
O Prêmio Grande Otelo 2025 anunciou seus vencedores na noite de quarta-feira, 30 de julho, na Cidade das Artes Bibi Ferreira, no Rio de Janeiro. Com apresentação de Barbara Paz e Isabel Fillardis e realização da Academia Brasileira de Cinema, a premiação consagrou Ainda Estou Aqui como o grande vencedor da noite. O longa dirigido por Walter Salles levou 13 estatuetas, incluindo Melhor Filme, Direção, Roteiro Adaptado, Ator, Atriz e Fotografia, numa das maiores vitórias da história do prêmio.
Baseado no livro homônimo de memórias escrito por Marcelo Rubens Paiva, Ainda Estou Aqui conta a história de Eunice Paiva, mãe do autor e viúva de Rubens Paiva, deputado cassado e desaparecido pela ditadura militar em 1971. O filme acompanha a trajetória de Eunice como mulher, mãe e militante dos direitos humanos, revelando como ela enfrentou a repressão, a dor da ausência e a criação dos filhos em meio ao silêncio imposto pelo regime. O roteiro, adaptado pelo próprio Walter Salles com colaboração de George Moura e do autor do livro, combina o olhar íntimo de um filho com a perspectiva histórica de um Brasil ainda em processo de acerto de contas com seu passado.
Fernanda Torres interpreta Eunice com uma entrega que lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz. Em seu discurso, visivelmente emocionada, lembrou da origem do projeto: “Ainda Estou Aqui começou no Rio de Janeiro e me sinto muito realizada tendo dado a volta ao mundo com Walter, Selton, com o filme, com Eunice, para estar aqui hoje, de volta. Eu estou muito feliz de ir para casa com o Grande Otelo!”. Selton Mello, que vive Marcelo Rubens Paiva adulto, também foi premiado como Melhor Ator. Walter Salles, além da estatueta de Melhor Direção, foi celebrado pelo retorno ao cinema nacional com um projeto de forte conteúdo político e afetivo.
Antes mesmo da cerimônia, o sucesso do filme vinha sendo tão estrondoso que chegou-se a cogitar que ele fosse considerado hors concours — ou seja, fora de competição —, por já ter vencido o Oscar de Melhor Filme Internacional e de Melhor Roteiro Adaptado no início do ano, em uma premiação que emocionou a equipe e marcou o retorno do cinema brasileiro ao pódio da Academia de Hollywood. A Academia Brasileira de Cinema, no entanto, decidiu manter a elegibilidade da obra, destacando que Ainda Estou Aqui representa o melhor da produção audiovisual nacional e que seria injusto afastar um filme por seu êxito internacional.
A adaptação brasileira já havia recebido prêmios em festivais como Berlim, San Sebastián, Havana e Gramado. Foi indicada a mais de 30 prêmios no circuito internacional, com reconhecimento para a direção, trilha sonora original de Jaques Morelenbaum, montagem de Isabela Monteiro de Castro e a atuação do elenco de apoio, que inclui Jesuíta Barbosa, Mariana Lima e Rômulo Braga.
A edição 2025 do Grande Otelo ainda teve outros destaques. Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa, adaptação do universo de Mauricio de Sousa voltada ao público infantil, venceu na categoria Melhor Filme Infantil. O jovem ator Isaac Amendoim, protagonista do longa, subiu ao palco visivelmente emocionado, sendo aplaudido de pé. 3 Obás de Xangô, uma poderosa obra sobre religiosidade de matriz africana, levou o prêmio de Melhor Documentário, enquanto Arca de Noé, animação sobre temas ambientais com direção de Rosana Urbes, venceu na categoria de Melhor Animação.
Na televisão, a série Senna, produção da Netflix sobre a trajetória do piloto Ayrton Senna, venceu como Melhor Série de Ficção e rendeu o prêmio de Melhor Ator de Série para Gabriel Leone, que interpreta o ídolo brasileiro. O projeto foi elogiado pela recriação cuidadosa das corridas e pela abordagem emocional da vida pessoal de Senna, com foco nos bastidores, nas relações familiares e na tensão do circuito automobilístico.
Presente na cerimônia, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, celebrou o prestígio da produção nacional: “O Prêmio Grande Otelo é um dos momentos mais inspiradores da cultura brasileira, nossa maior homenagem ao talento, criatividade e força do cinema nacional. Conquistas como a de Ainda Estou Aqui provam que vale a pena investir na cultura, mostrando que, quando o poder público cumpre seu papel, o talento floresce e o Brasil brilha lá fora com histórias que nascem aqui.”
Com auditório lotado, a cerimônia foi marcada por discursos emocionados, homenagens à resistência cultural em tempos difíceis e a presença de artistas, produtores e técnicos de várias regiões do Brasil. O tom da noite foi de celebração, mas também de reafirmação do compromisso do audiovisual com a memória e o futuro. de uma produção que tem conquistado espaço dentro e fora do país.
TODOS OS VENCEDORES
- Longa-metragem Ficção: Ainda Estou Aqui, de Walter Salles
- Longa-metragem Documentário: 3 Obás de Xangô, de Sérgio Machado
- Longa-metragem Animação: Arca de Noé, de Sérgio Machado e Aloís Di Leo
- Longa-metragem Infantil: Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa, de Fernando Fraiha
- Longa-metragem Ibero-Americano: Grand Tour (Portugal), de Miguel Gomes. Indicação: Academia Portuguesa de Cinema
- Melhor direção: Walter Salles, por Ainda Estou Aqui
- Atriz de Longa-metragem: Fernanda Torres como Eunice Paiva por Ainda Estou Aqui
- Ator de Longa-metragem: Selton Mello como Rubens Paiva por Ainda Estou Aqui
- Atriz Coadjuvante de Longa-metragem: Juliana Carneiro da Cunha como Dona Lili por Malu
- Ator Coadjuvante de Longa-metragem: Ricardo Teodoro como Ronaldo por Baby
- Roteiro Original: Pedro Freire por Malu
- Roteiro Adaptado: Murilo Hauser e Heitor Lorega – baseado no livro Ainda Estou Aqui, de Marcelo Rubens Paiva – por Ainda Estou Aqui
- Montagem: Affonso Gonçalves, ACE, por Ainda Estou Aqui
- Efeito Visual: Claudio Peralta por Ainda Estou Aqui
- Som: Laura Zimmerman e Stéphane Thiébaut por Ainda Estou Aqui
- Direção de Arte: Carlos Conti por Ainda Estou Aqui
- Figurino: Claudia Kopke por Ainda Estou Aqui
- Voto Popular: Milton Bituca Nascimento


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