Cena

Há 44 anos o primeiro PC com DOS mudava o mundo dos videogames

12/08/2025 Gustavo Klein
Reprodução

Em 12 de agosto de 1981, a IBM lançou seu primeiro PC com MS-DOS — uma máquina inicialmente feita para trabalho sério, mas que acabou se tornando o palco principal de uma das maiores e mais duradouras sagas do mundo dos videogames. Nos primeiros dias, os gráficos eram simples e o som, tosco.

Mesmo assim, clássicos como Zork, um jogo só de texto que estimulava a imaginação, e King’s Quest, com suas histórias medievais e gráficos coloridos, abriram caminho para aventuras mais complexas. Quem diria que o príncipe acrobata de Prince of Persia (1989) continuaria dando seus pulos nas telas até hoje, com animações tão fluidas para a época que pareciam mágica?

O lançamento de Doom em 1993 foi um divisor de águas, definindo o gênero de tiro em primeira pessoa e criando uma legião de fãs que decoravam mapas inteiros para conseguir vantagem nas partidas em rede. Mesmo com gráficos “quadriculados”, o jogo virou referência e continua a influenciar lançamentos atuais.

Enquanto isso, a LucasArts se consolidava com suas aventuras point-and-click, como Monkey Island (1990), que misturava humor e pirataria com maestria. Por sua vez, Warcraft: Orcs & Humans (1994) estabeleceu as bases para o fenômeno World of Warcraft (2004), um jogo de RPG multiplayer e online que se tornou um universo paralelo para milhões de jogadores.

No final dos anos 90, títulos como Age of Empires e StarCraft elevaram o RTS (estratégia em tempo real) a patamares competitivos, enquanto o clássico The Sims (2000), um derivado de outro grande sucesso, Simcity, permitiu que os jogadores experimentassem o poder de criar e destruir vidas virtuais — com direito a trolagens clássicas, como prender os personagens em piscinas sem escadas.

Já Counter-Strike surgiu como um mod de Half-Life em 1999 e virou febre global, especialmente em lan houses, ganhando versões até hoje jogadíssimas.

Com o avanço da internet, o PC se tornou portal para mundos virtuais persistentes, como World of Warcraft e o criativo Minecraft (2009), um best-seller que transformou blocos simples em obras de arte e recriações de cidades inteiras.

O PC evoluiu não apenas em gráficos e som, mas no espírito de liberdade e experimentação, permitindo que gamers atualizem hardware, instalem mods e personalizem a experiência quase infinitamente.

LIBERDADE

Hoje, a indústria de jogos para PC representa entre 65% e 80% das plataformas-alvo dos estúdios, superando em muito o foco dado aos consoles PlayStation e Xbox. Em termos financeiros, em 2024 o mercado global de jogos para PC faturou cerca de US$ 43 bilhões, enquanto o mercado de consoles chegou a US$ 52 bilhões — números que mostram uma diferença considerável, mas com o PC crescendo em ritmo muito mais acelerado, com taxas de crescimento anual próximas a 8%, contra algo em torno de 0,3% para consoles.

Essa expansão do PC deve-se, em grande parte, à sua capacidade única de oferecer liberdade total para os jogadores: possibilidade de upgrades constantes no hardware, imensa quantidade de mods, retrocompatibilidade que mantém títulos antigos vivos, além de um vasto mercado indie que muitas vezes só encontra espaço no PC. Equipamentos como o Steam Deck têm levado essa liberdade a formatos portáteis, borrando as fronteiras entre o PC tradicional e os consoles.

Por outro lado, os consoles ainda dominam o mercado de vendas diretas. Eles se destacam pelo conforto de ligar e jogar, sem preocupações técnicas, além de contarem com exclusividades cinematográficas e serviços de assinatura como o Game Pass e o PlayStation Plus, que fortalecem seus ecossistemas.

Alguns mercados, como o japonês, mostram até uma retração dos consoles e crescimento dos PCs, mas no geral a expectativa é que ambos continuem a coexistir com pequenas variações nas taxas de crescimento nos próximos anos.

NERDS NO CONTROLE

Se depender dos fãs, o PC é o laboratório aberto onde o jogador vira cientista louco: mexe, troca, instala mods, conecta várias redes sociais sem sair do jogo e ainda mantém um arsenal infinito de jogos clássicos prontos para rodar. Nos consoles, a experiência é mais como um cinema de luxo — você senta, pega o controle e desfruta de uma experiência polida, estável e com exclusividades que muitas vezes só o sofá permite aproveitar com qualidade máxima.

No fim, não existe um vencedor absoluto: o PC é para quem quer controlar tudo, construir seu setup ideal e explorar o universo gamer em todas as suas dimensões; os consoles são para quem busca praticidade e conforto. A nostalgia, aliás, é um ponto que une ambos os universos.

E assim, entre atualizações de hardware e novos lançamentos, a jornada que começou em 1981 com um IBM PC rodando MS-DOS continua viva — um universo que não para de crescer, evoluir e divertir uma legião de nerds pelo mundo.

Mas a história dos computadores com DOS não para nos PCs. Uma outra linha de computadores, também com o DOS como sistema operacional, experimentou seu auge nos anos 1980 e ficou marcada especialmente pela imensa biblioteca de jogos produzida para ela: o MSX, que até hoje tem fãs ardorosos e fieis. Na próxima terça vamos falar um pouco dela e dos seus jogos. Até lá!