
A cidade de Santos já foi a capital do hóquei sobre patins no Brasil. Os mais experientes relembram os clássicos entre o Clube Internacional de Regatas e o Clube de Regatas Santista nas décadas de 1970 e 1980, quando apenas uma rua separava uma rivalidade imensa.
O Inter continua firme e segue colecionando títulos, mas o Regatas Santista já não tem mais a sede imponente, nem o ginásio que serviu de cenário para aqueles jogos inesquecíveis.
Quem viveu muito essa época foi o ex-goleiro Adamar Nunes Filho, 81 anos, que foi titular, ganhou títulos pelo Vermelhinho da Ponta da Praia e foi campeão sul-americano com a Seleção Brasileira de hóquei. E foi a história do patriarca da família Nunes, que inspirou filhos e netos.
O Jornal da Orla reuniu os jogadores da família, que não tem como negar que a trajetória de Adamar influenciou todos por aqui. Para começar, é preciso falar da dedicação do ex-goleiro.
“Eu comecei jogando hóquei devido ao carnaval. Eu tinha aqui uns 15 anos. Meus amigos brincavam o carnaval no Internacional. Eu não tinha condições de bancar o carnaval no Internacional, mas tinha um grande amigo, o Luiz Carlos, o Lambreta, que me perguntou se eu queria brincar carnaval lá. E eu queria”.
Então, ele foi jogar. E nem sabia o que era o hóquei. Foi para o Inter em 1965, para poder brincar carnaval, e acabou gostando. Adamar faz uma revelação. “Eu não patinava bem e me fizeram ir para o gol e eu peguei gosto. Naquela época eu comecei como o oitavo goleiro. Como eu sempre fui caxias, cheguei onde cheguei”.
Ele fez toda a carreira como jogador, na posição mais difícil e arriscada do hóquei, mas sempre se destacou. “Eu não era um goleiro de grandes defesas, mas sempre tive boa colocação”.
O goleiro histórico do Inter teve propostas para sair. “Eu tive ofertas para jogar no Palmeiras e Portuguesa de Desportos. Só que o meu negócio era o Internacional, como é até hoje, né?”
Adamar acompanha o filho Márcio e os netos João Victor e Vicente, mas se preocupa. “No meu tempo, o hóquei já era bravo, mas hoje é de uma diferença absurda. A velocidade que eles imprimem não tem comparação da minha época. É uma coisa fantástica a rapidez com que as coisas acontecem”.
O nosso entrevistado passa muita tranquilidade, mas não pense que ele consegue ver um jogo com os seus familiares sem se emocionar. “Na semana passada, quando o Inter ganhou o título brasileiro, eu vendo de longe o meu filho Márcio, como técnico, meu neto João Victor, como auxiliar, e meu outro neto, Vicente, jogando, eu amoleci. Vieram as lágrimas”.
O paizão, admirado por toda a família, tem uma visão especial sobre a data deste domingo. “Eu acho que o Dia dos Pais, Dia das Mães, Dia da Vó, é o dia a dia. A gente tem que estar sempre olhando para aqueles que vão nos suceder. Então, eu tenho a felicidade de ter três filhos e eles me respeitam até hoje”.
Filhos e netos têm orgulho de Adamar
Márcio Costa Nunes, de 51 anos, é um dos filhos de Adamar, e quem seguiu os passos do pai. “Meu pai foi meu primeiro técnico e era muito exigente comigo. Cobrava demais, mas isso me ajudou a crescer no esporte e não cobrar tanto do meu filho João Victor”. Os outros filhos são o Fábio e o Fernando, que também jogaram. Márcio é o técnico de todas as categorias do Inter e ainda atua na equipe master. Curiosamente, Márcio nunca viu o pai jogar como goleiro titular do Inter, mas ouviu muitas histórias, em Santos, e nos tempos em que foi defender a Portuguesa de Desportos e Palmeiras. “Onde joguei perguntava sobre o meu pai. Sei que foi um grande goleiro. Nunca tive dúvida”.
Se o filho não viu Adamar jogar, imagine os netos João Victor e Vicente. Os olhos dos dois brilham quando falam do avô. “Ele sempre me contou que foi campeão sul-americano pelo Brasil. Minha avó também contava. Lembravam como era a emoção, que ela ficava aflita. Sempre escutei que foi um excepcional goleiro, muitas histórias lindas”, recorda João Victor Leme Costa, que tem 19 anos.
João chegou a jogar no gol, no início da carreira, mesmo contra a vontade do avô. “Ele sempre falou para eu patinar, não vai para o gol, e eu teimoso, ainda tentei, mas com o tempo vi que jogar no gol não era para mim”.
Mais novo, Vicente Arikawa Nunes, de apenas 16 anos, só tem elogios. “Tenho muito orgulho do meu avô. Foi um atleta ganhador, em tempos mais difíceis”. Os netos João Victor e Vicente encerram essa reportagem especial sobre o goleiro do Internacional e da Seleção Brasileira. “Ele é um segundo pai. Cresci com ele desde pequeninho. . Sempre tive contato com o stick e a bolinha. Sempre me mostrou as medalhas dele” ,lembra João Victor. Vicente arremata: “Para mim, ele é o pai dos pais. Quero levar todos os momentos que tenho com ele, procuro levar para a vida. É um cara sensacional. Um exemplo de vida e uma inspiração”. n


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