos anos 80, até que Oliver Stone e outros diretores de peso o colocaram no centro de filmes que ajudaram a definir a década.

Ao longo dos anos 80 e 90, Sheen foi presença constante nas telas, alternando dramas de guerra, faroestes e comédias de grande bilheteria. Mas foi na televisão que alcançou o auge de sua carreira.

Two and a Half Men

Em 2003, Sheen foi escalado para viver Charlie Harper, um compositor de jingles milionário, mulherengo e debochado em Two and a Half Men. O personagem era uma versão amplificada da persona pública do ator e, rapidamente, conquistou a audiência. A série se tornou um fenômeno mundial, exibida em dezenas de países e rendendo a Sheen contratos milionários. Chegou a ganhar cerca de 2 milhões de dólares por episódio, tornando-se o ator mais bem pago da televisão no período.

O sucesso, porém, veio acompanhado de polêmicas. Conflitos com o criador Chuck Lorre, escândalos envolvendo drogas, álcool e relacionamentos conturbados acabaram levando à sua saída da série em 2011, num dos rompimentos mais rumorosos da história da TV americana. Mesmo assim, Two and a Half Men permanece como o trabalho mais lembrado de sua trajetória, cristalizando a imagem de Sheen como astro do humor.

Platoon (1986)

No drama de guerra dirigido por Oliver Stone, Sheen interpretou Chris Taylor, jovem enviado ao Vietnã. O filme ganhou o Oscar de Melhor Filme e consolidou a imagem do ator como herdeiro de uma tradição familiar de papéis intensos.

Wall Street (1987)

Ao lado de Michael Douglas, que levou o Oscar de Melhor Ator, Sheen viveu Bud Fox, corretor ambicioso seduzido pelo poder e pela corrupção. O filme se tornou referência sobre a ganância dos anos 80 e mostrou sua versatilidade em papéis dramáticos.

Top Gang! (1991 e 1993)

Em contraste com o drama, Sheen mergulhou na comédia nonsense ao interpretar o piloto Topper Harley. As paródias dos filmes de ação, recheadas de exageros, se transformaram em sucesso de bilheteria e ganharam status cult.

Jovens Pistoleiros (1988)

No faroeste sobre Billy the Kid, Sheen atuou ao lado do irmão Emilio Estevez e de outros astros da época, como Kiefer Sutherland. Os filmes ajudaram a popularizar um gênero que vinha perdendo espaço em Hollywood.

Spin City (1996–2002)

Após a saída de Michael J. Fox por problemas de saúde, Sheen assumiu como protagonista da série cômica sobre os bastidores da prefeitura de Nova York. O papel lhe rendeu um Globo de Ouro e mostrou sua força na TV antes de Two and a Half Men.

Os 3 Mosqueteiros (1993)

Na adaptação do clássico de Alexandre Dumas, Sheen viveu o mosqueteiro Aramis, ao lado de Kiefer Sutherland, Chris O’Donnell e Tim Curry. O filme reforçou sua imagem de galã versátil.

Rookie (1990)

Em parceria com Clint Eastwood, Sheen interpretou um jovem policial que precisa provar seu valor. O longa marcou mais uma incursão em papéis de ação.

Participações mais do que especiais

Além dos grandes papéis, Sheen deixou sua marca em aparições inesperadas. Esteve em Curtindo a Vida Adoidado (1986) como um delinquente que encontra Jeanie, irmã de Ferris Bueller, em uma delegacia — uma cena curta que virou memorável. Também fez aparições em séries como Friends e em produções de comédia e animação, sempre trazendo sua persona de “bad boy” carismático para a tela.