Cena

Carolina Ramos, aos 101 anos, lança seu novo livro na 1ª edição da FLIS

22/08/2025 Isabela Marangoni
Fernando Yokota

Escrever livros é um desafio e, quando se trata de poesias e trovas, poucos conseguem. Na Baixada Santista, porém, existe uma mulher que faz isso com maestria e naturalidade, como quem simplesmente forma uma frase. É o caso da escritora Carolina Ramos, que aos 101 anos lança seu último livro, ‘Porquês… da Trova e da Poesia’, durante a 1ª Feira Literária de Santos (FLIS), organizada pela Academia Santista de Letras, neste domingo (24), às 19 horas, no estande da editora Comunicar.

Na obra, Carolina reúne décadas de dedicação à literatura e consolida sua trajetória como uma das principais representantes da trova no Brasil. Sobre a decisão de publicar agora, ela afirma. “Decidi escrever agora porque era, assim, o ponto final da minha vida. Esse livro foi feito através da minha vida. Um pouquinho lembrava de uma coisa, outra coisa, e no final levei em frente porque é o que penso a respeito da poesia. É uma maneira mais pessoal, mais definitiva. Estou disposta a enfrentar qualquer crítica que não aceite isso.”

A trova, gênero literário formado por quadras rimadas — com a primeira linha rimando com a terceira e a segunda com a quarta, todas com sete sílabas tônicas — é central no livro. E se engana quem pensa que a trova é fácil: ela exige leveza, sensibilidade e técnica. “Parece muito simples, mas não é. Tem que fechar o sentido, não pode falar uma coisa solta. Todo trovador é poeta, mas nem todo poeta é um trovador”, explica Carolina.

O início da Trova

Carolina começou a escrever ainda no colégio, fazendo versinhos para colegas. Ela destaca o papel de Luiz Otávio, considerado príncipe dos trovadores do Brasil, na consolidação do movimento no país. “A trova cresceu muito, ganhou núcleos, espalhou-se pelo Brasil inteiro. Esse é um mérito grande do país, e hoje ela é conhecida nacional e internacionalmente”.

Com mais de 25 livros publicados e cerca de 5 mil trovas, Carolina recebeu em 2021 o título de Princesa da Trova, concedido pela União Brasileira de Trovadores. Sobre a honraria, lembra. “Me senti emocionada. Foi um reconhecimento pelo meu trabalho e pelos muitos prêmios que recebi, dentro e fora do Brasil”.

A última obra

O livro se divide em duas partes: a primeira dedicada à trova, com explicações, histórias e análises; a segunda aborda a poesia em geral, incluindo comentários críticos e defesas da autora. Carolina reforça a importância de organizar e valorizar o gênero no Brasil. “O movimento trovadoresco se tornou brasileiro de forma organizada. Criamos uma tradição que respeita e valoriza o gênero, tanto nacional quanto internacionalmente. A poesia me abriu portas, me levou para um mundo melhor. Eu me expresso através dela, e isso me trouxe muitas coisas boas.”

A autora também experimenta formas poéticas inovadoras, como versos em formato de cálice, mantendo o rigor da rima e explorando liberdade criativa. “Resolvi brincar com as estrofes. Tomei cuidado com cada palavra para que o formato se mantivesse. É proposital, porque minha poesia é toda rimada, e quis me permitir essa liberdade.”

Além de trova e poesia, Carolina escreve livros infantis e estuda romances. Sobre o lançamento na FLIS, afirma que será seu último, mas quem sabe o que o futuro reserva. “Quando Deus deixa a porta aberta, eu vou. Tenho mais de cinco mil trovas inéditas, contos e poesias. Estou preparando um novo livro para o próximo ano”, revela.

Lançamento

Sobre a FLIS, Carolina compartilha sua expectativa. “Um profundo agradecimento a Deus. A rima e a poesia me trouxeram muita coisa de bom. Todos passamos por tristezas, mas a poesia sempre esteve ali como sustentação. É meu alimento”.

Para novos poetas, deixa um conselho. “Não basta ficar entre o povo. É preciso ir às fontes, trazer a poesia para que as pessoas leiam e se encantem. A trova é sensível, bonita, leve. Quem se aproxima dela se fixa”.

Carolina estará na FLIS no estande da Editora Comunicar, com sessões de autógrafo durante o lançamento e conversas sobre sua obra, celebrando décadas de dedicação à poesia e, principalmente, à trova.

 

Programação

23 de agosto (sábado)

  • 11h – Roda de Conversa: Leitura para um novo tempo, com Lúcia Teixeira e Marcelo Nocelli. Coordenação de Sérgio Williams.
  • 13h – Performance Literária “Benedicto Calixto, Vida e Obra”, com Chico Forlenza, e “As Múltiplas Faces de um Poeta”, com Peilton Sena.
  • 15h – Roda de Conversa: Perfis Literários no Esporte, participações de Gabriel Pierin, José Gomes Medeiros, Gisa Macia com Pepe e Eduardo Silva. Coordenação de Augusto Estevam da Silva.
  • 17h – Oficina: Haicai – A Poesia da Natureza, com Taís Curi, Regina Alonso e Maria Cristina Chinen.
  • 19h – Mesa-Redonda: Trajetos literários e vitoriosas vidas, com Marcos Anselmo Franco, Nuno Cobra e Odir Cunha. Coordenação de Paulo Eduardo Costa.

24 de agosto (domingo)

  • 11h – Mesa-Redonda: Gestão da Cultura, com Selma Caetano, José Roberto Walker e Flávio Amoreira. Coordenação de Elizabeth Bechir.
  • 13h às 13h45 – Performance Literária: Mosaico Literário e as Ruas da Cidade de Santos, com Alessandro Atanes. Coordenação de Leonardo Delfino.
  • 14h às 14h45 – O Livro para a Infância, com Cristiane Rogério. Coordenação de Ana Maria Sachetto.
  • 15h30 – Conversa de Escritor: “Anna Costa, muito além de uma avenida…”, com Fabiola Savioli e Alejandro Nascimento, e “De biografias à ficção, escrever é uma grande viagem”, com Ivani Cardoso. Supervisão de Fábio Salgado e Paulo Pechmann.
  • 17h – Performance Literária: Palavra: o fio de uma trama toda pessoal, com Santana Filho. Coordenação de Katya Patella.
  • 18h30 – Apresentação da Orquestra de Deficientes Visuais, Promuvi – Rotary Club de Santos Oeste.
  • 20h – Mesa-Redonda: Leitura e Intervenção Social, com César Romão, Arthur Barros e Paulo Mauá. Coordenação de Eustázio Alves Pereira Filho.