
O que começou de forma despretensiosa, apenas para conversar sobre livros, se transformou em um verdadeiro ponto de encontro digital para jovens leitores de todo o Brasil. Apaixonada pela leitura, a jornalista Rosa Santos criou, há quatro meses, o ‘Clube do Desapego Literário’ no Instagram, que hoje já reúne mais de 11,5 mil seguidores.
A iniciativa surgiu a partir do interesse de Rosa pelo TikTok, onde compartilhava resenhas e comentários literários de forma leve e divertida. “Comecei a falar de livros como se estivesse comentando séries, com resenhas e o que estava na minha lista de leitura. Vi que a comunidade BookTok é fortíssima e comecei a ganhar público. No Instagram, não via nada parecido, então pensei: vamos criar algo para incentivar a leitura”, explica.
Sucesso
O crescimento do perfil foi rápido e orgânico. “Em duas semanas já tinha 3 mil seguidores, sem contar para ninguém, nem para amigos. Só pelo conteúdo”, conta Rosa. Hoje, o clube interage intensamente com os seguidores, principalmente jovens. “O que mais me motiva é conversar com essas pessoas e perceber a necessidade que elas têm de se expressar”, afirma.
O alcance do projeto impressiona. “Gente de todo o Brasil segue e participa. Isso é o mais legal”, destaca, ressaltando o poder das redes sociais na promoção da leitura.
Selo literário
O sucesso digital abriu portas para parcerias com autores independentes. “Um autor do Amazonas me procurou para resenhar seu livro. Pesquisei, estabeleci um valor e começamos a trabalhar juntos. Foi muito empolgante”, recorda. Hoje, o clube também funciona como selo literário, oferecendo serviços editoriais que incluem diagramação, podcast e divulgação.
O primeiro livro lançado sob o selo é ‘Ih, Agora? Criatividade e Bloqueios Criativos Para Leigos Como Eu’, do jornalista e ilustrador Sérgio Ribeiro, que aborda criatividade e bloqueios de forma original. “Produzo toda a estratégia para o lançamento, funcionando como uma editora para autores que ainda não têm essa estrutura”, explica.
Além do trabalho editorial, ela acompanha tendências, participa de eventos e cria conteúdo voltado para engajamento afetivo. “Tudo funciona com o viés do afeto. Quando alguém comenta: ‘Eu amei achar o teu perfil’, são pequenas confirmações de que estamos no caminho certo”, reflete.
Engajamento
O engajamento do público jovem se evidencia em vídeos e desafios literários. “Um vídeo sobre a Bienal viralizou com mais de 100 mil visualizações. Mas o mais importante são os comentários e compartilhamentos. Isso mostra que eles querem trocar experiências, não apenas consumir conteúdo”, observa Rosa, que nota diferenças entre plataformas. “No TikTok, os jovens são mais elétricos e interativos. No Instagram, o público é mais tranquilo, mas igualmente engajado. Em todas, a literatura é o ponto central”.
Para ela, a leitura deve ser acessível e prazerosa. “Não importa se é Harry Potter, Colleen Hoover ou outro autor. O essencial é ler e formar a própria opinião. Trocar ideias e experiências é o grande X da leitura”.
O clube prepara eventos presenciais, com encontros em cafés literários, oficinas e discussões que conectem leitores a autores e experiências culturais. “Quero que a literatura seja um ponto de encontro, que vá além da leitura. Que seja troca, aprendizado e diversão”, reforça. Ela leva a leitura para o cotidiano: “Sempre que vou a algum lugar levo o livro do momento comigo”.
O engajamento vai além do lazer. Rosa cita perfis criativos, como o paulista que criou o “Vi Você Lendo”, mostrando pessoas lendo no metrô, ônibus ou praças. Para ela, as redes sociais são ferramentas essenciais para reverter o baixo índice de leitura no país. “Não posso simplesmente dizer que o brasileiro está lendo menos. As redes conectam pessoas e ecoam o gosto pela leitura”.
Parcerias inusitadas aproximam livros de outros universos culturais. Rosa menciona a Soli Perfumaria, que realizará uma oficina de perfumaria botânica acompanhada da leitura de um livro sobre perfumes, em setembro. “Cada participante criará seu próprio perfume enquanto acompanha a leitura. Será uma experiência única, regada às delícias do cardápio”, explica.
Escrever um livro próprio também está nos planos de Rosa. “Vou escrever um romance. Está no meu radar”. Entre leituras, eventos e conteúdos digitais, ela segue fomentando experiências literárias que conectam livros, pessoas e emoções.
Leitura acessível
A jornalista reforça a importância de engajar jovens de forma acessível. “Não precisa ser um livro profundo. Pode ser um gibi, um livro de desenho. O importante é começar”. Ela valoriza a literatura nacional, destacando obras recentes. “Estou louca para ler ‘Reencontros’, do Vinicius Grossos. O clube pode ser um catalisador para autores nacionais serem descobertos”.
Sobre literatura jovem, Rosa revela seu entusiasmo. “‘Tudo O Que Deixamos Inacabado’, da Rebecca Yarros, mistura épocas, conectando Segunda Guerra e tempos atuais. Ao ler, você se sente quase um personagem. É uma sensação incrível”.
Ela conclui enfatizando a importância de conectar leitura, redes sociais e jovens. “O essencial é interagir, responder, falar. Usar o algoritmo a favor. Romance contemporâneo, fantasia e romantasia são os temas que eles mais gostam. Se não movimentamos as coisas, elas não saem do lugar”.


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