Cena

Sinfônica de Santos celebra 30 anos com 2ª Sinfonia de Mahler

28/08/2025 Isabela Marangoni
CARLOS NOGUEIRA/PMS

A Orquestra Sinfônica de Santos comemora três décadas de história e quem ganha o presente é o público. Para marcar a data, o grupo apresenta nesta quinta (28) e sexta-feira (29), às 20h30, no Teatro Municipal Braz Cubas, no Centro Histórico, um concerto de dimensões extraordinárias: mais de 130 artistas no palco, entre dois coros, solistas convidados e a execução da imponente ‘Sinfonia nº 2’, de Gustav Mahler — a célebre “Ressurreição”, considerada uma das obras mais grandiosas e emocionantes do repertório sinfônico.

À frente da orquestra desde a sua criação, o maestro Luís Gustavo Petri celebra a trajetória construída ao longo desta trajetória. “É um orgulho ter criado e mantido a orquestra sempre em atividade. Nunca paramos, nem durante a pandemia. Chegar aos 30 anos assim, crescendo e realizando grandes projetos, com um concerto dessa magnitude, é a sensação de dever cumprido”, afirma.

Celebração

A escolha de Mahler não foi por acaso. “Era um sonho antigo. Pensamos em fazer nos 25 anos, mas a pandemia adiou. Agora, nos 30, resolvemos realizar. Não é tanto pelo simbolismo, mas porque se trata de uma das obras mais importantes do repertório. Uma peça grandiosa e transformadora”, explica.

A montagem, contudo, exige adaptações. O palco foi reconfigurado para receber tantos músicos e a partitura prevê efeitos especiais, como uma orquestra interna posicionada ao fundo do teatro. “Há momentos em que o som parece vir do céu. Ao vivo, é arrebatador”, descreve o maestro.

O processo de preparação também mobilizou intensamente músicos e coralistas. “Curiosamente, obras mais exigentes acabam sendo mais fáceis de ensaiar, porque todos se dedicam ao máximo. O coro estuda há meses, os músicos se entregaram totalmente. O resultado está muito bonito”, garante.

Para o público, a promessa é de impacto. “É uma música imponente, cheia de contrastes. Em certos trechos, apenas três instrumentos tocam; de repente, entram 90 juntos. É emocionante. A peça dura mais de uma hora, mas o tempo passa sem que se perceba”.

A sinfonia

A Segunda Sinfonia de Gustav Mahler, conhecida como “Ressurreição”, é daquelas obras que impressionam já nos primeiros acordes. Escrita no fim do século 19, ela mistura orquestra gigante, solistas e coro para falar de temas universais: a vida, a morte e a esperança em algo maior. O primeiro movimento é intenso, cheio de drama, como se fosse um duelo contra a finitude humana. Depois, Mahler abre espaço para passagens mais leves e até irônicas, criando contrastes que prendem o ouvinte. Mas é no último movimento que a obra atinge o auge: depois de uma longa escalada de tensão, entra o coro cantando sobre ressurreição e redenção, num final arrebatador. Mais do que um concerto, a sinfonia é uma experiência que mexe com o emocional e convida à reflexão sobre a nossa própria existência.

30 anos de Orquestra

Mais do que uma celebração, o concerto marca a consolidação da Orquestra Sinfônica como referência na cena cultural santista. “Criamos um hábito na cidade. Toda última quinta-feira do mês há concerto. Há quem vá sem nem saber o que será tocado, apenas porque sabe que a orquestra estará no palco. Isso formou público, estimulou jovens e até revelou músicos que começaram assistindo aos nossos projetos sociais”, relembra.

O maestro também cita momentos emblemáticos: da primeira apresentação em 1995, com apenas 16 músicos, a concertos no Teatro Coliseu, no Réveillon da praia e em projetos especiais. Hoje, a orquestra mantém 42 músicos fixos, chega a 50 em apresentações regulares — e, nesta semana de festa, alcança 130.

Sobre o futuro, Petri sonha alto. “Temos uma lista enorme de projetos. Queremos expandir os espetáculos, mas tudo depende de apoio. Felizmente, sempre contamos com a Prefeitura e a Secretaria de Cultura. Num país em que não é fácil manter orquestras, especialmente fora das capitais, esse respaldo é fundamental”.

Os ingressos são gratuitos e distribuídos uma hora antes das apresentações na bilheteria do teatro. “É um concerto para todas as idades, sem restrições. Basta chegar, retirar o ingresso e viver essa celebração tão especial”, convida o maestro.