Cena

Bandas e fanfarras mantêm a boa tradição em concurso no Boqueirão

28/07/2025 Josi Castro
Fernando Yokota

O Boqueirão, em Santos, parou neste domingo ensolarado para ver as bandas passarem. O bairro recebeu 20 corporações musicais para a oitava edição do Concurso de Bandas e Fanfarras, organizada pela Banda Família do Bem, com apoio da Prefeitura de Santos. A campeã deste ano foi a cubatense Banda Marcial da UME Padre José de Anchieta, que ganhou com 76,1 pontos, com um décimo de vantagem da Banda Marcial de Poá, que ficou em segundo. O terceiro lugar do pódio ficou com a Banda Marcial de Botucatu.

Nos 300 metros da avenida Conselheiro Nébias, entre a rua Epitácio Pessoa e a avenida Vicente de Carvalho, desfilaram os mais de 1,2 mil componentes, entre maestros, músicos, balizas e demais participantes, divididos em 20 agrupamentos, encantando o público presente, estimado em mais de seis mil pessoas. Entre os concorrentes veio bandas de várias cidades do Estado de São Paulo (Cubatão, São Vicente, Peruíbe, Promissão, Campos do Jordão, Arapoti, Poá, Riversul, Sengés, Botucatu e Jaboticabal), além do Paraná.

O coordenador técnico do evento, Waldemar de Almeida Filho, destacou a evolução que o concurso vem passando ao longo dos anos. “Hoje, o evento ganhou grande projeção, ao ponto conseguimos trazer grupos de vários cantos de São Paulo e de outros estados. Inclusive nosso corpo de jurados é formado por maestros de alto nível técnico, alguns com renomes internacionais”, explica.

Avaliações

Os critérios avaliados nos grupos marciais foram aqueles que norteiam a qualidade da apresentação. Na parte do desfile propriamente dito, foram contados marcha e garbo, alinhamento e cobertura, além de uniformidade instrumental. Na musical, os aspectos de afinação, ritmo, melodia, harmonia e equilíbrio sonoro contaram pontos. A linha de frente foi avaliada a parte, levando em conta os movimentos das balizas e a marcha propriamente dita.
Os grupos foram divididos nas categorias Marcial Infantil (integrantes de até 16 anos, com trombone e trompete), Marcial Juvenil (até 25 anos e inclui metais mais graves, como tuba e eufônio), Marcial Sênior (idade e formação liberada) e Musical Sênior (aqui incluindo metais mais doces, como clarinete e saxofone).

Apesar da rigidez e o alto critério para notas, o grupo vencedor levou para sua sede o troféu, que é transitório, de campeão. Não houve outro tipo de recompensa, como prêmios em dinheiro ou em materiais para as bandas.

Para Arnaldo Nascimento, da Banda Marcial da UME Florestan Fernandes, de Santos, ainda assim a participação das bandas e fanfarras em eventos como o de ontem é muito importante. “É um concurso que reconquista o orgulho das bandas e fanfarras da região. Então, pra mim é grandioso para que as crianças participarem, sentirem como é que é um campeonato, um concurso de bandas aqui na nossa região”, afirmou o responsável por uma das bandas mais numerosas do desfile, com 50 músicos e mais 25 balizas na linha de frente.

Homenagens

O concurso abriu uma brecha para homenagear Marcia Meireles, uma das idealizadoras do evento e fundadora da banda Família do Bem. Raphael Meireles, presidente da OAB Santos e filho da homenageada, recebeu a láurea póstuma. “Minha mãe amava muito tudo isso. Ela brigou muito para que os campeonatos de fanfarras voltassem para Santos e foi responsável por resgatar esse espírito tão bonito. Minha família fez parte de banda de colégio e acho importante que as novas gerações conheçam essa atividade, que fortalece o conhecimento musical e a cidadania, e que andava meio esquecido. E essa homenagem com a foto dela na entrada do desfile nos deixou muito comovidos. Só tenho a agradecer a todos os envolvidos nesta iniciativa”, afirma.

Vem Pra Orla

O domingo foi marcado também por mais uma edição de muito sucesso do projeto ‘Vem Pra Orla’, com a Avenida da Praia fechada para o trânsito e diversas atrações para toda a família. Por causa do desfile de bandas, o trecho interditado da orla começou na altura da Igreja do Embaré e foi até o Canal 6.