
Michael Jackson completaria 67 anos nesta quinta-feira, 29 de agosto, se estivesse vivo. Mais de uma década após sua morte, o cantor continua sendo presença constante na cultura pop. Seja na música ou na dança, ele permanece como referência incontornável, lembrado tanto pela genialidade artística quanto pelas polêmicas que marcaram sua trajetória.
O garoto que começou nos palcos ainda criança, com os irmãos do Jackson 5, cresceu sob os olhos do mundo. Quando decidiu seguir carreira solo, nos anos 70, mostrou que estava pronto para mudar o jogo. Com Off the Wall (1979), deu sinais de que o pop poderia ser mais ousado e sofisticado. Mas foi com Thriller (1982) que alcançou um patamar inédito: o álbum se tornou o mais vendido da história, redefiniu videoclipes e consolidou o “Rei do Pop” como fenômeno global.
Mais do que os discos, foi no palco que Jackson se firmou como gênio. Ele não apenas cantava: criava coreografias que viraram ícones, como o moonwalk, e apostava em espetáculos grandiosos, com cenários e figurinos que influenciaram gerações. Sua capacidade de fundir música, dança e narrativa transformou o show em experiência multimídia, algo que ainda serve de modelo para os maiores artistas.
Mas a construção do mito não veio sem custos. Jackson viveu sob a pressão da fama desde a infância. Sua vida pessoal virou alvo de especulações e acusações que abalaram sua imagem. Ainda assim, sua obra sobreviveu a cada escândalo, sustentada pela força das canções e pela inovação.
Além do pop
Jackson também foi pioneiro na forma de se relacionar com a mídia. Seus videoclipes não eram apenas divulgação de singles: eram eventos globais que paravam a TV. Beat It, Billie Jean e especialmente Thriller marcaram uma era em que o clipe deixou de ser acessório para virar arte em si. Nesse processo, abriu caminho para artistas futuros tratarem a música como experiência audiovisual.
A relação com outros músicos mostra seu alcance. Do rock ao hip hop, de Paul McCartney a Jay-Z, Jackson transitou entre estilos, sempre atento ao que havia de novo. Essa habilidade de dialogar com gêneros ajudou a manter sua obra atualizada. Ele não era apenas um cantor de hits, mas um criador que entendia o pop como linguagem em mutação.
Nos últimos anos, mesmo com a saúde abalada e cercado de controvérsias, Michael planejava uma série de shows em Londres, a turnê This Is It. A morte em 2009 interrompeu os preparativos, mas o documentário lançado depois mostrou um artista ainda obsessivo com cada detalhe. Foi um lembrete de que, apesar de todas as pressões, a chama criativa seguia acesa.
Hoje, sua influência é visível em astros como Beyoncé, The Weeknd e Bruno Mars, que beberam de seu repertório de coreografias e arranjos. Para além da indústria, Jackson também ajudou a colocar questões raciais em pauta. Nos anos 80, foi um dos primeiros artistas negros a alcançar rotação pesada na MTV, quebrando barreiras e mostrando que o mainstream não precisava ter cor definida.
Falar de Michael Jackson é falar de espetáculo, mas também de contradições. Ele é celebrado como gênio, mas também lembrado por sombras difíceis de separar da imagem pública. Esse contraste explica por que continua tão fascinante: Jackson não cabe em definições simples. É herói e vilão, vítima e protagonista, mistura de glória e tragédia.
Se estivesse vivo, talvez ainda reinventasse o palco e o som. Talvez tivesse mergulhado em novas colaborações ou explorado formatos digitais. O que se sabe é que sua obra continua a se expandir mesmo sem ele: cada remix, cada referência, cada sample usado por novos artistas reforça seu alcance.
Aos 67 anos de ausência-presença, Michael Jackson segue sendo mais do que um cantor. Ele é parte da memória coletiva, um artista que desafia o tempo. Sua música toca em festas, seus passos são imitados e sua figura ainda gera debates. Isso é permanência rara — a de alguém que, mesmo ausente, nunca saiu de cena. Sua presença continua reverberando em cada nova geração, como se fosse impossível desligar a batida que ele criou. O eco de sua voz continua marcando o imaginário coletivo. Sempre!


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